Capitalismo selvagem. Ryanair, empresa aérea irlandesa é a versão caricata da busca descontrolada pelo lucro no capitalismo
A companhia de aviação irlandesa Ryanair cresce em meio a polêmicas. Depois de chegar a propor que houvesse lugares em pé nos aviões, para diminuir custos e poder levar mais pessoas, o presidente da empresa, Michael O’Leary, vem com uma nova proposta mirabolante.
A empresa, autodenominada de "baixo custo" pensa agora em cobrar pelo uso do banheiro nos aviões. Funcionaria assim: a cada ida ao banheiro, os passageiros pagariam, na hora, por um valor. A ideia de Michael é que, com isso, as pessoas desistam de usá-lo e os aviões possam ter apenas um toalete. Entrevistado sobre como isso funcionaria, à medida que algum viajante se sentisse mal e ocupasse o banheiro por muito tempo, o presidente da empresa falou que: "Não servimos nem comida suficiente para as pessoas terem uma intoxicação alimentar".
O’Leary, 48 anos, é apontado como um guru prático do neoliberalismo, um dos empresários mais emergentes da Irlanda. Já declarou, em outra oportunidade, que os gordos deveriam pagar mais pelos assentos, mas que demoraria demais pesá-los no aeroporto.
Por trás desse comportamento aparentemente desequilibrado e exagerado, com ideias "loucas", na verdade está um empresário que faz o que os outros também gostariam, mas não sentem condições para isso. Michael O’Leary de fora da realidade não tem nada. É a expressão um pouco caricata, é verdade, de um setor burguês que defende a total exploração dos trabalhadores, mesmo sob circunstâncias em que tais propostas não têm espaço político.
Além de sugestões de superexploração dos clientes, a Ryanair também ataca seus funcionários. É proibido fazer parte ou mesmo ser filiado a algum sindicato na empresa. Os salários são baixos e a meta de cumprir horários, propagandeada pela empresa, é satisfeita por jornadas ilegais de trabalho.
Longe de ser uma empresa de fundo de quintal, a Ryanair opera mais de 850 rotas em toda a Europa. Enquanto a maioria das companhias perde continuamente passageiros, a Ryanair prevê um aumento do número de pessoas transportadas, de 57 milhões, em 2008, para 68 milhões este ano.
A empresa é a comprovação de que, no capitalismo, sobrevivem e crescem os empresários mais corruptos, exploradores e que degradam o meio-ambiente. A Ryanair não é uma anomalia no capitalismo, mas uma de suas mais prodigiosas representantes, e exemplar para demonstrar que só com empresas e serviços públicos, estatais e sob controle dos trabalhadores, é possível ter preços baixos, qualidade e respeito. No capitalismo, isso cada vez mais é impossível e a regra serão mais e mais Ryanairs, e suas cobaranças para usar banheiro, barrinhas de cereais e péssimo serviço, nas companhias aéreas e em todo o resto.
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