Publicado em 25/10/2010

Apesar da aprovação da reforma da Previdência, trabalhadores franceses saem fortalecidos.

A burguesia imperialista está em um beco sem saída. Mesmo com todos os protestos demonstrando a insatisfação do conjunto da população francesa com as medidas do governo, Sarkozy aplica os ataques aos trabalhadores.

Nesta sexta-feira (22/10), o Senado aprovou a reforma da Previdência apresentada pelo presidente francês. Por 177 votos a favor e 153 votos contra, o projeto de mudança de lei, que aumenta de 60 para 62 anos a idade mínima para aposentadoria foi aprovado no Senado francês.  Agora, basta passar pela comissão parlamentar da Assembleia e, finalmente, pela sanção presidencial, o que deve ocorrer facilmente.

A mudança de lei ainda institui que, para receber a aposentadoria no valor integral, os trabalhadores terão a idade mínima elevada também em dois anos, passando de 65 para 67 anos. A nova legislação entra em vigor a partir de 2018.

Apesar do projeto ter sido aprovado, isso não significa que a mobilização não teve força suficiente para barrar o governo. Em nossa opinião, os trabalhadores encurralaram sim o governo, e o derrotaram politicamente. Sarkozy sai extremamente fragilizado deste processo.

Tanto que, mesmo após a aprovação parcial, os trabalhadores continuam se mobilizando e respondendo a cada atitude de Sarkozy.  Já há duas novas mobilizações organizadas conjuntamente entre as centrais sindicais, marcadas para está próxima quinta-feira, dia 28, e para 6 de novembro.

A aprovação do projeto é uma clara demonstração da impossibilidade da burguesia mundial em continuar com as concessões que existem nos países mais ricos. Os direitos do "Estado de bem-estar social" garantidos no pós-guerra estão caindo um a um, pois a burguesia, para continuar sua exploração, precisa atacar os trabalhadores diminuindo seus benefícios, arrochando salários, precarizando serviços públicos, etc.; tudo aquilo que vem acontecendo nos países europeus nestes recentes meses.

Enquanto isso, continuam salvando empresários à beira da falência, através de dinheiro público, que tiram da população para dar a uma meia dúzia.

A luta na França foi exemplar para todos os países do mundo e principalmente para os países europeus, que tem passado por ataques similares, e na maior parte das vezes, muito piores.

A mobilização dos franceses é a mais forte da última década. Os trabalhadores, geralmente, quando vão à luta, acabam reivindicando somente medidas emergenciais, mas que, no fim das contas, são paliativas e insuficientes. Como, por exemplo, quando trabalhadores organizam uma greve, que, se for bem sucedida, poderá lhes render um bom reajuste salarial.

Porém, não adianta receber o melhor reajuste possível se a inflação for abusiva e a economia estiver instável. O ganho da greve sumirá em poucos meses. E, dentro do capitalismo, a inflação mesmo que controlada, sempre faz os salários dos trabalhadores serem desvalorizados.

Por isso, todas as lutas econômicas devem avançar ao ponto em que se tornem lutas políticas, em última instância pela tomada do poder.

Levando para a realidade da França, isso significava lutar pela derrubada do governo de Sarkozy e seus apoiadores, com o objetivo de levar os trabalhadores ao poder por meio de suas organizações. Qualquer outra iniciativa somente irá adiar os projetos do governo da burguesia, que mais cedo ou mais tarde, serão reapresentados. 

No período em que vivemos, onde a conjuntura mundial não está mais possibilitando a mínima concessão aos trabalhadores, e não é mais possível nem mesmo a manutenção de benefícios já conquistados, os trabalhadores devem tornar todas as lutas por direitos, em lutas contra a burguesia e seus agentes – o governo, as burocracias sindicais, a polícia, etc.

Os trabalhadores europeus continuarão a serem atacados violentamente. Mas as respostas, até agora, têm vindo à altura destes ataques. Os trabalhadores franceses, com mais esta luta, avançam sua consciência, se dirigindo para o caminho da tomada do poder.

 A mobilização dos trabalhadores, a cada ataque, se fortalece, e o período pelo qual passamos é de acirramento ainda maior na luta de classes, onde as duas principais classes estão se chocando violentamente. O ataque é forte; a resposta mais ainda. E, com isso, os trabalhadores europeus e franceses vão retomando, e relembrando, seu passado de experiências de muitas lutas.

 

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