Publicado em 25/01/2010

Presente de Natal a Obama foi ameaça de atentado terrorista

        O Natal de Obama não foi como ele esperava. Além de seu governo estar contando com uma forte desaprovação nos EUA e no mundo, o país sofreu com a ameaça de um ataque terrorista. Um nigeriano que voava em um avião com destino aos EUA carregava elementos para a confecção de uma bomba junto ao seu corpo, e pretendia a explodir quando chegasse ao destino. Por falhas técnicas e pelo amadorismo da operação, não foi possível completar o atentado, e a bomba não explodiu.

Esse fato, no entanto, ainda que frustrado, fez com que Obama tivesse que dar respostas rápidas. Veio à imprensa e, em órgão oficiais do governo, teve de dizer que houve um sério problema no sistema de segurança e inteligência do país, e que, em primeiro lugar, a culpa era dele.

Com isso, Obama experimentou o resultado do ódio que os Estados Unidos seguem despertando internacionalmente, mesmo depois da saída de Bush. Ao invés de combater a causa desse ódio, ou seja, sua própria política intervencionista e colonialista, Obama resolveu atacar os trabalhadores, e lançou uma série de medidas de "combate ao terrorismo". Entre elas um maior controle sobre os imigrantes nos EUA, a ampliação da lista de pessoas proibidas de entrar no país, e uma ampliação no combate militar aos grupos "terroristas", que incluem desde a resistência armada ao imperialismo a grupos revolucionários e organizões socialistas em geral.

       Essa escalada repressora já vem sendo feita há algum tempo em países como o Iraque e Afeganistão, mas depois deste atentado, um novo front do imperialismo passa a ser o Iêmen, também no Oriente Médio e um dos mais pobres países árabes. Neste país, está se desenvolvendo um núcleo forte da Al Qaeda de Osama Bin Laden e é de onde pode ter sido elaborado o ataque do Natal.

        Essas respostas de Obama só servem para aumentar e intensificar sua política belicista e de domínio de outros países para saquear riquezas. Mais uma vez, Obama se mostra igual a Bush, e cada vez mais os trabalhadores o veem como inimigo, da mesma forma que o governo antecessor.

Quais os reais erros de Obama

         Obama também declarou, em seu mea culpa na imprensa, que estava afastado dos americanos; por isso, tamanha desaprovação ao seu governo. Se fosse esse o problema, bastaria sair em comícios, abraçando as pessoas, e divulgando sua suposta popularidade (e provavelmente irá tentar fazer isso), como fez durante sua campanha a presidente, e tudo se resolveria. É a mesma explicação que dão políticos repudiados no Brasil: "falta comunicação do governo".

Mas, por trás destas aparências, e de uma imagem que Obama tinha, e ainda tem, mesmo que em menor grau, de "renovação", está algo muito mais difícil de ser contornado: a frustração crescente com seu governo. Concretamente, há um repúdio à intervenção dos EUA em outros países, e as guerras que Obama promove, por ser incapaz de se romper com uma necessidade colonialista do imperialismo, vão desmoronando o prestígio do novo presidente.

        O grande "erro" de Obama é, na verdade, seguir a mesma cartilha que Bush, e não a falta de propaganda ou explicações. de fato, isto não é um erro, realmente, pois Obama repetir Bush não é uma questão de inabilidade ou "pisada na bola", e sim uma expressão inevitável de um político que é tão burguês e financiado pelas grandes empresas como seu antecessor.

A única diferença é que Obama faz as mesmas coisas de antes tentando dar um ar mais humanitário as suas ações. Mas o fato é que Obama governa para os mesmo patrões, multinacionais e grandes magnatas que Bush, e seu governo depende de que sigam as guerras e ocupações.

        Por isso, bastaram poucos meses de governo para que se percebesse que Obama não é tão diferente de Bush, e que nem tudo é possível, se depender dele. Mais uma vez, o combate ao terrorismo é usado como brecha para tomar conta de um país e massacrar um povo inteiro. É através disso que, com apoio da ONU e diversos outros países, inclusive do governo submisso do Iêmen, o imperialismo se prepara para tomar mais um pedaço do Oriente Médio.

Só existe uma única resposta: aumentar a resistência para derrotar o imperialismo

         A Al Qaeda e os grupo terroristas têm se demonstrado uma forte ameaça ao domínio do imperialismo, e fazem isso mesmo sendo grupos cujas ações acabam afastando a maioria dos trabalhadores de seu lado. No Oriente Médio, contam com um pouco mais de respaldo, pois acabam sendo a única alternativa de resistência a todas as atrocidades praticadas pelo imperialismo.

        Nós achamos que a única forma de derrotar o imperialismo é construindo um governo dos trabalhadores em cada um destes países; construindo uma federação de países socialistas em todo o Oriente Médio.

Para isso, é necessário apresentar uma alternativa de direção, que use táticas que vão além do terrorismo como estratégia permanente. É preciso impulsionar a criação de organismos de massas de trabalhadores, com a construção de exércitos populares, para derrotar com armas e um programa revolucionário as tropas dos EUA, que ocupam o Oriente Médio.

 

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