Tortura estatal nos EUA. Departamento de Justiça divulga relatório de torturas da CIA
Matar os filhos, estuprar a mãe, ser perfurado com uma furadeira e ser atingido por uma metralhadora. Essas são apenas algumas das ameaças sofridas pelos prisioneiros de guerra dos Estados Unidos, de acordo com relatório do Departamento de Justiça norteamericano, órgão do próprio Estado torturador.
A Central de Inteligência Norteamericana (CIA), famosa por financiar golpes militares na América Latina e por todo tipo de jogo sujo, como planos de assassinato e métodos terroristas, é a autora das torturas, promovidas principalmente contra presos do Iraque e Afeganistão, envolvidos em supostas acusações de terrorismo.
A CIA ou nega as acusações ou as reconhece, porém afirmando que não entendeu estar violando qualquer lei ao executar esse tipo de tortura, tanto física quanto psicologicamente. Chega a ser repulsivo, ver a CIA se fazer de desentendida.
O relatório, elaborado pelo Departamento de Justiça, foi divulgado na última semana de agosto, sendo que vinha sendo elaborado desde 2004, mas somente agora se tornou acessível à opinião pública. Se dependesse do governo Bush,e agora de Obama, o relatório teria sido engavetado, assim como se esconderam as fotos de tortura no Iraque, por ordem de Obama.
Leon Panetta, diretor da CIA, afirmou que isso - a tortura contra prisioneiros - trata-se de uma velha história, e que a agência apoiará os oficiais que fizeram o que seu país pedia.
Não se sabe onde está a informação mais absurda: na tortura, no reconhecimento da tortura como prática usual ou na defesa dos torturadores.
A democracia burguesa esconde uma ditadura de classe
Que prisioneiros, em geral, são torturados é de conhecimento público. E não somente pelo exército e órgãos dos Estados Unidos - quem não se lembra das denúncias de tortura dos haitianos contra as “forças de paz”, inclusive do Brasil, lá presentes?
A tortura, contra militantes ou civis, é prática comum por parte dos exércitos invasores!
Mas é chocante a cara-de-pau da CIA em defender esse tipo de escândalo. Em geral, os torturadores se constrangem quando flagrados, principalmente devido à opinião pública. Há a velha desculpa da “obediência devida” atribuindo a culpa ao superior, como no caso da ditadura argentina, e assim por diante. Os torturadores negam, se escondem, tentam justificar... Esses vermes, nem isso!
A postura e os argumentos da CIA, na verdade, só revelam a certeza da impunidade sentida pela instituição. A tortura tornou-se prática tão comum, quase que institucionalizada e legalizada, que sua proibição não passava de mera ficção. Os Estados Unidos, com Bush mais explicitamente, mas também com Obama, são uma aparente democracia, mas são um Estado terrorista, baseado numa ditadura de classe contra os trabalhadores.
O que rompeu com a lógica de permissividade diante da tortura, foi a resistência ao exército norteamericano no Oriente Médio, e a aversão à presença norte-americana em todas as partes do mundo, o que tem se tornado algo tão constrangedor ao governo dos EUA, que foi necessário que se tomasse uma atitude.
A maior potência imperialista do mundo, o coração do capitalismo, diante do governo de Barack Obama, precisa mostrar - ou aparentar - que está mudando. Que o que antes fazia de errado, agora será corrigido. Nada mais falso!
Um exemplo é Guatánamo - base militar construída com o intuito de promover a tortura de modo descarado e indiscriminado - que, até agora, apesar de todo o alarde de Obama, ainda não foi sepultada. É verdade que alguns de seus presos foram libertados, mas muitos ainda permanecem lá.
De tudo isso, os criminosos da CIA sairão impunes. Não se duvide que até mesmo promovidos. Pois, como disse seu próprio diretor, só fizeram o que o seu país pedia...
VOLTAR |