Policiais de La Paz são afastados de suas funções
por abuso e violência contra civis
A arbitrariedade e a violência policial parecem não ter limites. E nem nacionalidade.
Quatro policiais bolivianos que faziam a segurança do parque Pura Pura, uma das maiores áreas de lazer em La Paz, foram afastados de suas funções.
O motivo do afastamento seriam as acusações de que os policiais obrigariam jovens -rapazes e moças- a despirem-se e manterem relações sexuais entre si. Os atos eram filmados para serem utilizados como instrumento de chantagem -e extorsão- ou então seriam exibidos na internet. Os policias conseguiam obrigar os jovens sob a ameaça de levá-los presos.
O caso foi tornado público depois que uma das vítimas reconheceu os acusados. Segundo o jornal "La Razón", em um dos vídeos uma vítima recebe a ordem de abaixar as calças, ao que reage com a pergunta "que tipo de pessoas são vocês?". "Não somos pessoas, somos policiais", responde um dos suspeitos.
O Ministro de Governo da Bolívia, Alfredo Rada, disse à imprensa local que pediu ao chefe da polícia, Víctor Hugo Escóbar, a abertura imediata de processo para apurar o caso.
Violência policial: uma constante em todos os lugares
Os casos de abuso de autoridade por parte da polícia são tão comuns que não deveriam mais nos chocar. Mas é impossível não se revoltar com algo assim. Principalmente no que se refere à sexualidade, algo extremamente íntimo.
O absurdo chegou a tal ponto que os policiais aproveitaram-se de sua situação privilegiada de poder prender as pessoas para obrigá-las a exporem-se dessa maneira. E tudo para conseguirem um dinheiro a mais.
Sua possível resposta de "Não somos pessoas, somos policiais", concretiza bem a forma como a maioria da população enxerga a polícia e como ela mesma parece entender-se: algo acima da sociedade, com liberdades plenas para fazer o que bem entender.
Defendemos não apenas o afastamento desses policiais, mas sua prisão e devolução do dinheiro extorquido das vítimas, assim como a destruição imediata dos vídeos produzidos. As vítimas devem ser indenizadas pelo Estado, visto serem agentes seus os responsáveis por tamanha violência.
Porém, não podemos nos iludir de que se trata de um caso isolado.
Quantas vezes, em nosso país, nos deparamos com caso horrendos de violência policial, em que os agressores acabaram impunes ou simplesmente foram remanejados de função?
É preciso que se constitua uma polícia formada pelos trabalhadores e por trabalhadores, para garantir sua defesa, e não para ser um instrumento de coerção da burguesia sob a nossa classe.
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