Negado o direito à reeleição do presidente
pró-imperialista da Colômbia, Álvaro Uribe.
Quando perguntado qual sua expectativa acerca das próximas eleições presidenciais, Álvaro Uribe sempre costumou ficar em cima do muro, dizendo que sua reeleição não é seu objetivo principal, mas ao mesmo tempo não é uma suposição a se descartar.
Uribe, mesmo respondendo à questão de forma dúbia, demonstrou diversas vezes sua real intenção de se perpetuar no poder, tanto que organizou um plebiscito popular sondando a vontade da população sobre um possível terceiro mandato seu.
Porém, todos os planos de Uribe foram por água abaixo após a discussão na Corte Constitucional da Colômbia, que considerou esse plebiscito inconstitucional, o proibindo de promovê-lo e desde já tornando inconstitucional também a reeleição. A Corte optou por essa resolução, por 7 votos a 2, alegando irregularidades no financiamento da consulta popular, inclusive a aprovação desse projeto dentro do congresso nacional, que teve direito a acordões, propinas, e muita compra de votos, velhos conhecidos dos brasileiros.
Dois mandatos onde se endividou mais ainda o país
Essa decisão foi tomada mesmo Uribe sendo um dos presidentes mais populares da história da Colômbia. Ele obteve esse patamar de aceitação devido ao seu combate ao narcotráfico, e pelo enfraquecimento das Farc, uma pedra no sapato da burguesia da Colômbia e do imperialismo norte-americano. Tudo à base de pesados investimentos norteamericanos, que controlam o país. A realização de grande parte de seus projetos também é produto do massivo investimento estrangeiro no país, principalmente nas áreas de mineração e petróleo, hoje nas mãos de multinacionais.
Mas todos esses investimentos tiveram um alto custo político para a região, já que a Colômbia hoje é o país mais atrelado aos EUA, contando inclusive com bases militares instaladas em seu território. Uribe utilizou sua popularidade para conseguir aplicar esses projetos, acabando com o pouco de soberania que ainda restava, e endividando mais ainda o país.
Um risco grande demais para a burguesia
Mas o que está por trás dessa decisão, aparentemente contraditória, de vetar a re-reeleição, na verdade é a ameaça à estabilidade política que um terceiro mandato de Uribe poderia trazer. A democracia burguesa colombiana abriria um precedente de mudança por fora das regras, que justificaria os plebiscitos do arqui-inimigo e vizinho governo Chávez. Mesmo os EUA tendo muito interesse de que Uribe se mantivesse na presidência do país, é um risco grande demais perder tudo aquilo que a burguesia conquistou de estabilidade política no conturbado país.
Apesar de ser oposto ao que acontece na maioria dos países, em que as Frentes Populares e governos de esquerda governam, o presidente da Colômbia representa uma necessidade do imperialismo de manter o controle da América Latina, enfraquecendo uma organização que já fora referência na luta (as FARC), e hoje se degenerou. Uribe, como capacho dos EUA, mantém o controle inclusive militar da região, instalando uma base estrategicamente localizada.
Tudo isso demonstra que uma política neoliberal na atual América Latina, como representa Uribe, deve ser guiada com muita cautela, já que, por menor que seja o deslize, pode se perder grande parte dos projetos que foram aplicados.
Cada vez fica mais claro que os governos, independentemente do país, são incapazes de conceder qualquer benefício que seja para a classe trabalhadora. Por isso, Uribe, de certa forma, é uma exceção, pois a falat de condições do capitalismo dar beneficíos reais o faz "aceitar" governos que simulam ser do povo. Na Colômbia, porém, nem isso acontece. Não há concessões reais, nem sequer retóricas, e a direita governa diretamente, com a oposição das entidades sindicais e populares.
Por isso, a burguesia sabe que ganharia com a re-reeleição de Uribe, mas teria muito mais a perder caso a legitimidade do governo fosse questionada por ter burlado a legislação do país com esquemas para se perpetuar no poder.
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