Depois de ficar 4 anos governando, o presidente da Somália renunciou ao cargo tamanha sua reprovação
O presidente da Somália, Abdullahi Yusuf, que governou por 4 anos o país, renunciou ao cargo alegando que é vítima de um golpe. Yusuf vinha exercendo um governo que não tinha a mínima legitimidade, nem condições de conceder o mínimo que fosse aos trabalhadores. Mais incapaz ainda, era de conter a situação de pobreza e de calamidade social que vive o país. Yusuf foi posto no poder para ajudar a intimidar e acabar com organizações islâmicas, como Al Shabab, e combater todo tipo de "ameaça" vinda da luta dos trabalhadores.
Yusuf abriu as fronteiras para o exército da Etiópia a mando do imperialismo dos Estados Unidos, a fim de colaborar no combate aos "insurgentes", ou seja, para combater os atentados e ações políticas das milícias islâmicas, que, na prática, governavam o país. Desde o início, seu governo foi marcado pela instabilidade e conflitos com os trabalhadores, que lutavam contra o caráter golpista do governo, as condições de vida e a ocupação estrangeira, a partir da Etiópia.
Na falta de uma direção revolucionária, todas as insatisfações populares acabaram sendo canalizadas para o ódio ao imperialismo Americano, aos vizinhos etíopes e aos sucessivos governos corruptos. Nesse contexto, ganhou força a ilusão em grupos como o Al Shabab. Milícias islâmicas passaram ater o controle do país, e se enfrentar contra os interesses dos EUA na região. Daí veio o golpe e ocupação etíope, sustentando Yusuf no governo.
Com a renúncia do presidente se aprofunda o descontrole recente que estava instalado na Somália. Os islâmicos já controlavam, novamente, o sul da Somália e estão acampados nos subúrbios da capital Mogadício. O governo e os militares etíopes que o apóiam têm apenas a capital e a cidade de Baidoa sob controle.
Além do enfrentamento aos militantes islâmicos, o governo também entrou em conflito com a oposição no parlamento, onde Yusuf tentou derrubar o primeiro-ministro para que ele pudesse indicar um nome de sua confiança. Yusuf perdeu a votação, e passou a acusar o restante dos próprios membros do regime instalado pelos EUA e Etiópia de tramarem um golpe. Mesmo assim, Yusuf indicou um primeiro-ministro por sua conta, o que fez a Somália, por algum tempo, ter dois responsáveis por um mesmo cargo no país. Os dois, aliás, ilegítimos e frutos de um golpe comum, baseado em uma ocupação militar.
A ONU, porta-voz do imperialismo, disse que "uma nova página da história da Somália foi aberta", e "que todos os somalis apóiem Yusuf em sua "decisão patriótica e corajosa". Essa afirmação confirma que o imperialismo Americano sustenta Yusuf, pois não há nenhum outro indivíduo em melhores condições de manter seus interesses na região e combater os trabalhadores. A ONU apoia Yusuf justamente porque ele cumpriu muito bem o papel de atacar e tentar acabar com qualquer resistência.
Ao mesmo tempo em que Yusuf e oposição brigam, com a ONU bajulando os dois lados, ainda que prefira Yusuf, os dois setores pró-ocupação estão tentando recompor a imagem do parlamento burguês e organizando um conchavo. A renúncia expressa uma manobra, ao sugerir um caos ao país se Yusuf não permanecer.
O que acontece no país é reflexo da situação que vive a luta de classes na África, onde os conflitos entre trabalhadores e capitalistas em crise se acirram e estouram lutas cada vez mais radicalizadas. Além da renúncia do presidente, o exército da Etiópia anunciou vai se retirar das terras da Somália. Se isto realmente ocorrer, significará uma vitória parcial da luta e resitência.
Parcial, pois por mais que tenha feito o governo recuar, inclusive militarmente, a luta popular, enquanto a classe trabalhadora não tiver o poder em suas mãos através de seus organismos de luta, não será definitivamente vitoriosa, e a situação vai seguir a mesma, de verdadeiro caos que vive o país.
A resolução dos problemas da Somália não passa por eleger um novo presidente, pois mesmo que mude o nome do carrasco, as coisas vão seguir do mesmo jeito. A alternativa é construir organismos da classe trabalhadora para organizar a luta contra o capitalismo, que em países como a Somália demonstra que está à beira da barbárie. Só a luta e mobilização dos trabalhadores é o que pode garantir uma vida digna, a expulsão dos que hoje ocupam o país e a vitória dos trabalhadores.
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