Publicado em 10/05/2009

Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

Nos últimos anos, o mundo tem assistido a diversos processos de luta de povos por independência e autodeterminação. Neste exato momento há milhares de trabalhadores sendo vítimas da opressão nacional em várias partes do mundo, sendo o exemplo mais sangrento das últimas semanas a região do Eelam Tamil, ocupada pelo Sri Lanka, uma ilha situada ao Sul da Índia, e conhecida mais por seu antigo nome: Ceilão.

Esta região compreende a província Nordeste e o distrito de Puttalam da província Noroeste do Sri Lanka, que conta inclusive com sua própria Justiça, Forças Armadas e governo, embora não reconhecidos pela comunidade internacional. A direção desse processo, os Tigres da Libertação do Eelam Tamil, um grupo guerrilheiro de massas, criado em 1976.

A luta armada tamil, iniciada em 1972 já fez cerca de 70 mil mortos desde então. Os Tigres foram fundados em 4 anos depois disso, sendo a principal expressão de uma justa aspiração de uma etnia explorada e oprimida pelo governo central de Colomb, capital do Sri Lanka. Outros movimentos tâmeis são o PLOTE, TELO, E(R)PLF e EPDP, além de antigos chefes dos próprios Tigres (LTTE ) como Vinayagamoorthy Muralitharan, conhecido como coronel Karuna.

O dia 2 de janeiro de 2009 marcou o início de mais uma ofensiva do governo burguês pró-imperialista do Sri Lanka contra os rebeldes tâmeis. Antes, estava vigorando uma trégua que tinha durado até 2005. No período anterior a esta data, os Tigres tinham claramente iniciado um profundo pricesso de rendição e abandono de suas posições políticas, num rumo traidor e oportunista já visto em relação ao ETA (país basco), IRA (Irlanda do Norte), etc.

A guerrilha, neste período decidiu adotar uma atitude mais moderada em relação às suas exigências, passando a defender apenas uma autonomia econômica e política no âmbito do Estado cingalês, ou seja aceitando a opressão e abandonando a luta pela independência. As mentiras do Sri Lanka, a pressão popular dos tâmeis e a crise econômica, no enanto, jogaram a paz pro espaço e a guerra civil foi retomada com quase 2000 pessoas mortas desde então.

Em 2007 e, principalmente no inicio desse ano, o conflito tomou proporções maiores e o exército do Sri Lanka abriu fogo contra os militantes da guerrilha e milhares de civis.

Pelo direito à autodeterminação dos povos

O Tibet é o exemplo mais conhecido quando se fala em opressão a nacionalidades ocupadas, nos dias de hoje. A radicalização da luta nesta região, fez com que a população tenha se levantado contra a furiosa ditadura chinesa, com os monges assumindo a direção da luta por um Estado independente, por soberania e reconhecimento internacional, apesar de todas suas contradições e traições.

Em 2007, Kosovo também foi palco de uma luta por autodeterminação e independência. É o caso da Cachemira, País Basco e muitas outras regiões legítimas e que são mais comentadas que o esquecido Eelam Tamil.

            A luta por liberdade e emancipação, mesmo que nasça limitada a exigências de reformas capitalistas, acaba por se deparar com o choque e a violência, que são inevitáveis, pois quem domina e explora jamais abre mão disso pacificamente.

                    É preciso acabar com o massacre. Pela independência tamil!                   

Em apenas três meses de 2009, aproximadamente 7 mil pessoas morreram devido à ofensiva do governo do Sri Lanka contra os Tigres Tamil e a população. Uma média de 33 civis foram mortos a cada dia em janeiro e o número subiu para 116 em abril. No dia 2 de maio, um Hospital foi palco de um atentado que matou 64 pessoas, aos moldes dos atentados que Israel disparou contra a Faixa de Gaza na virada do ano.

Trata-se de um verdadeiro genocídio contra um povo que luta por soberania e independência. E da mesma forma que fizeram os semi-nazistas do governo israelense, o exército do Sri Lanka dá as costas para a ONU - que é cúmplice dos massacres, mas que tenta fingir que pressiona pelo cessar-fogo - e segue reprimindo a população Tâmil, dizendo que todos são guerrilheiros e terroristas.

Diante desse massacre, o Movimento Revolucionário se solidariza com a luta por autodeterminação levada a cabo pelo povo e pelos Tigres Tâmil contra o governo do Sri Lanka; entretanto, não se pode deixar de dizer que a luta por emancipação, liberdade e soberania é a luta pelo socialismo.

Não basta o separatismo territorial e a independência política. É preciso independência e soberania econômica e em todos os sentidos, com o controle das riquezas por parte dos trabalhadores e dos povos oprimidos. A luta por independência é a luta pela revolução socialista, e, para isso, além da luta armada revolucionária, é necessário construir uma direção que represente de fato os trabalhadores, contra as vacilações dos Tigres Tâmil.

 

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