Epidemia de Cólera toma conta do Zimbábue e agrava situação do país
A crise política e econômica no Zimbábue está tomando novas proporções. Uma epidemia de cólera já matou 565 pessoas, tendo registrado recentemente mais de 12 mil casos. A situação precária na qual vive o país, assolado pela miséria e pela corrupção, é a grande responsável pelo caos.
Os hospitais do país não estão funcionando, mesmo clínicas menores, devido à falta de mantimentos e de profissionais - que estão em greve por melhores salários e condições de trabalho-. Nos últimos dias, somaram-se a esses protestos soldados que não haviam recebido seus salários e trabalhadores reclamando as perdas, a miséria e os prejuízos decorrentes da crise econômica.
O Zimbábue registra, por ano, uma inflação de 231.000.000%. O dinheiro que as pessoas podem retirar no banco possui um limite que mal paga a passagem de ônibus. Ou seja, o governo de coalizão que se formou meses atrás, através de um acordo entre situação (Robert Mugabe) e oposição (Morgan Tsvangirai), depois de muito enfrentamento e mortes, acabou não resolvendo minimamente os problemas da população, fazendo com que alguns, inclusive, se agravassem. O desemprego, por exemplo, já chega aos 90%.
A disseminação da cólera está sendo facilitada devido à falta de água potável no país, contribuindo para isso o fato de que o Rio Limpopo, situado na fronteira entre o Zimbabue e a África do Sul, está contaminado. Assim, combinando-se o alastramento da doença e a falta de cuidados médicos, o resultado não poderia ser muito diferente.
A epidemia de cólera que toma conta do Zimbábue, e já possui casos registrados na Botsuana e na África do Sul, é nada mais que uma trágica conseqüência da corrupção no governo, de uma oposição de fachada que fez acordos para ter cargos e da pobreza excessiva da população. Os trabalhadores e desempregados, que viam na oposição de Tsvangirai uma alternativa ao ditador Mugabe (que controla o país desde a década de 80), estão abandonados.
As greves e mobilizações seguem sendo a maneira de obter do governo verbas para a saúde, investimento nos hospitais e melhor remuneração para seus profissionais. Mas a luta não pode acabar por aí: o desemprego, a falta de estrutura nas cidades, o descaso com a educação, seguem sendo problemas que só tendem a se agravar com o governo burguês de Mugabe e sua oposição de mentirinha.
Com o agravamento da situação no país, os EUA, que pretendem aumentar sua influencia política e econômica na região, e que já apoiava anteriormente a oposição “democrática” de Tsvangirai, agora aumenta o tom de seu discurso contra Mugabe, exigindo sua renuncia. Entretanto, a derrota de Mugabe não deve se dar sob pressão do imperialismo e sim diante da luta das massas trabalhadoras e miseráveis do país. Tampouco, o que deve substituir o atual governo de coalizão deve ser um governo “puro” de Tsvangirai, e sim um governo dos trabalhadores e do povo de Zimbábue.