Publicado em 11/08/2010

2 encontros em bancários, 2 pautas e 2 lados completamente diferentes. Oposição Bancária e governistas da Contraf/CUT votam campanhas opostas para a luta de 2010

No mesmo final de semana de 24 e 25 de Julho, na mesma cidade, o Rio de Janeiro, realizaram-se dois encontros ao mesmo tempo semelhantes e completamente opostos. Mesmo que igualmente fossem de bancários e servissem para deliberar quais as estratégias da campanha salarial deste ano, um dos encontros era a expressão do velho, da falta de democracia e da traição que acompanha as greves bancárias há muito tempo; o outro, da Oposição bancária, era a tentativa de discutir pela base uma saída de luta e combativa.

Na Conferência Nacional da Contraf/CUT, foi votada uma lista de reivindicações que não tem nenhuma chance de ser levada a sério pelas correntes políticas que lá estavam. Questões como a isonomia entre antigos e novos funcionários, concurso público para aumentar os quadros funcionais, fim das terceirizações e privatizações, são assuntos esquecidos no dia-a-dia dos burocratas e governistas desta confederação. O coroamento do oportunismo destes grupos, porém, foi a definição de um pedido de reajuste salarial de 11% este ano.

Este índice não representa nem sequer uma tímida iniciativa de repor as perdas acumuladas em mais de 80% no Banco do Brasil (BB) e 90% na Caixa Econômica Federal (CEF).

O Encontro Nacional do MNOB, ao contrário, deliberou por lutar pela reposição destas perdas, exigindo 24% já, que representa o valor da desvalorização salarial dos bancos privados, pelo menos. Também apontou-se a necessidade de estender a licença-maternidade de modo automático e sem renúncia fiscal para 6 meses, evitando as pressões para que as mulheres “escolham” se licenciar só 4 meses, para não perderem seus empregos. O encontro ainda se comprometeu com a luta efetiva pela isonomia, PLR linear, fim dos ataques do governo Lula e concurso já.

Estiveram inscritas 3 teses distintas neste encontro, que expressavam diferentes avaliações especialmente sobre a situação da própria oposição bancária, e sobre as políticas a serem desenvolvidas pelos trabalhadores.

Contraf/CUT é inimiga dos trabalhadores

A postura dos governistas em aprovar um índice tão baixo, de 11%, não é por acaso. Além do reajuste de conveniência para a patronal, todas as demais campanhas, por exemplo contra o PFG e a reestruturação na CEF (ataques de Lula que reduzem salário), pelo plano odontológico do BB, pela isonomia, etc., não são tratados a sério pela Contraf.

E não é apenas a Articulação/PT, como corrente majoritária, que é responsável por esta traição. Correntes como a CTB/PCdoB, que defendeu 15% e a DS/PT, que defendeu 20%, na prática, fazem a mesma coisa. Esses índices são apenas uma manobra, que visa sinalizar a suas bases, como a Bahia e o Rio Grande do Sul, de que estas correntes são diferentes da direção da Contraf.

Mas a máscara cai quando, recém acabada a Conferência Nacional, estes grupos, servilmente, aderem à proposta unitária dos outros pelegos. No frigir dos ovos, constata-se que eles são todos iguais. 

Os erros do MNOB e a necessidade de lutar ainda mais pela base, contra o governismo

Outra vez, ficou explícito que os bancários, apesar de sua grande disposição de luta, vide os 32 dias de greve na CEF e 33 dias no BNB em 2009, ainda carecem de uma direção à altura de suas necessidades e experiência política.

Após 8 anos de governo Lula, o sindicalismo bancário ainda é predominantemente pelego e governista, e isso leva a que a mesa de negociação seja formada por compadres de lado a  lado, que em nenhum momento se preocupam com o trabalhador.

O MNOB surgiu para ser não apenas uma alternativa a isso tudo, mas para ser o oposto disso. Por isso, rompeu-se com os fóruns viciados e antidemocráticos da Contraf/CUT, e se organizaram encontros, mesas e pautas alternativas e de luta. Este era o motivo de se ter criado o MNOB. Para atuar ao contrário do que parte da “oposição” dizia, de que ainda era preciso sustentar a Contraf, legitimando seus golpes e traições com o pretexto de “disputá-la”.

Mas, infelizmente, o MNOB mudou sua política, e agora faz o que antes criticava nestes grupos.

A tese apresentada pelo Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte, SEEB-RN, e pelo Movimento Revolucionário, conquistou avanços durante o encontro do MNOB, mas, no geral, foi derrotada internamente pela tese do grupo que hoje é quem dirige esta organização, o PSTU.

Por conta dessa tese, e dessa direção atual do MNOB, importantes marcos de nosso movimento estão sendo abandonados ou revistos. Assim, 2 grandes equívocos foram aprovados neste encontro:

     a) a autorização de que se possa retornar aos fóruns da Contraf/CUT, incluindo sua Conferência Nacional, o que representará, no caso disso acontecer, quase um desmonte do MNOB;

     b) a submissão inacreditável de nossa pauta a algum eventual “aliado” que, no caso de defender algo intermediário entre a Articulação e nossa pauta, teria nosso apoio e adesão, significando o abandono de uma pauta realmente de oposição.

Por fim, a falta de democracia e respeito por todas as posições que compõe o MNOB fez mais uma baixa. Mais um grupo, dos poucos que restaram no MNOB, acabou se retirando destas organização, contra a burocratização da direção do PSTU.

A necessidade de seguir em frente

O Movimento Revolucionário, contudo, mantém sua convicção de que só é possível obter conquistas e derrotar os ataques que sofremos hoje se construirmos uma nova direção para o movimento bancário, que seja de luta, antigovernista, democrática e organizada desde a base.

O MNOB ainda é a única ferramenta capaz de levar adiante este processo, apesar de seus erros, porque ainda é formado por ativistas e lutadores, ao contrário da Contraf, que se vendeu ao governo, entregando nossas campanhas salariais ano após ano.

Agora, em conjunto com os sindicatos do Rio Grande do Norte, Maranhão e Bauru, e inúmeras oposições no país, levaremos adiante uma forte campanha que coloque o governo Lula e os banqueiros contra a parede, mostrando que a base e a luta são mais fortes que tudo.

A campanha está recém começando. É hora de nos organizarmos ainda mais e sairmos à luta!

 

 

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