Publicado em 19/04/2009

ENFRENTAMENTOS ENTRE A POLÍCIA E MANIFESTANTES CONTRA GOVERNO DEIXAM 2 MORTOS E 123 FERIDOS NA TAILÂNDIA

            A Tailândia foi palco de mais uma grande revolta popular. A intensa crise política que enfrenta o país asiático há 2 anos se aprofundou nesse mês de abril, diante da população lutando para derrubar o governo de Abhisit Vejjajiva.

            Milhares de manifestantes ocuparam diversos pontos do país, principalmente em frente ao palácio governamental de Bangcoc, onde montaram barricadas com pedaços de árvores, grades metálicas, automóveis e pneus.

            Após dias de violência entre a polícia e a população, que resultou em 123 feridos e 2 mortos, as barricadas terminaram quando os manifestantes, que resistiam até o último momento acampados, foram cercados por centenas de policiais e obrigados a desmontar o acampamento. A ordem do aumento da repressão foi do próprio primeiro-ministro tailandês Abhisit Vejjajiva, que assumiu o poder em 2006 depois de um golpe militar que depôs Thaksin Shinawatra.

Durante os dias de enfrentamento muitos cartazes foram levantados saudando e exigindo o retorno de Shinawatra ao poder, que atualmente se encontra exilado no Reino Unido e, mesmo à distância, é um dos líderes da atual mobilização.

O ex-primeiro-ministro Shinawatra é um empresário e político tailandês e, do Reino Unido, era dono e presidente do clube Manchester City, onde Robinho joga atualmente. Segundo a grande imprensa, ele está convocando os tailandeses a que continuem na luta e que façam uma revolução popular.

Shinawatra foi eleito em 2001 e, na sua tentativa de reeleição o pleito foi boicotado pela oposição e em 2006 foi deposto pelo golpe, com a justificativa dos militares de devolver a lealdade à monarquia e acabar com os escândalos de corrupção de seu governo, que também havia sido alvo de grandes marchas populares.

            A Tailândia já passou por diversos golpes de Estado e insurreições populares ao longo do século 20. Isso expressa a profunda crise que o sistema capitalista como um todo enfrenta na Tailândia. Não se trata apenas de uma crise política conjuntural, e sim de um desgaste profundo com o regime tailandês, seja contra um governo democrático e corrupto ou autoritário. O fato é que entra governo e sai governo e a vida da população segue igual, enquanto que a indignação só aumenta.

Agora, diante do cenário de crise mundial o conflito se agrava e uma nova insurreição pode ocorrer no país. Ao mesmo tempo, no mundo inteiro ocorrem protestos massivos contra os governos que, diante do desemprego em massa, socorrem com trilhões de dólares os banqueiros e grandes empresários.

            O Movimento Revolucionário apóia a luta dos trabalhadores e povo tailandês contra o governo golpista, mas não defendemos como alternativa o ex-primeiro-ministro Sinawatra e sim uma grande revolução social que enfrente o conjunto da burguesia tailandesa e aponte para a construção do socialismo na Tailândia, com a construção de um governo dos organismos dos trablhadores e uma sociedade socialista.

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