Governo tcheco cai em plena presidência da União Europeia
O governo de centro-direita da República Tcheca caiu após uma moção de censura aprovada no parlamento da capital, Praga. O país é o atual ocupante da presidência semestral da União Europeia (UE).
A moção de censura, apresentada pela oposição, obteve os 101 votos necessários na Câmara Baixa, de 200 cadeiras, graças ao apoio de quatro deputados dissidentes que votaram pela queda do gabinete, afetado por uma série de escândalos, mas, principalmente, pelos efeitos desastrosos da crise econômica.
Ainda que a decisão parlamentar de derrubar o governo Topolanek tenha sido o fato final para acabar com esse governo, esse processo só existiu e forçou a derrubada do 1º ministro a partir da perda de apoio popular. O primeiro-ministro, Mirek Topolanek, era sustentado por uma coalizão de governo formada pelo ODS, o partido de Topolanek, ao lado dos cristãos democratas (KDU-CSL) e dos Verdes. Nesta coligação de direita com os sempre oportunistas Verdes, a prioridade era a “modernização” do país, a liberalização econômica e a integração à UE. Ou seja, todo o programa neoliberal, hoje desmoralizado e que levou ao ódio dos trabalhadores.
O presidente tcheco, Vaclav Klaus, cujo poder é praticamente simbólico, dado o regime parlamentarista tcheco, em que é o primeiro-ministro o chefe de governo, se limitou a dizer que "a evolução posterior se fará mediante a via constitucional". Toda a tentativa dos principais partidos, mesmo os da oposição, é a de canalizar a crise institucional tcheca por dentro da via eleitoral, sem permitir que haja mobilizações e lutas que possam mudar a realidade de verdade.
Mas esta tentativa de bloquear a insatisfação popular e acalmar uma população cada vez mais vítima da crise econômica e de seus efeitos como um desemprego gigantesco, não tem obtido resultado. Nenhum novo governo é capaz de tirar a República Tcheca da decadência econômica, que é mais acelerada nos países do leste europeu, muito dependentes de exportações e do aquecimento econômico devido a uma mão de obra abundante e barata.
Além do desemprego em seus próprios países, os trabalhadores de países do leste europeu ainda sofrem com o desemprego e a ameaça de expulsão de seus imigrantes em países centrais como Inglaterra, que têm aumentado a xenofobia nesta hora de crise. Todas estas questões fazem com que já se fale que o novo governo tcheco já deve assumir, seja quem for, como um governo enfraquecido e pressionado.
Esta crise econômica, que já se converteu em crise social e política na República Tcheca, é diretamente consequência não apenas dos “exageros” do mercado, falta de regulação, ou coisas do tipo. Ela é produto da existência do capitalismo, restaurado na década de 90, no país. Mesmo controlada e amarrada, a economia no capitalismo é anárquica e incapaz de se auto-regular.
O Estado burguês tampouco consegue equilibrar ou preservar a saúde do sistema. O máximo que faz é intervir, pela força das leis e das polícias, para conter a população, enquanto a rouba em trilhões de dólares que são repassados aos banqueiros. Por isso, dentro do capitalismo, não há saída para os tchecos e seu nível de vida vai piorar ainda mais.
A República Tcheca, com a queda de seu principal dirigente político, expõe mais explicitamente este limite capitalista. O crescimento econômico, quando existe, só beneficia poucos, e acaba logo depois. A crise, porém, quando chega, destrói a vida de milhões e não tem solução que não passe pela destruição do capitalismo por meio de uma revolução, que, no leste europeu, tenha a tarefa de construir novamente Estados operários, mas, desta vez, que sejam controlados pelos trabalhadores, com democracia e o objetivo de internacionalizar a revolução rumo ao socialismo.
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