Publicado em 15/06/2010

Seguem os conflitos no Quirguistão

 

Na cidade de Osh, sul do Quirguistão, o governo decretou toque de recolher e Estado de emergência, após conflitos violentos que aconteceram nas ruas. Já são 37 o número de mortos e mais de 500 feridos.

Segundo a imprensa tradicional e burguesa, os conflitos começaram após uma briga entre jovens, numa tentativa de creditar a questões pessoais os enfrentamentos para despolitizá-los. É a mesma técnica que se tentou fazer com a revolta francesa em 2005, responsável por incendiar milhares de carros e conflagrar o país, a qual foi atribuída a uma ação policial contra delinquentes. Mas é claro que, por trás disso, está um processo de luta política.

Neste caso, um conflito aberto em abril, que levou a que o presidente Kurmanbek Bakiyev fosse deposto. A situação deteriorou-se no sul do país há quase dois meses, quando o líder do partido uzbeque do Quirguistão, Kadiryan Batirov, foi acusado de ter incendiado a casa da família do presidente Bakiyev.

No dia 7 de abril, em Bíshkek, houve um conflito entre manifestantes e as forças de segurança, que abriram fogo contra a multidão, terminando com 84 mortos. Bakiyev fugiu da capital e se refugiou no sul do país, e a oposição formou um governo provisório. É esta disputa política, que assume contornos de guerra civil, que está por trás dos recentes acontecimentos.

Na última semana, o clima de tensão e de enfrentamentos tomou conta das ruas do país. Helicópteros com armamentos pesados sobrevoam a cidade, numa situação realmente típica de guerra civil, ainda que não esteja alastrada por todos os cantos do país. Pelo menos, por enquanto.

 

O imperialismo teme perder o controle dessa região estratégica

 

O país que está localizado em uma região estratégica para o imperialismo, e que já conta com algumas bases militares da Rússia e dos EUA, usadas principalmente para o reabastecimento das tropas no Afeganistão.

Hoje, é uma área fundamental na luta que acontece em toda a região. Manter a situação sob controle é crucial para o imperialismo, pois um pequeno golpe na sua estratégia para a região já pode ser fatal, e aumentar a resistência em outros países, como no Afeganistão.

Não à toa, já vieram declarações de autoridades de países como China, EUA e Rússia; todas no sentido de estabilizar o clima de conflitos e enfrentamentos que ocorrem em Osh.

A população do Quirguistão, nesse momento, só pode confiar na sua própria força, e deve lutar contra as duas frações burguesas em conflito. Assim como o governo deposto, o atual também reprime e mata trabalhadores, bem como segue a cartilha imposta pelo imperialismo.

É preciso, antes de mais nada, rejeitar e expulsar a interferência do imperialismo norteamericano na região, mas também resistir às tentativas de domínio por parte da Rússia, que tenta manter a hegemonia sobre as ex-repúblicas pertencentes à URSS.

A situação de luta aberta e semi-guerra civil que vive o país só tem uma solução: ser transformada em luta revolucionária contra os governos, o imperialismo e por uma revolução que coloque o Estado sob controle da população.

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