Violência na Somália:
mais uma vez os EUA são os culpados
Uma onda de atentados esta semana matou pelo menos 28 pessoas na Somália. Um dos ataques atingiu um edifício da ONU em Hargeisa. Nesta localidade morreram pelo menos 25 pessoas, e outras três em Bosasso, na região autônoma de Puntland. Estes ataques são uma resposta à ocupação da Somália, invadida pela Etiópia, com o apoio dos Estados Unidos e da ONU.
Depois das explosões, tanto os ministros do governo golpista da Somália, como o imperialismo, trataram de denunciar os ataques como parte da política da Al-Qaeda e de seus supostos aliados somalis. Além do edifício da ONU, foram alvo o edifício do presidente golpista e outro prédio onde há militares invasores, da Etiópia. Ou seja, os 3 alvos em Harqeisa são os inimigos do povo somali, que destroem o país e massacram os trabalhadores. Em Bosasso, foram mortos soldados que estavam num complexo dos serviços secretos do governo pró-ocupação, de onde partiam missões de violência contra a população.
Hoje, a Somália está arrasada, sem comida, sem emprego e invadida. Os culpados são os EUA, a ONU e a Etiópia, usada como testa de ferro do imperialismo na região. No mundo inteiro, a resistência somali e sua luta contra os agressores deve ser apoiada e contar com nossa solidariedade. Nós saudamos toda iniciativa militar de combate ao imperialismo e seus agentes militares. Estas medidas, no entanto, devem buscar o apoio e manifestações de massa, como única forma de, realmente, conseguir expulsar os invasores.
Uma história de derrotas dos EUA
A Somália já virou filme em Hollywood. No filme “Falcão Negro em Perigo”, a indústria cinematográfica americana tenta romantizar e dar algum aspecto de dignidade à presença e à retirada dos soldados americanos no país. Ao contrário da ficção, porém, na realidade, os norte-americanos foram humilhados na Somália.
Diante de um conflito armado no país, em que o presidente pró-imperialista Muhammad Siad Barre tinha sido derrubado, os EUA, sob a fachada da ONU, invadiram o país. Principal líder dos opositores dos Estados Unidos, o guerrilheiro Mohamed Farah Aideed foi vítima de uma tentativa de assassinato pelos EUA. O resultado foi um fracasso: a morte de 18 soldados americanos e centenas de somalis, enquanto Aideed seguiu livre.
Depois de anos das tropas de ocupação no país, sustentando a tentativa de impor um governo fantoche para atacar os trabalhadores e que garantisse a defesa dos interesses do imperialismo na região, a maioria da população somali pegou em armas ou apoiou a resistência contra a ocupação, com força crescente. O resultado desta luta foi a derrota militar vergonhosa e total dos Estados Unidos no país. Lembrou a fuga igualmente humilhante do Vietnã, feita com helicópteros abarrotados de soldados, oficiais e políticos covardes, fugindo desesperados, em que alguns veículos caíam por excesso de peso.
No caso da Somália, alguns helicópteros foram abatidos pela população, com simples fuzis (nem baterias antiaéreas havia, pois a resistência lutava no corpo a corpo e sem nenhum recurso). Houve soldados agarrados, que, depois de mortos, ainda tiveram os cadáveres arrastados pelas ruas da capital Mogadíscio em festa. Em 1995, a força colonizadora fugiu de vez, mesmo tendo mais de 50 mil homens.
De lá para cá, os interesses dos Estados Unidos sempre estiveram contrariados na região, e os movimentos muçulmanos (o mesmo que islâmicos), que são a direção da resistência, assumiram cada vez mais força.
Uma ocupação criminosa
Em janeiro de 2007, os EUA, usando a Etiópia, ocuparam a Somália e impuseram um governo golpista, pró-americano e de terror contra a população. E, desde então, os adeptos do deposto Conselho Supremo das Cortes Islâmicas, e trabalhadores em geral, têm se oposto e resistido à ocupação.
As batalhas e a resistência do movimento islâmico contra o governo-fantoche colocado no poder pelos Estados Unidos continuam nas ruas de Mogadíscio. A estratégia estadunidense de expandir a sua área de influência e poder na região do chifre da África (nordeste do continente), através da mesma estratégia de levar a “democracia e liberdade” pela qual o mundo ocidental reconhece a criminosa ocupação no Afeganistão e no Iraque, tirou as vidas de milhares de civis inocentes também na Somália.
