"Estatização" no capitalismo segue contra trabalhadores. Banco britânico RBS, mesmo depois de estatizado demitirá até 9 mil em 2 anos.
O Royal Bank of Scotland Group (RBS), controlado, agora, em 70% pelo Estado britânico, após sua insolvência e quebra, que levou o governo de Gordon Brown a injetar bilhões em seus cofres e assumir seu controle, informou ontem que poderá demitir até 9 mil funcionários nos próximos dois anos. Desses, 4.500 apenas no Reino Unido.
O RBS teve prejuízo líquido de £ 24 bilhões (US$ 35,3 bilhões) em 2008, por causa de baixas contábeis nos ativos do ABN Amro, adquirido antes do colapso dos mercados de crédito. Foi o maior prejuízo de uma corporação na história do Reino Unido e a responsabilidade por ele é exclusivamente de seus diretores que ganhavam bônus milionários sem sequer controlar as finanças do banco. Diante dos problemas de liquidez do banco, o governo britânico anunciou um plano de resgate no valor de £ 20 bilhões (US$ 29,4 bilhões).
Não tinha como ser mais claro. Primeiro, os trabalhadores, através de seus impostos, pagam dezenas de bilhões de dólares para o governo salvar um banco imperialista, que enriqueceu roubando clientes e explorando funcionários.
A desculpa do governo para justificar esta "estatização" com alta indenização, era a de preservar empregos. Com os 9 mil demitidos, fica provado que só os "Estabelecemos uma nova estratégia para restaurar a força do RBS assim que possível. Para isso, precisamos cortar custos em todos os nossos negócios, dada a atual recessão. Infelizmente, isso significa tomar decisões difíceis com relação aos funcionários, assim como em outras ações. Queremos ser abertos e transparentes e anunciaremos nosso plano o mais cedo possível, assim nossos empregados poderão se preparar para o futuro", afirmou na nota o executivo-chefe do RBS, Stephen Hester.
É com esse discurso que os novos banqueiros, a serviço do governo inglês, tentam convencer a população a assistir a destruição de seus direitos trabalhistas e condição de vida. Não vai parar nos 9 mil desempregados do RBS o plano de Brown para "tirar a economia da crise". As "decisões difíceis" ainda devem passar por corte de salário dos funcionários públicos, cortes no orçamento da saúde e educação, ataque aos imigrantes e por aí vai. Os únicos que o governo tenta a todo custo poupar da crise e de seus efeitos são os capitalistas que a criaram e que sustentam sua coalizão.
É preciso impôr estatizações sem indenização e controladas pelos trabalhadores
A condução da estatização do RBS mostra a necessidade dos trabalhadores em colocar na ordem do dia a luta contra o conjunto de seus governos, instituições políticas e contra o sistema e Estado burguês como um todo. Preservando a influência burguesa sobre o parlamento, justiça e governos, mesmo as medidas reivindicadas pelos trabalhadores são descaracterizadas e voltadas contra eles.
Estatizar bancos caríssimos como o RBS, e cheios de furos e prejuízos, pagando bilhões por isso, é um péssimo negócio. Muitos banqueiros até lucram com isso, ao invés de serem punidos por suas fraudes e lucros recordes nos anos de bonança. Essas estatizações de pai para filho lembram o programa de reforma agrária de Lula, que compra as terras desvalorizadas de fazendeiros quebrados, por intermédio do INCRA, por verdadeiras fortunas. Neste modelo, são os fazendeiros que fazem fila para serem "desapropriados", pois o INCRA/Lula é o melhor comprador do mercado.
A estatização do RBS era uma necessidade dos trabalhadores britânicos, assim como ainda é preciso estatizar os 30% privados do banco e todas as demais instituições financeiras do Reino Unido, Europa e do mundo. A crise econômico, que vai desempregar e pôr na miséria centenas de milhões de pessoas foi causada, no terreno privado, especialmente por banqueiros. os bancos são as empresas que mais lucram no capitalismo, e só é possível investir mais nas áreas sociais, garantir emprego e salário decentes, se a produção e a circulação da riqueza, garantida pelos bancos, for propriedade dos trabalhadores.
No entanto, a estatização que defendemos deve ser sem nenhuma indenização, pois, sem isso, tudo o que se ganha assumindo a propriedade do banco se perde em fortunas pagas com dinheiro público, e que nunca vão ser recuperadas. Sem o controle dos bancários e da população explorada em geral a estatização dos bancos vai apenas mudar o patrão. Ainda que preferível às mãos privadas, a propriedade estatal burguesa também está a serviço dos capitalistas. Os juros baixos e o crédito vão permanecer para os grandes empresários; os trabalhadores nem conta corrente conseguem abrir, e os bancários vão ser demitidos e arrochados, como está acontecendo.
Por isso, a única saída para os trabalhadores é a luta nas ruas, combinada com ocupações de bancos, greves e o combate aos governos, reforçando a organização operária, popular e estudantil, e levantando o programa socialista e revolucionário, a fim de expropriar o conjunto da burguesia, pôr abaixo suas instituições e garantir o poder aos explorados.
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