Termina vitoriosa ocupação da Reitoria da UNB:
Quais as lições que ficam desta luta?
A ocupação da reitoria da UNB foi, sem dúvida, um dos principais fatos da luta de classes nestas últimas semanas no Brasil, junto com a greve de Correios. Diante das reformas que o governo Lula está aplicando, reforma da previdência, trabalhista, sindical e universitária, fica demonstrada a necessidade da classe trabalhadora e dos estudantes em fortalecer a luta contra o governo Lula e seus agentes.
A vitória da ocupação da reitoria da UNB, com a renúncia do reitor Timothy e do vice-reitor Mamiya, mostrou a força do movimento e, obrigou o novo reitor interino, Ricardo Aguiar, a comprometer-se em realizar eleições diretas e paritárias para reitor, onde o voto dos estudantes, servidores e professores terão o mesmo peso, além de garantir que não irá punir nenhum estudante que tenha participado do movimento de ocupação, incluindo a retirada do processo contra o Diretório Central de Estudantes (DCE) que previa multa de R$ 5 mil por dia de ocupação, e por fim assegurou que não irá implementar o REUNI sem que haja um amplo debate com a comunidade acadêmica.
As lições da Ocupação da UNB:
As eleições não mudam nada! Só a luta muda a vida!
A luta vitoriosa dos estudantes da UNB serve como mais um exemplo do caminho e do método pelo qual os trabalhadores devem organizar sua luta, e com isso nos deixa duas lições importantes:
A primeira delas é a reafirmação do método da luta direta como o único responsável pela transformação social. Não foi por pressão parlamentar, pela intervenção de algum vereador, deputado ou oportunista de qualquer âmbito que se encaminhou a luta. Foi o método da ocupação, da resistência e, inclusive, do enfrentamento físico que permitiram a vitória dos estudantes, ainda que parcial, já que ainda se pode arrancar mais, e que a luta continua.
A ocupação é um método particularmente correto porque coloca, em questões práticas, o questionamento sobre de quem é o poder na universidade, neste caso. Se é de um reitor, eleito de forma indireta e membro da burocracia acadêmica, submetida aos interesses das multinacionais, empresas e do governo neoliberal de Lula; ou se são os que trabalham e estudam na universidade os que devem decidir seus rumos.
Com a luta vitoriosa da ocupação da reitoria da UNB, ganha força a política de se exigir uma universidade dos trabalhadores, onde seja a maioria da população, os estudantes negros, a juventude pobre, as mulheres que não podem estudar porque não têm creches à disposição, os desempregados, os trabalhadores em geral, que devem exercer o poder sobre a universidade, seu currículo, seu orçamento e determinações.
A 2ª grande lição é a de que começa a mudar a correlação de forças no Brasil. A recente greve nacional dos trabalhadores de Correios e a ocupação da UNB colocaram o governo Lula na defensiva. Ao mesmo tempo em que Lula aumenta sua popularidade à custa do assistencialismo e apoio tácito da própria oposição e da mídia, que acobertam a corrupção e a verdadeira realidade de aumento de preços e do custo de vida do trabalhador, as lutas mostra o outro lado desta moeda.
A ocupação da UNB mostra que Lula não é capaz de manter universidades públicas com os cortes de recursos que vem implementado, da mesma maneira que não pode reajustar o salário dos funcionários de empresas públicas, como os de Correios, e da mesma forma que deixa a saúde num estado caótico, à mercê de epidemias e mortes para todo lado.
A luta dos estudantes da UNB, assim como a greve dos trabalhadores de correios, deve servir de exemplo e motivação para o conjunto da classe trabalhadora. Para que estas sejam as primeiras lutas de um número cada vez maior, que devem se generalizar e construir fortes manifestações que derrotem Lula e ponham abaixo o Congresso corrupto. Esta luta deve ser o início do despertar da unidade entre estudantes e trabalhadores por outro tipo de sociedade, por uma revolução socialista e pelo governo dos explorados sobre si próprios, e sobre o país.