Mais uma! Guerrilha curda quer abandonar luta em troca de acordo traidor.
Líder máximo do PKK promete depor armas contra Estado turco assassino, se adaptando à democracia burguesa.
O principal dirigente do grupo separatista curdo PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), Murat Karayilan, afirmou à BBC que a organização pode abandonar a luta armada que já dura décadas contra o governo da Turquia, em troca, segundo ele, de “maior reconhecimento político e cultural para os curdos” no país. Esta proposta nada mais é do que uma rendição vergonhosa!
Concedendo a entrevista em um acampamento secreto na região do Curdistão iraquiano, Karayilan afirmou que pode ordenar que o grupo abandone as armas sob a supervisão das Nações Unidas, caso a Turquia aceite um acordo de cessar-fogo sob determinadas condições. As tais condições, porém, são só uma justificativa fraudulenta para tentar convencer a população curda de que um acordo “bom para as duas partes” está sendo feito.
Na verdade, o acordo será uma completa e traidora deposição de armas e abandono unilateral da luta, o que significa jogar fora toda a História do povo curdo e sua ainda massiva reivindicação de autodeterminação. Os curdos são um povo sem pátria, que habita tanto o norte do Iraque como o leste da Turquia, e há décadas luta pelo direito à liberdade e independência.
O PKK, que já foi produto desta luta progressiva, de caráter popular e com um programa de esquerda, hoje é mais um triste exemplo de guerrilha ou movimento surgido para luta e que acaba se rendendo ou traindo tudo o que sempre representou. Assim como o IRA na Irlanda, que recentemente também abriu mão da luta pela independência, democracia e reunificação dos irlandeses, se convertendo num braço de sustentação da monarquia imperialista inglesa, o PKK também pretende assumir cargos eletivos e desfrutar de aposentadorias confortáveis, ao invés de ter que sustentar uma luta justa, mas muito dura.
Considerado um grupo terrorista por Turquia, Estados Unidos e União Europeia, o PKK mantém uma guerra de guerrilha contra o governo turco há 26 anos, sendo que, quando luta, não fala apenas por si mesmo, e sim por uma população de dezenas de milhões de pessoas, que, apenas na Turquia, representam 20% da população.
Entre as “demandas” do grupo para abandonar a luta armada estão o fim dos ataques contra civis curdos e da prisão de políticos da etnia no leste da Turquia. O grupo também reivindica maiores direitos culturais e linguísticos aos curdos. "Se a questão curda for resolvida de maneira democrática, pelo diálogo, nós abandonaremos nossas armas", disse Karayilan.
As palavras da direção curda não deixam dúvidas: uma traição sem nenhuma conquista essencial em troca, e sem qualquer fato político que sequer a justifique. Recentemente, os curdos puderam se reorganizar a partir do Iraque, após o fim do regime de Saddam Hussein neste país, no qual eram perseguidos. Da mesma maneira, têm respaldo de massas de seu povo à bandeira da independência. Mas, agora, o PKK quer abandonar tudo em nome de “direitos culturais”. É uma vergonha!
Os trabalhadores devem rechaçar esta postura humilhante, do PKK se oferecer para um acordo praticamente de rendição. Os curdos precisam impor a sua principal organização que se mantenha combatendo, e que avance para a proclamação da independência.
Se o PKK realmente se recusar a levar adiante os anseios do povo curdo, isso não deve levar a uma derrota sem lutar. Neste caso, será necessário lutar contra o Estado turco, o imperialismo e esta organização também, que deverá ser tratada como mais um inimigo no caminho do Estado curdo.
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