Publicado em 17/03/2009

A FRANÇA MOSTRA O CAMINHO:
Trabalhadores da Sony ocuparam fábrica e prenderam diretoria e o presidente da empresa no escritório na luta contra as demissões.

A França, mais uma vez, mostra ao mundo o caminho para lutar contra a crise. Desde 2005, a situação no país é marcada por diversas mobilizações, algumas mais radicalizadas, outras menos. Imigrantes dos bairros mais pobres, operários, funcionários públicos, estudantes... Todos lutam contra o desemprego e a crise econômica.

            Recentemente, uma poderosa greve geral parou a produção e os serviços no país. A CGT e demais centrais já convocaram uma nova greve geral para 19 de março.

Novamente, operários, bancários, professores, carteiros e demais categorias cruzarão os braços contra Sarkozy e sua política de socorro aos bancos e grandes empresas. Segundo pesquisa do diário Le Monde, 62% dos franceses são a favor da greve geral e 58% consideram que o presidente fala muito mas faz pouco em relação ao combate à crise.

SONY E SORBONNE: dois exemplos a serem seguidos

Diante da onda de demissões em massa, no mundo inteiro cresce a resistência e a luta dos trabalhadores contra os patrões, os governos e o capitalismo em geral. Greves e ocupações são cada vez mais freqüentes.

Mesmo quando a empresa anuncia que faliu e vai fechar, os trabalhadores não desistem da luta. No dia 13/03, os funcionários de uma fábrica da Sony, no sudoeste da França, prenderam o presidente e os principais diretores executivos da empresa para exigir que se negocie os termos de demissões quando a fábrica fechar em Abril.

Ao mesmo tempo em que trancavam a cúpula dentro da empresa, os operários bloquearam a estrada que dava acesso ao local e só liberaram os diretores depois de terem garantido a participação em uma nova rodada de negociações sobre o fechamento da fábrica.

O mais importante nesse exemplo é o método de luta, que pode ser diferente a depender da situação, mas foi realizado pelos próprios trabalhadores e para os trabalhadores. É necessário radicalizar a luta para conquistar alguma coisa, pois somente o diálogo com a patronal e a intervenção pelas vias legais não garante absolutamente nada ao trabalhador.

Outra mobilização importante que ocorre atualmente na França é a dos professores e estudantes da universidade Sorbonne. Depois de já terem ocupado a reitoria em 2007, uma nova ocupação ocorreu nos últimos dias.

A luta é contra uma série de reformas que visam alterar o estatuto do professor, contra a priorização da pesquisa aplicada ao trabalho, ao invés da pesquisa de base, ou social, e contra a falta de verbas para a educação como um todo, fato que unifica a luta dos estudantes com os professores.

Na verdade, não só na Sorbonne, mas estudantes e professores de diversos pontos da França estão na luta contra essas reformas de Sarkosy. Aproximadamente 40 mil pessoas participaram das mobilizações no dia 19 de fevereiro. Somente em Paris, mais de 15 mil trabalhadores e jovens foram às ruas.

O Movimento Revolucionário se coloca ao lado dos operários da Sony, dos professores e estudantes da Sorbonne e de todos os trabalhadores que estão sofrendo com a crise e lutando contra os efeitos do capitalismo. Mais do que nunca, é hora de multiplicar os protestos, as greves e ocupações para defender o emprego, os salários      e  os direitos dos trabalhadores. E através da luta e mobilização é preciso avançar na luta contra os patrões e o capitalismo e pelo socialismo e a revolução.

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