Publicado em 21/11/2011

Egípcios voltam a ocupar a Praça Tahir

Mais uma vez a Praça Tahir, no Cairo, volta a ser palco de grandes manifestações como as que ocorreram no início do ano pela derrubada do ditador Hosni Mubarak. Porém agora o alvo é outro, a população egípcia está protestando contra os militares que comandam o país interinamente desde fevereiro e que estariam aplicando manobras para se perpetuar no poder e não conceder aquilo que o movimento reivindicava quando Hosni Mubarak foi derrubado. Uma multidão tomou novamente a praça, em torno de 100 mil manifestantes tomaram o paço e tomaram o controle completo da região, bloqueando o acesso, autorizando a entrada somente de manifestantes.

No sábado, dia 19 de novembro em uma tentativa de conter as manifestações, o governo provisório usou a policia que agiu violentamente contra os manifestantes.  A polícia derrubou diversas barracas instaladas na praça, isso foi o estopim para que milhares de pessoas entrassem em confronto direto com os policiais. Centenas de pessoas ficaram feridas e até o momento sete pessoas morreram durante o confronto, enquanto há registros de mais de 200 feridos.

As centenas de pessoas que estão mobilizadas na praça gritam “O povo quer derrubar o regime” e exigem a saída do Marechal Tantaui que dirige a junta militar desde 11 de fevereiro após a queda de Mubarak. O povo egípcio está muito descontente com o governo dos militares que até agora não conseguiu apresentar saída alguma às reivindicações dos trabalhadores e claramente tem a intenção de se manter no governo.

Isso é uma prova de que os egípcios continuam mobilizados, não estão satisfeitos simplesmente com a queda do ex-ditador e querem muito mais do que a troca de nomes dos governantes que continuarão com as mesmas políticas do governo anterior. Os trabalhadores do Egito devem continuar mobilizados e tomarem cada vez mais as ruas para derrotar o Exército.

        El Baradei, um dos possíveis candidatos a presidência do país, assim como os reformistas de plantão reivindicam um governo de salvação nacional, e a transição a um governo civil e democrático, ou seja, querem garantir que nada saia do poder da burguesia, o que demonstra cada vez mais difícil de ser alcançado.

Os militares pretendem aprovar uma nova constituição que dá amplos poderes ao governo militar e tentam adiar as eleições parlamentares que estão marcadas para 28 de novembro. Os manifestantes querem a transferência do poder a um governo comandado pelos civis.

        Os trabalhadores egípcios devem se espelhar no heróico exemplo do povo líbio que pegou em armas contra Kadafi, e se apoiando nas organizações classistas conquistadas durante o processo revolucionário, devem usar a força para garantir um governo dos trabalhadores que exproprie a burguesia e dessa forma contemple a necessidade da classe trabalhadora, o que se dará somente em um outra sociedade, que não seja capitalista.

 

 

 

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