Publicado em 20/12/2011

Os trabalhadores devem encontrar a solução para a crise na Europa nas ruas!

            A economia capitalista vai de mal a pior e a cada pensamento otimista, onde os economistas burgueses acreditam encontrar uma solução para o problema, novos dados e estimativas acabam os desmentindo.
            Foi assim que recentemente a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em seu relatório semestral, demonstrou que vários países europeus já vivem uma recessão, e que uma perspectiva diferente não está no horizonte.
            Segundo o OCDE, a Zona do Euro, constituída por 17 países europeus entre os 27 da União Europeia, e que inclui algumas das principais potências mundiais, como Alemanha, França e Itália, teve o crescimento de 2012 estimado em apenas 0,2%, índice abaixo de todas expectativas e que não recupera nem sequer o que foi perdido com os últimos anos de crise.

Não só os PIIGS estão enlameados, França e Alemanha começam a sentir a crise!

            Podemos dizer que a crise econômica entra em uma nova fase, onde já não são somente as economias europeias mais frágeis que estão sendo atingidas diretamente; agora as mais fortes economias estão sofrendo sérios abalos.
            Dessa maneira, o presidente francês Nicolas Sarkozy, presidente do país que é a segunda maior economia da eurozona, anunciou novos cortes orçamentários no montante de 65 bilhões de Euros até 2016.
            Isso acontece porque até mesmo a França, que não é um dos países que já vive o pior da crise, a exemplo do que ocorre na Grécia, possui uma dívida em relação ao PIB de 82,3%! Dessa maneira, a burguesia francesa, através de Sarkozy e da colaboração do PS, se vê obrigada a seguir cortando verbas públicas para seguir pagando suas dívidas com os banqueiros e especuladores, mesmo enfrentando mobilizações.
            A Alemanha de Ângela Merkel, a maior economia da Europa, até este momento é o único país livre da recessão e pacotes de salvação. Até quando? Se levamos em consideração seu nível de endividamento, chegamos à conclusão que é uma questão de tempo para que o país seja mais um a viver a crise com intensidade, pois sua dívida é de 83,2%  do PIB, no mesmo nível ou maior que muitos índices de dívidas públicas de países pobres. Essas dívidas, por muitos, já são consideradas impagáveis!
            O resultado é que as agências de risco já ameaçam rebaixar a nota de classificação de 6 países “top” da Europa, que perderiam seu status de “AAA”, assim como os EUA já perdeu por parte de uma das agências. No caso da França, a ameaça é que seja rebaixada 2 níveis de uma vez só.

