Com jeitinho que Bush não tinha, Obama segue mesma política do antecessor e descumpre promessas de campanha.
Em seu primeiro discurso oficial ao congresso norte-americano, Barack Obama tentou dar respostas principalmente à crise econômica, além de indicar quais são seus planos para outros temas polêmicos, como a suposta retirada das tropas no Iraque. Além disso, anunciou que, entre suas prioridades, está a criação de mais de 3,5 milhões de empregos, o que viria de um plano sustentado pela diminuição dos subsídios a grandes produtores agrícolas e à indústria armamentista.
Claramente, este é um discurso de “esquerda”, ainda mais para os padrões dos Estados Unidos. Obama substituiu o discurso ultraconservador e fanático religioso de Bush, cheio de preconceitos, pesado, ameaçador, recheado de menções ao terrorismo, a sacrifícios e à defesa da moral. No lugar de tudo isso, seus pronunciamentos são otimistas, grandiosos e carregados de esperança. Alguns gestos como a afirmação que acabará com a tortura, ou a promessa de retirada de tropas do Iraque e defesa dos pobres diante da crise, completam o quadro “esquerdista” de Obama, nos discursos.
Porém, a realidade de suas ações é completamente diferente. No Congresso, Obama reafirmou o discurso de que, para conseguir sair da crise, será necessário todos se unirem, sempre tentando parecer que está no mesmo barco que todos: “Todos terão que fazer sacrifícios, inclusive eu”. Com isso, está querendo dizer que não há distinção entre patrões e trabalhadores, entre explorados e exploradores, e que irá governar para todos estes setores.
Isso é algo impossível, pois Obama foi eleito com um fim, que é seguir os planos que Bush vinha pondo em prática, e que vinham sendo rechaçados por grande parte da população, inclusive nos EUA. Obama arrecadou centenas de milhões de dólares em poucos meses de campanha presidencial, quantia mais de 10 vezes maior que a do candidato McCain, seguidor de Bush. Quem pagou suas contas e hoje nomeia os assessores de Obama são justamente as empresas militares, banqueiros e todos os que lucram com a guerra e a política de Bush, que segue sendo aplicada.
Como reação à crise, Obama vem elaborando planos para salvar banqueiros, montadoras como Ford e GM, além de torrar quase US$ 200 bilhões somente para a seguradora AIG, salva com 4 pacotes, de Bush e Obama. Todas estas empresas estão sendo salvas ao mesmo tempo em que seguem demitindo.
É com os patrões que Obama se preocupa. Os pobres estão preocupando Obama somente em seus discursos. Usa um discurso mais próximo do populismo, para tentar seguir simpático aos setores mais pobres que veem em Obama uma alternativa. Obama cumpre, neste sentido, um papel semelhante ao das Frentes Populares, pois canaliza a insatisfação popular por dentro do regime. É um governo burguês, mas que é visto por muitos trabalhadores como se fosse seu. A diferença é que Obama não provém da classe trabalhadora e seu partido, o Democrata, sempre foi representante do imperialismo dos EUA. Não há, neste sentido, qualquer insegurança ou instabilidade da burguesia em relação a este governo.
Obama vai seguir ocupando Iraque e Afeganistão
Outro tema importante, que foi tocado durante o discurso, é em relação à guerra no Iraque. Ainda em campanha, uma das promessas centrais de Obama era a retirada das tropas do país, o que aconteceria em no máximo 18 meses. Em vista do grande grau de desaprovação com que é encarada a ocupação no Iraque (um dos motivos para Obama ter sido eleito), Obama foi obrigado a prometer retirar as tropas. Mas agora que foi eleito, o presidente americano mostra que mentiu!
Obama anunciou que pretende retirar a maioria das tropas até a metade de 2010, mas que, como polícia e treinamento de tropas iraquianas, os EUA vão continuar lá por ainda mais tempo. Será um contingente de cerca de 50 mil soldados, que é mais que todas as tropas hoje no Afeganistão.
Aliás, a outra mentira de Obama, é que ele não vai trazer as tropas de volta. Não bastassem os 50 mil que ficarão no Iraque, outras dezenas de milhares de soldados apenas serão deslocados para o Afeganistão, que já está com quase o dobro de militares, por política de Obama, do que encerrou no governo Bush.
E, ao contrário do que tenta fazer parecer, Obama não vai retirar parcialmente as tropas do Iraque porque é contra a ocupação, mas sim porque já se tornou insustentável politicamente manter o mesmo número de soldados em uma guerra perdida. O Afeganistão, importante para o controle de gasodutos, agora passa ser a região onde os EUA jogarão mais peso, para manter o medo sobre as populações do continente asiático.
Uma prática distante do discurso
Embora, nos EUA, Obama aparente ser um governo diferente dos outros, esse discurso de que está preocupado com os mais pobres já vem sendo visto há algum tempo, principalmente nos países da América Latina. A diferença é que agora isto vem de um governo do maior país imperialista do mundo. É necessário entender que isso é expressão de uma esquerdização das massas, o que obriga governos burgueses como o de Obama a adotar um discurso mais perto do populismo, para tentar enganar e iludir os trabalhadores.
Mas, na prática, Obama é incapaz de governar para os setores mais pobres, pois não tem como conciliar os interesses dos trabalhadores e dos patrões, muito menos na época imperialista em que se encontra o capitalismo, onde não é mais possível se fazer concessões duradouras para o conjunto dos trabalhadores. Mesmo quando anuncia que criará 3,5 milhões de empregos, o presidente não diz nada, pois enquanto promete isso, os recordes de demitidos nos EUA já ultrapassam esse número fantasioso que Obama inventou e diz que pretende criar.
Muito mais do que pelo discurso, o governo Obama deve ser avaliado de acordo com o papel que vem a cumprir. Seu papel é fazer aquilo que Bush já não tinha mais moral e respaldo para fazer. A diferença é que, ao invés de fazer isso esbravejando, faz isso com um sorriso, e em nome dos mais pobres.
É necessário desmascarar Obama. A única alternativa para os trabalhadores saírem da crise é travando uma luta frontal contra o Imperialismo! É necessário destruir o capitalismo e suas crises.
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