Frente Popular junto com Igreja!
Presidente uruguaio veta descriminalização do aborto
O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, vetou na última sexta-feira -14 de novembro- o projeto aprovado pelo Parlamento de descriminalização parcial do aborto.
O projeto, que especificava a descriminalização para os primeiros três meses de gestação, em situações de risco de vida para a mãe e penúria econômica, foi rejeitado pelo presidente "em razões de ordem jurídica, científica e técnica; identidade filosófica e princípios éticos", conforme divulgado no site da presidência.
Para derrubar o veto presidencial, o Parlamento precisa de três quintos dos votos da Assembléia Geral -soma de senadores e deputados-. O veto foi enviado ao Parlamento no mesmo dia e será mantido caso o legislativo não se pronuncie em trinta dias.
Tabaré Vázquez, eleito como símbolo de mudança para a classe trabalhadora e para os movimentos sociais do país, deu, com essa atitude, uma prova da traição e contradição de seu governo. A começar que o projeto vetado é de autoria da sua própria bancada no governo.
Porém, enquanto presidente decidia de acordo com a Igreja Católica e o empresariado mais reacionário, virava as costas à classe trabalhadora e os setores mais oprimidos da sociedade - como as mulheres. Tabaré e a Frente Popular que representa agora são cúmplices do assassinato de milhares de mulheres, e são inimigos da classe trabalhadora e das mulheres do mundo inteiro.
A lei, chamada Lei de Defesa do Direito a Saúde Sexual e Reprodutiva, já apresentava sérias limitações, visto que o aborto deve ser um direito acessível a qualquer mulher, dependendo somente de sua escolha. O Estado, que não oferece condições reais para que a mulher crie e sustente seu filho, não pode puni-la por optar não ter esse filho sob certas circunstâncias. Segundo a lei, haveria uma série de restrições e obstáculos para que, realmente, se pudesse ter o direito ao aborto.
Considerando que é aos patrões exploradores e à igreja conservadora que interessa o controle do corpo da mulher e a sua alienação, o presidente uruguaio se alia a eles e serve aos seus interesses ao vetar a descriminalização do aborto. Deixa, assim, ainda mais claro o caráter capitalista, burguês e reacionário de seu governo.
Assim como a ex-candidata à presidência do Brasil, Heloísa Helena (PSOL), Tabaré prova que a esquerda eleitoreira e reformista não é capaz de ser diferente da direita mais obscurantista. Tabaré, Heloísa e outros falsos progressistas defendem uma moral cristã, que fecha os olhos para mulheres violentadas, agredidas em casa, agredidas e que recebem menores salários que os homens. A moral privada destes indivíduos pauta sua postura política, submetida aos interesses de classe dos patrões.
Diante disso, não resta alternativa senão mobilizar a classe trabalhadora uruguaia, em especial os setores oprimidos como as mulheres, em unidade com os trabalhadores de todo o mundo, contra a reação assassina e inimiga da ciência e da liberdade, promovida pelo governo Tabaré Vázquez e a falsa esquerda no poder. Só a organização e a luta pelo socialismo podem mudar a situação da mulher em todos os seus aspectos. Imediatamente, porém, é preciso lutar pela legalização urgente do direito ao aborto e pela derrota da aliança da Frente Popular, Igreja e conservadores no Uruguai.
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