De acordo com a própria ONU, através de seu enviado especial à Somália, Ahmedou Ould-Abdallah, da Mauritânia, “a situação humanitária na Somália é a pior da África”. Diariamente, refugiados lutam para atravessar o Golfo de Aden para o Iêmen. Cerca de 10 mil fugiram do país entre janeiro e agosto de 2007, mas muitos outros simplesmente desapareceram. Em setembro, a ONU relatou que embarcações com corpos de dezenas de refugiados foram conduzidas pelas forças de ocupação etíopes até o golfo, onde os corpos foram abandonados mar adentro.
As forças etíopes invadiram a Somália em dezembro de 2006, sob ordem direta dos Estados Unidos, para remover o governo do Conselho Supremo das Cortes Islâmicas. O ministro do Exterior da Etiópia, Seyoum Mesfin, afirmou que suas tropas “são um exército de libertação, e não uma força de ocupação”. Apesar disso, a invasão do país representou um crime contra a soberania da Somália. O povo somali, em todo momento, se mostrou contra qualquer intervenção estrangeira em seu país, especialmente vinda dos Estados Unidos.
Os interesses estadunidenses na região estão na origem do conflito que sangra o país africano. Entre eles, a localização geográfica estratégica do país, rota mundial do petróleo, e o controle do próprio combustível. “O Conselho Supremo das Cortes Islâmicas é apenas um pretexto”, afirma Jama Mohamed, da Organização Somaliana para o Desenvolvimento Comunitário. “O principal interessado na crise são os Estados Unidos”. Empresas estadunidenses têm concessão para a exploração do recurso natural em todo o país, mas empresas chinesas rivais têm ameaçado o domínio dos EUA. “Os interesses dos Estados Unidos estão claros desde 1993, quando eles quiseram condenar o nosso país apenas à categoria de mero produtor de alimentos”, explica Mohamed.
Depois de declarada a “guerra contra o terrorismo” e “a Nova Cruzada” de George W. Bush, as atenções estadunidenses se voltaram novamente para a Somália, onde supostamente esteve Osama Bin Laden na década de 1990. Decretada pela CIA a “talibanização” da Somália no início de 2006, como os mesmos classificaram o governo do Conselho Supremo das Cortes Islâmicas, os estadunidenses primeiro tentaram comprar a “rendição” dos mesmos entre fevereiro e março, sem sucesso. Para evitar mais uma frente de batalha, o trabalho sujo foi feito pela Etiópia, subordinada aos Estados Unidos.
Fora a Etiópia/ONU/EUA da Somália.
Por uma revolução dos trabalhadores
O fundamentalismo muçulmano e a resistência, dirigida por uma política religiosa, hoje são a expressão dos inimigos dos EUA na Somália. Na verdade, nem os islâmicos, nem qualquer direção somali nacionalista são capazes de atender as necessidades da população do país. A nova ocupação americana, em 2006/2007, depois do fracasso da ocupação iniciada em 1993, mostra isso. O heroísmo das massas, que expulsaram militarmente o imperialismo não é o suficiente para manter, econômica e politicamente, o imperialismo longe. O resultado é que o governo das Cortes Islâmicas também não foi capaz de desenvolver o país, gerar emprego e acabar com a exploração no país.
Um governo nacionalista que viesse a surgir com a expulsão das tropas de ocupação, não conseguiria dar saúde, moradia e comida à população somali porque estas direções não se dispõe a romper com o conjunto das multinacionais, nem expropriar a grande propriedade privada, fonte das desigualdades sociais. Os grupos religiosos somalis podem ter métodos radicais de resistência, e serem exemplos de abnegação e coragem para lutar. Mas, politicamente, defendem a manutenção do capitalismo e, portanto, da ignorância cultural, atraso científico, opressão às mulheres e repressão sexual na Somália.
A única saída para os trabalhadores da Somália é lutar com todas suas forças contra a ocupação de que são vítimas. Neste terreno militar, é fundamental existir uma unidade de forças, na ação, e até mesmo a possibilidade de uma frente militar comum para expulsar o imperialismo. No entanto, mesmo que combatendo juntos, é de vida ou morte que os trabalhadores somalis construam seus próprios organismos de resistência, seus comitês e destacamentos, além de defender um programa socialista e revolucionário.
Somente com um programa socialista, a solidariedade internacional e a construção de uma direção revolucionária dos trabalhadores é possível derrotar esta ocupação, prevenir outras e, finalmente, libertar a Somália, militar, mas também economicamente.
Para que se construa uma Somália não religiosa, governada pelos trabalhadores, em unidade com a classe trabalhadora de seus vizinhos, como a Etiópia.
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