“Unidade Nacional” da burguesia e colaboracionistas contra os trabalhadores

            Esta crise histórica dos países europeus, no coração do imperialismo, também leva a medidas inéditas por parte da burguesia quanto à supressão de soberania dos países e destruição do chamado “Estado de Bem-Estar Social” dos trabalhadores.
O exemplo máximo desta situação, e que está estampando a capa dos jornais e revistas é a Itália. A terceira maior economia da Zona do Euro e 4ª de toda a Europa (incluindo a Inglaterra), vive momentos terríveis, e o governo de Mario Monti, substituto de Silvio Berlusconi, acaba de anunciar um pacote de medidas de arrocho, com a alegação de reduzir o nível de endividamento do país.
            Seu plano para “salvar” a economia italiana é baseado em um projeto para reduzir déficit fiscal, cortando outra vez dos mais pobres. Este ataque implicará no corte de gastos públicos no valor de 24 bilhões de euros até 2013. Ou seja, muito mais arrocho e menos serviços públicos à população. O problema aqui é que Berlusconi caiu exatamente por causa da implementação destes ataques, e Monti coloca seu pescoço na corda ao manter integralmente a política de seu antecessor.
            Além disso, os cortes atuais não serão capazes de nada, a não ser adiar brevemente o colapso das contas italianas. O FMI já prepara um dos maiores pacotes de salvação de toda a História para resgatar a economia italiana estruturalmente. Serão destinados de 400 a 600 bilhões de euros para dar tempo a Monti aplicar as medidas necessárias a “equilibrar” a economia. Essas medidas já foram anunciadas pelo próprio presidente no dia 4 de dezembro. São elas: aumento da idade para aposentadoria de muitos trabalhadores, privatização, congelamento de salários, corte de trabalhadores no serviço público, corte de verbas no orçamento, etc.
            Monti, assim como todos os governos burgueses, querem que essa crise criada pela burguesia, seja paga pelos trabalhadores.
            Todos esses acontecimentos, e a resposta dos trabalhadores aos gigantescos ataques, estão sendo responsáveis por mudanças políticas importantes no continente. Mario Monti substituiu Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro italiano que entrará para a História como o político dos escândalos sexuais. Mas, apesar de todas as denúncias de abuso que pesavam contra ele, o que o fez deixar o cargo foi a crise econômica e a resposta dos trabalhadores nas ruas.
            Foi dessa mesma maneira que o primeiro-ministro Giorgos Papandreou, deixou seu cargo dando lugar a Luca Papademos. Esses dois, se juntando a outros 8 políticos que caíram ou deixaram seu cargo desde que a crise econômica abateu a Europa com mais força. Mas em nenhum dos 10 países com mudança no governo fruto das lutas e protestos diante dos efeitos da crise econômica a realidade melhorou.
            Quer dizer, os partidos e os nomes mudaram, mas a vida seguiu a mesma, pois o capitalismo seguiu o mesmo. Cada vez mais é assim: ganhe quem ganhar as eleições, tanto faz, pois as grandes empresas e o imperialismo controlam cada um dos partidos do regime e todos os candidatos e alternativas “viáveis” por dentro do sistema eleitoral, montado por estes mesmos políticos.
            Os dois primeiros ministros atuais da Grécia e Itália, por exemplo, compõem um governo de “Unidade Nacional”, ou seja, todos os partidos, de oposição e situação, estão unidos para salvar os seus negócios da bancarrota e juntos atacarão os trabalhadores. Fazem isso usando-se do patriotismo, da falsa consciência da defesa do país, independente da classe.             No fundo, tentam ganhar a colaboração e a trégua dos trabalhadores, para jogar sobre eles o custo da crise que eles fizeram e da qual foram eles os beneficiados.
            Isso é uma clara demonstração de que a burguesia já não tem solução para o problema da crise e somente com a unidade de todas as frações da burguesia é possível impor à classe trabalhadora os planos de ataques.

Os trabalhadores fazem cair presidentes. Está na hora de avançar!

            Apesar disso, a troca desses governos é, de forma distorcida, a consequência das constantes e cada vez maiores mobilizações que envolvem todos os países europeus. O movimento de massas, através de sindicatos, centrais sindicais, movimento estudantil e popular, além de uma nova vanguarda internacional em torno aos indignados estão se mobilizando e respondendo à necessidade dos trabalhadores de enfrentar a saída que a burguesia apresenta para a crise econômica, onde são os pobres quem vão pagar o pato.
            O movimento dos indignados e os acampamentos que pedem democracia real são expressões importantíssimas dessa luta que, no fundo, está expressando a necessidade de construir outro tipo de sociedade, não mais capitalista, mas uma sociedade livre da exploração e do descontrole gerado pelo lucro individual. Uma sociedade socialista, que seja pautada pela necessidade dos trabalhadores e trabalhadoras.
            A Zona do Euro foi uma maneira da burguesia europeia competir com as maiores economias de outras regiões do mundo, e responder a uma crise que já vinha de antes. A unidade continental entre essas burguesias foi a necessidade para competir com China, Japão e EUA, por exemplo.
            Mas, dialeticamente, seu sucesso acabou criando diversos problemas iguais em todos os países da zona, homogeneizando a crise. E como consequência, a solução aos trabalhadores é a mesma e cada vez mais se dá de maneira combinada e simultânea. Para derrotar os planos de arrocho internacional, os trabalhadores também precisam de organizações e políticas internacionais.
            Precisam destruir suas burguesias nacionais e constituir um novo bloco, o da União das Republicas Socialistas Europeias, o que exige um partido revolucionário europeu, com ações combinadas em todos os países.
            Os trabalhadores vivem um momento de ofensiva onde nenhum ataque fica sem resposta. Vários dos países europeus já fizeram diversas greves gerais, mas está no hora de ter mais ousadia. Os trabalhadores devem lutar com a clara intenção de derrotar o governo, e não somente suas medidas. E isso precisa ocorrer no continente todo. Somente dessa maneira será possível constituir uma perspectiva real aos trabalhadores.

 

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