Trabalhadores tailandeses põem governo em xeque com mobilizações de massas, mas a falta de uma direção revolucionária limita a luta dos trabalhadores.
O noticiário das últimas semanas foi tomado pelos protestos de massas ocorridos na Tailândia. Organizados pelo partido de oposição Aliança do Povo pela Democracia (PAD), manifestantes tomaram o aeroporto do país em 25 de novembro por cerca de sete dias, interrompendo a decolagem e o desembarque dos vôos. Num país cujo turismo internacional atrai milhões para a economia, o ato resultou num imenso prejuízo.
O objetivo era forçar uma renúncia do atual primeiro-ministro, Somchai Wongsawat, e impedir que o ex-primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, que vive atualmente na Grã-Bretanha, volte à vida política do país. O governo é acusado de corrupção pelos manifestantes.
Os protestos se encerraram após o Tribunal Constitucional dissolver, por fraude eleitoral, três partidos da coalizão governamental, desabilitando o primeiro-ministro e catorze de seus ministros.
O que ocorre na Tailândia expressa uma realidade mundial, marcada por lutas cada vez mais massivas organizadas pela classe trabalhadora, com conteúdo e métodos de luta socialistas, ainda que se dêem de forma inconsciente, sem a existência de uma direção revolucionária.
Do ponto de vista do método de luta, os trabalhadores tailandeses foram num crescente, de manifestações de multidões, que levaram a manifestantes mortos, que se acentuaram e permitiram a tomada do aeroporto principal de Bangcoc. Após esse avanço, a luta urbana dos manifestantes ocupou outro aeroporto da capital, isolando a entrada e saída do país. O passo seguinte foi a tomada do palácio, com a fuga do 1º Ministro, e seu afastamento em seguida. Desde o início, o processo revolucionário aberto só pôde ir adiante porque combinou a luta específica com a luta política, preparando o "assalto" de massas ao governo. A interrupção da produção e do turismo foi o estopim que estrangulou o governo tailandês, e determinou sua queda.
Em termos do conteúdo da luta, as mobilizações na Tailândia não são feitas apenas com objetivos econômicos, para dar prejuízo à burguesia ou aumentar salários, mas também se desenvolvem e se enfrentem diretamente contra o governo do país. Os trabalhadores tailandeses vêem as greves e ocupações como única forma de pressionar e derrotar o governo, e fortalecer a sua luta e conquistar suas reivindicações.
Quer dizer: sem uma compreensão total do caminho a seguir, ou seja, inconscientemente, as massas tailandesas colocaram em pauta a necessidade de uma revolução socialista, usando o método operário e adotando reivindicações que só poderiam ser atendidas por um programa revolucionário. Isso já existe na Tailândia, com as ocupações de aeroportos e sedes de governos, por exemplo.
Mas, para que exista qualquer revolução, em primeiro lugar, é preciso uma radicalização organizada, e direcionada contra os burgueses, ou seja, é preciso uma direção revolucionária. Isso não existe ainda na Tailândia: o elemento consciente dessa luta radicalizada das massas. Para isso, seria necessária a existência de um partido marxista e revolucionário, que colocasse todas as reivindicações pautadas pelo movimento atual e sua luta a serviço de uma estratégia socialista, de ruptura com o imperialismo e o capitalismo.
Nesse sentido, a construção de uma direção que seja uma alternativa revolucionária ao PAD é uma necessidade dos trabalhadores da Tailândia. Esta alternativa deve apresentar e representar um programa revolucionário para o conjunto da população tailandesa, de expropriação da burguesia, controle operário e popular da produção e a construção de um governo socialista, apoiado em organismos democráticos dos trabalhadores tailandeses.