Poeira baixa e repressão aumenta. Depois de conflitos provocados por fraude na eleição, governo do Irã agride opositores.
Depois de inúmeros protestos, em junho, que reuniram milhares de pessoas contra a fraude existente na reeleição de Mahmoud Ahmadinejad a presidente, a poeira baixou, as notícias sumiram, mas a repressão aproveitou e se intensificou.
Em um desses casos, a polícia iraniana usou cassetetes para dispersar dezenas de partidários da oposição que gritavam "morte ao ditador" (referindo-se a Ahmadinejad) no centro de Teerã, cerca de 2 meses depois. O protesto teve início contra o fechamento de um jornal reformista, mas logo em seguida deu vazão à luta anterior, contra o presidente.
O maior dos recentes protestos pelas ruas da capital, depois da contestada eleição presidencial de 12 de junho, ocorreu perto da redação do jornal Etemad-e Melli, do clérigo pró-reforma Mehdi Karoubi.
Mehdi Karoubi irritou muitos partidários do governo, ao dizer que alguns manifestantes de oposição presos haviam sido estuprados na cadeia. Um pouco antes do fechamento definitivo, o diário já tinha sido fechado temporariamente.
Embora as forças de segurança tenham conseguido reprimir as manifestações populares ocorridas após a eleição, os partidários dos candidatos mais afinados com o imperialismo, derrotados na eleição, em parte pelas fraudes, têm mantido o tom de desafio, protagonizando diversos protestos menores ao longo do mês passado.
A votação e as turbulências que aconteceram na sequência lançaram o Irã na sua maior crise interna desde a Revolução Islâmica de 1979, expondo divisões profundas dentro do regime islâmico.
De um lado, existe uma ala mais fundamentalista religiosa e reacionária ideologicamente, mas que se enfrenta com o imperialismo e tem apoio popular, em especial entre os mais pobres. É a ala de Ahmadinejad.
De outro lado, existe a oposição reformista, chamada assim por querer “reformar” o regime islâmico. Este setor seria um pouco mais aberto ao ocidente e à modernidade na visão da imprensa burguesa. Na verdade, esse setor iraniano se sustenta na rejeição ao fanatismo islâmico para defender um programa político entreguista, pró-imperialista e que não tem nada de progressivo em relação às mulheres ou direitos religiosos, como mente a imprensa.
No entanto, independente de representarem um caminho ainda pior ao povo iraniano, de aproximação com os Estados Unidos, os candidatos da oposição canalizaram o descontentamento de setores que começam a ser mais afetados pela baixado petróleo e ataques aos trabalhadores, em consequência disso, desferidos pelo governo. A fraude que foi realizada tentou esconder esta realidade de perda de apoio do governo, e os protestos foram o salto adiante dessa indignação de muita gente.
Para nós, os protestos foram sim organizados e apoiados por todos os setores pró-imperialistas do Irã. Mas, ao mesmo tempo, muitos manifestantes estavam nos protestos honestamente, reivindicando suas bandeiras de emprego, direitos civis, e por mais democracia. São estas pessoas que o governo de Ahmadinejad agora está caçando, e não os empresários pró-imperialistas que financiaram a oposição.
Tortura e estupro contra manifestantes
Uma testemunha da denúncia de agressões, afirmou ter visto a polícia espancar dois homens jovens que estavam em um de vários grupos pequenos de manifestantes movimentando-se pelas ruas perto do prédio do Etemad-e Melli, entoando palavras de ordem contra o governo.
A testemunha também afirmou ter visto um manifestante ser preso e levado para um carro da polícia. As autoridades afirmam que os protestos de rua pós-eleitorais são ilegais. Mais cedo, a polícia havia impedido que dezenas de manifestantes se reunissem diante dos escritórios do Etemad-e Melli.
Mais tarde, 400 manifestantes reuniram-se a algumas centenas de metros dali. Karoubi ficou em quarto lugar na eleição, e ele e o 2º colocado,conforme apuração oficial, Mirhossein Mousavi, ainda não reconhecem a votação e denunciam a fraude.
Há relatos de que os presos nos protestos foram espancados, torturados e até mesmo violentados na cadeia. A decretação de toque de recolher por alguns dias, a prisão arbitrária de centenas de pessoas, o assassinato de uma jovem que estava na manifestação, e a censura e perseguição a órgãos de imprensa de oposição, dão fundamento às recentes denúncias.
Para os trabalhadores, é preciso unidade militar com o governo em qualquer caso de agressão americana ou internacional que o imperialismo faça no Irã. No entanto, temos que rechaçar completamente a perseguição feita a trabalhadores usando a desculpa de que o imperialismo apóia as lutas. O fato dos EUA querer atacar o Irã deve ser respondido com medidas contra o imperialismo, e não podemos aceitar que isso seja usado para justificar o ataque aos trabalhadores.
Nesta luta, os trabalhadores devem tentar construir seus próprios organismos, independentes de religião, que lutem por um país laico, onde os interesses dos trabalhadores sejam atendidos e se possa, inclusive, lutar de forma mais direta e consequente contra o imperialismo. È preciso desenvolver a oposição a Ahmadinejad, mas através de um programa classista, socialista e revolucionário.
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