Publicado em 22/09/2010

Trauma de Guerra. Depois do Iraque, depressão e crise econômica seguem matando soldados.

        Por causa dos índices de suicídio, assassinato e abuso de drogas, soldados têm estatisticamente mais risco de morte em casa que no Iraque.

        Os soldados da Quarta Brigada da Primeira Divisão Blindada, por exemplo, chegaram do Iraque há cerca de cinco meses e, com isso, o perigo de atiradores e bombas já não é uma ameaça.

        A guerra para eles, oficialmente, acabou. Mas as chances de que alguns deles sofram mortes violentas permanecem altas. Durante todo o ano passado, apenas um dos soldados da unidade morreu em combate, mas, em 2008, a última vez em que a brigada esteve nos EUA, sete soldados foram mortos e outros seis cometeram crimes em que pelo menos quatro civis e militares de fora da brigada morreram em um pouco mais de um ano.

        Drogas, incluindo heroína e um laboratório de metanfetamina, foram descobertos nos quartéis. "Estar de volta ao quartel é o que não sabemos fazer, porque, desde o 11 de Setembro, parece que passamos mais tempo em combate do que aqui", disse o tenente-coronel David Wilson.

        O problema dos soldados, e suas consequências  pessoais de desequilíbrio, começam a ser entendidos quando se identifica que lutaram numa guerra em que foram convencidos de que iriam libertar um povo, mas acabaram atuando como assassinos de mulheres e crianças,  odiados pela população.

        O estresse de combate e os traumas cerebrais podem ser profundos e irreversíveis nestes casos. "Eles estavam saindo de uma zona de guerra, voltando para casa e não recebendo o atendimento e a supervisão necessários, o que lhes permitiu manter a mentalidade que adotam em Mossul", disse o técnico Mustafa, referindo-se à violenta cidade do norte do Iraque onde a brigada foi posicionada antes de voltar a Forte Bliss, em 2008, e concluindo que muitos soldados não conseguem deixar de pensar que estão em guerra.

        “Esse é um grupo de pessoas que estava lutando e matando e carregando feridos por 14 meses. Você não pode ligar e desligar seu funcionamento."

Sem mudar a realidade ou pôr fim à guerra, exército tenta vigiar e punir os soldados.

        Sem conseguir resolver a realidade de depressão e transtornos psiquiátricos, o exército dos EUA aposta na repressão e na autoajuda. Há métodos puros de repressão, como expulsar dezenas de soldados (como se o problema fosse dos indivíduos que “surtam” e não dos que causaram esta situação) ou de obrigar que os grupos de três ou mais soldados marchem, em vez de caminhar, mesmo na base (mantendo o nível de stress ainda maior, sob o pretexto da disciplina).

        E também há as táticas de autoajuda, como ligar para os pais para contar que seus filhos realizaram um trabalho exemplar no Iraque e trazer um trabalhador social civil para aconselhar soldados deprimidos. Num dos métodos mais patéticos, o comandante do batalhão diz que ordenou que seus soldados leiam "Quem Mexeu no Meu Queijo?", um best-seller da autoajuda neoliberal e cartilha de toda empresa que explora funcionários, para ajudá-los a lidar com mudanças.

        A unidade também tem treinado seus líderes em programas de prevenção do suicídio, e até o comandante da brigada, o coronel Peter A. Newell, tem frequentado bares ao redor de Forte Worth para monitorar o comportamento de seus soldados. Sargentos são incentivados a espionar a vida pessoal dos soldados perguntando sobre a situação de seus casamentos e o estado de suas finanças. Além disso, antes de ir embora cada soldado que possui carro passa por uma inspeção do veículo e tem que apresentar o comprovante de seguro e carteira de motorista.

        O mesmo Newell, numa declaração ao mesmo tempo hipócrita de quem quer manter a guerra para sempre, mas realista diante da destruição que ela causa na saúde mental dos soldados, disse: "A triste verdade é que é mais seguro mantê-los no Iraque entrando em combate com pessoas que tentam matá-los do que levá-los de volta para casa."

        Nas estatísticas, se se contabilizam: quatro suicídios, uma overdose de drogas, um assassinato cometido com um taco de beisebol, um acidente fatal causado por um motorista embriagado, casos de violência doméstica e um tiro após uma discussão em um bar.

        Pelo menos seis dos ex-soldados da unidade estão servindo 15 anos ou mais de prisão por esses crimes e outros julgamentos ainda estão pendentes.

        Jogando a culpa desses transtornos psiquiátricos nas vítimas, Newell demitiu mais de 150 soldados sob seu comando e implementou ações disciplinares a mais de 10% da brigada de 3,5 mil soldados. Em apenas uma companhia, 39 dos 150 soldados foram à corte marcial.

        Esses dados são verdadeiras provas de que a guerra do Iraque e do Afeganistão são verdadeiros hospícios, onde quem não sai morto sai profundamente doente. Obama é responsável pela continuação desta desgraça e pelo tratamento absurdo a que os soldados são submetidos.

        Os trabalhadores não precisam de vigilância nem de ainda mais punições: precisam ter indenização pelo que sofreram, oportunidades de empregos, com salário digno e jornada reduzida, além de uma estrutura de moradia, saúde e lazer que possa reduzir o impacto que a guerra provocou. E, principalmente, precisam que as guerras acabem, o que exige a derrota de Obama, e de sua política de continuação das guerras de Bush.

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

•Fernando Lugo assume paternidade de criança de 2 anos e mostra que seja como presidente, seja como bispo, sempre agiu contra os explorados e oprimidos

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual

• Uruguai aprova o direito à eutanásia!