Zimbábue: Abaixo o governo de Robert Mugabe! Por um governo dos trabalhadores!
Desde março o mundo tem assistido uma onda de mobilizações e de violência no Zimbábue. Este conflito se agravou nas eleições presidenciais que ocorreram em março, com denuncias de fraude. O governo tem financiado a violência e a repressão contra a população que, nas urnas, se opôs à reeleição do presidente e ditador Robert Mugabe.
O pleito foi marcado por uma baixíssima participação da população, o que expressa uma enorme desconfiança no processo eleitoral. No primeiro turno o vencedor das eleições foi o opositor Morgan Tsvangirai. A partir disso, uma onda de violência e repressão sacudiu as províncias onde o candidato foi o mais votado. Este fato fez com que Tsvangirai desistisse de sua candidatura, por avaliar que não haviam condições de segurança para seguir na disputa. Mesmo com a desistência do opositor, Mugabe chamou as eleições para o dia 26 de junho. Mugabe, de 84 anos, que está no poder desde 1980, orquestrou uma campanha violenta, com pelo menos 90 partidários da oposição assassinados e outros 200 mil desalojados.
Segundo informações, grande parte dos eleitores votaram a força. Na capital Harare, a abstenção foi alta ; nas zonas rurais, as pessoas foram recolhidas por ônibus fretados pelo partido no poder (Zanu-PF) e tinham que mostrar as cédulas antes de colocá-las na urna. O líder da oposição se encontra asilado na embaixada da Holanda, em Harare, por medida de segurança.
O caso do Zimbábue está inserido num contexto onde alguns poucos países ainda governam a partir dos métodos da ditadura, do autoritarismo explícito, da proibição às liberdades democráticas da população e da repressão violenta de todo movimento de oposição ao regime. Nesse período histórico, esses governos se sustentam a partir de um discurso nacionalista e de enfrentamento com o imperialismo Ianque. Essa política se sustenta porque muitas vezes o imperialismo ocupa militarmente países com a bandeira da democracia, como ocorreu na ocupação do Iraque e Afeganistão.
Ou seja, diferente das décadas de 60 e 70, onde o imperialismo norte-americano financiava os golpes militares de cunho fascista mundo a fora para derrotar o movimento operário, hoje, o mesmo imperialismo, levanta a bandeira da democracia contra os governos ditatoriais.
Apesar disso, é preciso analisa concretamente a realidade do Zimbábue e de cada país onde ocorre esse fenômeno político. Do ponto de vista social, o governo de Mugabe e a oposição de Tsvangirai representam a mesma política de permitir que o imperialismo continue explorando a mão-de-obra dos trabalhadores e do povo pobre de seu país. Porém, quando os trabalhadores e o povo de Zimbábue lutam por democracia, contra Mugabe, fazem isso como forma de expressar que precisam mudar de vida, e que estão insatisfeitos com o regime atual. Mesmo que o imperialismo tente se apropriar da luta por democracia das massas, nós apoiamos essa luta contra os governos nacionalistas e ditatoriais, e dizemos que a única forma de varrer os planos econômicos do imperialismo das regiões pobres do mundo é, em primeiro lugar, lutando contra os governos burgueses que permitem que as multinacionais explorem suas riquezas e, em segundo lugar, mas não menos importante, lutando contra a tentativa do imperialismo de aumentar seu controle sobre a região através de um governo democrático e fantoche.
Pelo fim da violência e da perseguição contra os ativistas de oposição à Mugabe.
Por eleições limpas e democráticas no Zimbábue.
Pelo direito democrático para a oposição.
Contra a democracia burguesa do imperialismo: Tsvangirai não é alternativa.
Construir e fortalecer organizações independentes dos trabalhadores e do povo do Zimbábue.
Por um governo socialista dos trabalhadores e dos povos do Zimbábue, apoiado nos organismos democráticos do povo.