Primeiro-ministro do Zimbábue é ferido e sua esposa é morta em possível atentado que mostra o caos do país
Na primeira semana de março, no dia 6, a esposa do premiê do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, Susan, morreu em um suposto acidente de carro, com características de atentado, em que seu marido ficou ferido.
Quando o casal e um colaborador do governo seguiam para a cidade de Buhera, onde Tsvangirai participaria de uma reunião, o carro foi atingido em cheio por um caminhão, pertencente a um prestador de serviços contratado pelos governos britânico e norte-americano. Susan morreu na hora. Apesar das evidências, porém, o próprio Tsvangirai tentou mediar a situação e declarou que não acreditava se tratar de um atentado político.
O “acidente” ocorreu três semanas após Tsvangirai tomar posse como primeiro-ministro no governo presidido por seu antigo adversário, Robert Mugabe. Chamar Mugabe de presidente, aliás, é uma farsa, porque nunca houve eleições limpas ou minimamente democráticas em suas reeleições, mesmo para os padrões de corrupção e cartas marcadas da democracia burguesa. Mugabe é um ditador que comanda o Zimbábue desde 1980 e nas últimas eleições presidenciais, em 2008, após denúncias de fraude e perseguições da oposição, com ameaças da comunidade internacional para que renunciasse, ainda assim ele “empossou-se” por mais um mandato.
A postura de Tsvangiari (que ganharia a eleição de 2008, mas foi roubado) e da oposição dirigida por ele foi, primeiramente, de silêncio e, depois, de compor o governo juntamente com Mugabe, ditador, assassino e corrupto. A realidade é que há muita insatisfação contra Mugabe e lutas sangrentas para derrubar sua ditadura, mas Tsvangiari é mais do mesmo. Tsvangiari é, inclusive, o aliado principal dos Estados Unidos na região. Por isso, ele expressou a possibilidade de vitória da oposição, e muitas ilusões se criaram em cima dele, mas ele nunca foi capaz de representar nenhuma alternativa a Mugabe.
Mugabe foi visitar Tsvangirai no hospital, enquanto este se recuperava do acidente. Ainda assim, as especulações de que se tratou de um atentado político não param de aumentar. A história recente de Mugabe e seu governo, bem como a dos Estados Unidos e Inglaterra quando interferem em outros governos, coloca a possibilidade de que tenha se tratado de um atentado político como quase certa.
O secretário-geral do partido de Tsvangirai, Tendai Biti, do Movimento para a Mudança Democrática (MDC-T), declarou que o normal, nesse tipo de ocasião, seria que o governo fornecesse ao premiê uma escolta policial, para alertar aos outros veículos de sua passagem. Mas não foi o que aconteceu, e a consequência foi a morte de Susan Tsvangirai, mas a chance de que mais alguém morresse era muito alta. Tsvangiari não ter denunciado um evidente atentado contra si mesmo e sua mulher é a prova da covardia das oposições burguesas, que brigam muito em assuntos superficiais, mas estão de mãos dadas quando se trata de explorar os trabalhadores.
Zimbábue em meio ao caos!
Enquanto prosseguem as disputas de frações burgueses no país, a epidemia de cólera segue dizimando a população. O Zimbábue encontra-se numa calamidade social, com milhões de refugiados, miseraveis, desnutridos e doentes de todo tipo. Somente a cólera já causou mais de 80 mil vítimas, das quais 3759 morreram até o final de fevereiro deste ano.
Como se não bastasse a cólera, a inflação tem matado muito mais gente. A desvalorização acelerada da sua moeda, os dólares zimbabuanos, chegou ao fato esdrúxulo de haver notas de até 100 trilhões. O processo de hiperinflação que assola o país faz com que se estime que, em 2008, o custo de vida tenha alcançado a casa dos 89,7 sextilhões por cento!
O contraste com os demais países do mundo se torna evidente quando se percebe que a segunda maior inflação anual em 2008 – na Etiópia – foi de 41%. No Zimbábue, o tempo estimado para que os preços dobrem é de 24,7 horas, um aumento diário de 98%
O Eles são todos iguais. É preciso lutar contra Mugabe e Tsvangirai.
Ainda que Tsvangirai não represente nenhuma ameaça ao projeto de Mugabe e do imperialismo para a região, a sua participação no governo veio no sentido de acalmar a massa enfurecida que tentava derrubar Mugabe e construir outro governo. Como Tsvangirai representava, na consciência da maioria da população, essa chance de mudança, era nele que se apostavam todas as fichas.
Por isso, o próprio Tsvangirai tem responsabilidade no ocorrido. A sua atuação durante o processo de luta no Zimbábue, onde as massas saíram as ruas para lutar contra a ditadura de Mugabe, chegando perto de derrubá-lo, transformou o líder da oposição democrática no principal responsável pela manutenção de Mugabe no poder. Foram Tsvangirai e o MDC-T que pediram para que as massas acalmassem sua luta, esperassem o resultado da eleição e o acatassem. Depois, quando a população saiu às ruas para lutar contra a fraude no processo eleitoral, novamente Tsvangirai pediu que as massas aceitassem o governo de Mugabe pois dessa vez ele próprio e o MDC-T fariam parte do governo, com diversos cargos.
A partir do momento em que traiu a luta dos trabalhadores do Zimbábue e se aliou à ditadura, Tsvangirai e o MDC-T não só ajudaram Mugabe a perpetuar sua ditadura no Zimbábue, acabando com a mobilização das massas e pedindo que elas confiem na ditadura, como também se converteram em membros da ditadura, se subordinando a sua política e também seus métodos. Se foi vítima de um atentado, o principal responsável é o próprio Tsvangirai, que permitiu que Mugabe seguisse no poder, acabando com a luta das massas, única força que poderia derrotá-lo, e com isso assinou seu consentimento não só para que o ditador seguisse submetendo os trabalhadores a sua ditadura, como também se colocou como um subordinado de Mugabe e de seus métodos, como a perseguição política e o assassinato de seus opositores ou questionadores.
A traição da luta dos trabalhadores não deixou apenas a população à mercê de Mugabe, como também deixou o MDC-T e Tsvangirai reféns e cúmplices do ditador. Nessa história toda somente o Imperialismo e a ditadura saíram ganhando. Por isso os trabalhadores precisam voltar a lutar, contra Mugabe, o Imperialismo e, também contra o MDC-T e Tsvangirai, pois todos são cúmplices não exploração e massacre do povo do Zimbábue. Apenas com a mobilização e organização da classe trabalhadora será capaz de derrotar o Imperialismo, a ditadura e a oposição democrática cúmplice de Mugabe.
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