Situação e oposição fazem acordo no Zimbábue para garantir governabilidade, mais exploração e mais opressão
As últimas semanas foram marcadas por um acordo feito entre situação e “oposição” no Zimbábue.
Com o intuito de estabilizar a situação do país africano, o presidente Robert Mugabe “dividirá” o poder com Morgan Tsvangirai, o novo Primeiro-Ministro.
As eleições no Zimbábue, cujo primeiro turno foi realizado em 27 de março e o segundo em 27 de junho, foram tomadas por fraudes, ameaças e críticas da comunidade internacional. A começar que o presidente eleito, Robert Mugabe (União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica -Zanu/PF-) perdeu a disputa do primeiro turno e, no segundo, apresentou-se sozinho, quando da renúncia de Morgan Tsvangirai (Movimento para a Mudança Democrática -MDC-), que acusou milícias de Mugabe de perseguirem e assassinarem simpatizantes seus.
O Zimbábue possui um índice de desemprego de 80% e uma inflação de 11.000.000%, mas isso parece não importar mais para a oposição, assim como as práticas adotadas pela situação para manter-se no poder desde a independência do Reino Unido, em 1980.
Essa coalizão entre situação e “oposição” para um novo governo é resultado da mediação feita pelo presidente sul-africano, Thabo Mbeki, que afirma que “o acordo foi feito no Zimbábue, foi feito por zimbabuanos, e o resto do mundo precisa respeitar que o povo do Zimbábue tomou uma decisão sobre seu país”. Engraçado que esse acordão não parece ter qualquer participação do “povo zimbabuano”, e sim dos políticos que simplesmente deixaram de lado suas diferenças para melhor distribuírem o poder entre si e seguirem explorando os trabalhadores do país.
A perseguição feita contra os opositores de Mugabe não deixou de existir, assim como as torturas, mutilações e assassinatos. A miséria na qual a imensa maioria da população vive também não diminuiu em absolutamente nada. Ou seja, não há nenhum motivo para que essa oposição de mentirinha alie-se à situação, fora o desejo de assumir o poder a qualquer custo, sem qualquer princípio e comprometimento com os explorados e oprimidos do país.
Esse tipo de situação só nos leva a ter mais certeza do quão fracassados são os projetos de organizações puramente eleitorais, ainda que prometam mil e uma mudanças. Comprovam que mudanças de verdade, na essência da vida das pessoas -como saúde, educação, alimentação- não podem mais ser conquistadas em uma simples eleição, votando em políticos que prometem isso. Eles nunca cumprem, pois se aliam a qualquer um, na busca de satisfazer mais os seus interesses pessoais do que cumprir aquilo para o qual foram eleitos.
Os trabalhadores do Zimbábue já disseram “não” a Mugabe nas eleições, e é a postura traidora da oposição de Tsvangirai que agora permite que a situação siga no poder, explorando e oprimindo esses trabalhadores.
A classe trabalhadora precisa de uma direção revolucionária, comprometida com a derrubada do capitalismo e de todos os seus capachos, para expulsar de vez a situação corrupta e assassina, assim como a oposição traidora.