O Dilema da Conlutas
De 3 a 6 de Julho, ocorreu em Betim – Minas Gerais – o congresso da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas). Neste congresso estiveram presentes nas discussões sempre em torno de 2000 pessoas, tendo havido mais de 3 mil credenciados, entre delegados e observadores. Apesar do público bem inferior ao esperado e menor até mesmo em relação ao congresso de fundação da Conlutas em 2005, que superou as 5 mil pessoas, o debate realizado e a representatividade de entidades demonstraram a força da Conlutas.
Foram discutidos temas centrais de conjuntura política, estrutura sindical, organização da Conlutas e seu papel nas eleições municipais, por exemplo. O Movimento Revolucionário reivindica este congresso como mais um passo no sentido de avançar na construção de uma alternativa de direção aos milhões de trabalhadores explorados do Brasil e do mundo.
Apesar de correntes do PSOL (MES e MTL) terem se retirado da Conlutas, e do número menor de participantes, seguimos entendendo que somente a Conlutas, hoje, pode se constituir no instrumento de luta que unifique os trabalhadores organizados e desorganizados, os estudantes e o conjunto da população pobre contra o governo Lula, o Congresso nacional e o capitalismo como um todo.
Nem se isolar, nem se entregar
Neste congresso se expressaram diferentes compreensões acerca da luta que se está travando no Brasil. Diante da crise econômica e estrutural do capitalismo, as organizações que compõe o PSOL, como MES e MTL, viraram as costas aos trabalhadores, escolhendo a campanha eleitoral a vereador como sua prioridade. A CST, AS, etc., também do PSOL, seguem na Conlutas, mas para criticar apenas elementos do governo Lula e serem a linha de frente dos que querem acabar com a Conlutas, a partir de fundir-se com a Intersindical.
Como direção majoritária, o PSTU oscila entre uma postura combativa, de colocar a Conlutas nas trincheiras das lutas em muitos locais, com um papel bem diferente em outros lugares. É do PSTU que nascem exemplos lamentáveis, onde não só a Conlutas tem seu programa esquecido, como os acordões para ganhar sindicato chegam ao ponto de apoiar chapas da CUT, como nos trabalhadores em educação do RS. O PSTU tem feito de tudo para aproximar os setores mais oportunistas e burocráticos do movimento, seja os que compunham a direita da Conlutas (e a abandonaram, apesar do PSTU correr atrás), seja da Intersindical, seja da própria CUT.
O resultado desta política desastrosa é que se rebaixa o programa da Conlutas. Esse rebaixamento e abandono de parte do programa não aparece nas cartas internas entre militantes, nem nas resoluções de Congresso, para militantes verem. Mas se rebaixa a política do dia-a-dia, nos panfletos para eleições sindicais, de convocatória de atos, etc.
O último exemplo foi o fato de o PSTU ter aceito a chantagem do MES/PSOL, e ter retirado a polêmica sobre Frentes Populares da América Latina da pauta do Encontro Latino Americano e Caribenho, realizado após o Congresso da Conlutas. No Congresso, propriamente dito, por defesa do PSTU, a Conlutas também não votou uma política sobre o governo Chávez, capitulando aos chavistas e eleitoralistas do PSOL.
Ainda existiram posições da ultra-esquerda, conhecidas por seu tom folclórico e afastado da realidade. As teses deste campo raramente se preocuparam em, a partir da realidade da disputa contra os erros da direção da Conlutas, tentar dialogar com a base que segue esta direção. Para a ultra-esquerda, basta estarem certos e não interessa provar isso através de palavras de ordem, agitação e propaganda que convençam disso. Para a ultra-esquerda, a partir do fato de a direção da Conlutas estar conduzindo a entidade a um caminho oportunista e de fragilização, o que também achamos, basta denunciar os dirigentes.
Aliar-se a quem é aliado
Portanto, a direção da Conlutas e seus aliados mais à direita (PSOL) abrem mão de lutar por necessidades dos trabalhadores, com o argumento de "crescer", "unificar" e "somar". A ultra-esquerda não consegue responder a este erro, pois se recusa a lutar unificadamente em qualquer circunstância, além de tratar como inimigo a ser denunciado o militante que erra e defende a linha oportunista da direção da Conlutas.
Nós entendemos que é preciso reafirmar os acertos da Conlutas até agora, bem como construir toda a unidade entre os que querem lutar com um programa que seja realmente dos trabalhadores. Esta unidade deve acontecer nas ruas, nos atos e, eventualmente, na formação de chapas comuns para as entidades. Não pode ser, porém, que se defina que a unidade é boa por si mesma, simplesmente por somar.
Essa é a lógica do oportunista, para quem o conteúdo é secundário. É a lógica do PT quando se aliou com o PL, ou do PSOL quando se alia com o PV. Estes partidos dizem: "a contradição é deles" e se misturam aos inimigos, despreocupadamente.
Para os trabalhadores que lutam, porém, é inadmissível entrar em chapas da CUT, como fez o PSTU no Rio Grande do Sul. Assim como é inadmissível ficar à espera da Intersindical, que em bancários está traindo os trabalhadores junto com os fura greves da CUT. A Intersindical é inimiga dos bancários e não soma nada, só enfraquece e conspira contra os trabalhadores da categoria. Assim age em muitas outras lutas...
Por um programa de ruptura com o capitalismo
O Movimento Revolucionário apresentou neste Congresso, como vem sendo nossa prática política permanente, o programa revolucionário sustentado pelo método revolucionário e a política revolucionária. A classe trabalhadora internacionalmente já dá mostras de sua força crescente e as mobilizações se sucedem, uma atrás das outras. Vivemos uma situação revolucionária em muitas partes do mundo, e, mesmo no Brasil, onde isto está mais atrás, a luta de classes está ascendendo. O que falta é justamente uma direção coerente com o programa de ruptura pelo qual a massa luta, em conteúdo, ainda que inconscientemente.
A Conlutas pode destravar muito dessa insatisfação se der a si mesma, a orientação de generalizar as lutas e assumir um papel de maior enfrentamento e radicalização. Se impulsionar a luta direta e a agitação anti-regime democrático burguês, de que eleições não mudam nada... Para isso, a Conlutas precisa de uma nova direção.
Os trabalhadores precisam de uma nova direção, revolucionária, que cotidianamente construa a Conlutas desde a base, de cada empresa, escola e bairro. Que secundarize a discussão com as correntes eleitorais e priorize o debate com os milhões de desorganizados. E que não abra mão de nada de seu programa, que deve avançar ainda mais e ser fortalecido.
Venha para o Movimento Revolucionário
O Movimento Revolucionário é a alternativa para quem defende este programa. A classe trabalhadora e os explorados em geral precisam de uma organização que represente o conjunto de seus interesses. A participação em sindicatos, grêmios estudantis, centro acadêmicos ou associações de bairro não é suficiente para derrubar todo o sistema que gera a exploração e a injustiça atuais. É preciso um partido, centralizado democraticamente, disciplinado, revolucionário e para ação, que organize as lutas dos explorados junto do programa socialista.
O Movimento Revolucionário se coloca à disposição daqueles que querem construir um futuro socialista, e que desejam militar para destruir o capitalismo, suas instituições e desmascarar as eleições burguesas. Para quem quer lutar sem tréguas pelo socialismo e pela revolução: venha que o partido é teu!
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