Mulheres e AIDS: machismo contribui para a disseminação do vírus!
Na última terça-feira (11 de agosto), o Programa da ONU para o Combate à AIDS (UNAIDS), apresentou um relatório muitíssimo preocupante. Especialmente para as mulheres.
De acordo com o relatório, dos 1,7 milhões de mulheres portadoras do HIV na Ásia, 90% foram contaminadas pelos seus parceiros fixos, em relações supostamente monogâmicas, por homens que eram usuários de drogas injetáveis ou tinham relações sexuais “por fora”.
A estimativa do órgão é que cerca de 50 milhões de mulheres da Ásia correm o risco de se contaminar com o vírus por causa do comportamento sexual de seus maridos e namorados. Essa previsão segue o aumento no número de mulheres portadoras no continente. Em 1990, elas eram 17%. Hoje, são 35%.
Os sanitaristas também já avaliaram as causas. Em geral, são mulheres que, mesmo sabendo que o companheiro tem um comportamento sexual de risco, não conseguem fazê-lo usar preservativo (a conhecida camisinha). Seja pelo constrangimento em pedir, seja porque o homem -de fato- se recusa.
Mas engana-se quem pensa que este problema é algo distante de nós.
No Brasil, somente nos últimos 10 anos, a incidência de casos de Aids entre mulheres acima de 50 anos triplicou. Segundo o Ministério da Saúde, 72% das brasileiras nessa idade não usam camisinha com parceiros casuais e, ainda que 55,3% sejam sexualmente ativas, apenas 28% usam camisinha.
Realizada em setembro do ano passado, em Londres (Inglaterra), a conferência "Aids e HIV no Brasil e Caribe" diagnosticou que os novos casos de infecção pelo vírus da aids na região da América Latina afetam mais as mulheres.
Todos esses dados só mostram que a antiga definição dos homossexuais como “grupo de risco” é extremamente equivocada. Hoje, todos correm risco e, segundo as pesquisas, são as mulheres o lado mais vulnerável.
E isso pelos motivos já colocados acima. A sociedade machista na qual vivemos, além de ser permissiva quanto à poligamia masculina, reprime e constrange a mulher, principalmente no que diz respeito à sua sexualidade. A sexualidade feminina é colocada à serventia de vontades e desejos masculinos. Assim, se o homem se recusa a usar camisinha, a mulher tende a ceder.
A principal forma de proteger as mulheres, muito além do uso de preservativos, é acabar com o machismo e ter acesso à educação sexual de modo igual, para homens e mulheres. Mas, para acabar com o machismo e a opressão da mulher, é preciso acabar com o capitalismo e destruir sua ideologia opressora e preconceituosa.
VOLTAR |