Publicado em 16/11/2011

Banrisul: pior salário bancário do Brasil e um dos maiores crescimentos de lucro!

O Banco do Estado do Rio Grande do Sul – Banrisul – é um dos pouquíssimos remanescentes estaduais que restaram sob o controle majoritário estatal no Brasil, após o vendaval privatista especialmente dos anos 90. Entre os bancos estaduais, é o maior que restou e figura como 8º maior banco no Brasil, somente atrás dos gigantes nacionais e multinacionais.

Esta realidade favorável de ter sobrevivido, porém, não passou incólume. Ainda durante o governo FHC, que através do Proes e Proer, respectivamente, federalizou/privatizou os bancos estaduais e despejou bilhões nos bancos privados, o Banrisul foi completamente sucateado. Não foi vendido, mas foi preparado para sê-lo, sendo transformado num banco precário, ineficiente e que cada vez menos tinha motivos para ser defendido pela população.

Neste processo de desmonte, governos como o de Antônio Britto (PMDB), de Olívio Dutra (PT) e de Germano Rigotto( PMDB) aceleraram a “privatização branca” do banco, que cada vez mais se moldou à lógica do mercado. Foram quase 10 anos sem concurso e arrocho salarial profundo, sendo que os piores anos foram 1999 e 2000, sob o governo do PT, em que sequer o reajuste da Fenaban foi concedido, por responsabilidade do sindicato da DS/PT/CUT, que traiu a categoria para defender “seu governo” e os “reajustes zero”.

Neste tempo todo, instalaram-se os ONs (Operadores de Negócio), que trabalham como os gerentes dos outros bancos, mas ganham como os escriturários destes mesmos bancos. Também se promoveu a competição entre agências e entre empregados como nunca antes tinha ocorrido, acenando com remunerações variáveis (RVs 1, 2 e 3) para tentar melhorar um pouco o que, a esta altura, já eram os piores salários entre todos os bancos.

Quando Yeda Crusius (PSDB) assumiu, a pá de cal foi colocada sobre o caráter público do banco, vendendo a maioria das ações preferenciais (PN) ao capital privado, em especial estrangeiro, e 49% inclusive do capital votante das ações (ON). Com mais esta medida, a desculpa esfarrapada da “pressão dos acionistas” levou a que as metas e assédio chegassem a níveis insuportáveis.

O resultado, no entanto, foi que o feitiço se virou contra o feiticeiro. Ao invés do massacre psicológico e financeiro sobre os banrisulenses redundar numa categoria apática (o que até existiu por alguns anos), as péssimas condições de salário e de trabalho levaram à revolta generalizada contra a política e práticas do banco (agora, novamente administrado pelo PT) e contra inclusive o sindicalismo pelego e de “compadre” existente entre os dirigentes cutistas (ainda ligados à corrente DS, do PT e da CUT, da mesma forma que já eram desde a famigerada década de 90).

Esta reação da base, contudo, pode colocar abaixo esta realidade que vem se avolumando no Banrisul, à medida que faça com que sejam os próprios funcionários a determinarem os rumos do banco, retomando sua prioridade social, de desenvolvimento regional e de atenção aos mais pobres, sendo viável comercialmente, mas também diferente de qualquer outro banco meramente comercial e que busca o lucro a qualquer custo.

Agora mesmo, o lucro do Banrisul cresceu mais de 32% até setembro de 2011, comparado ao mesmo período do ano passado. Em valores, o acumulado no ano é de R$ 677,7 milhões!

Apenas o resultado no terceiro trimestre de 2011 atingiu R$ 239,2 milhões e a carteira de crédito do Banrisul totalizou R$ 19,6 bilhões em setembro de 2011, saldo que ultrapassa em 21% a posição alcançada no mesmo mês de 2010. Os ativos totais do Banco apresentaram saldo de R$ 36,5 bilhões, ao final de setembro de 2011, com incremento de 13% sobre setembro de 2010. Quer dizer, o banco está muito maior, com bem mais negócios, mas, fundamentalmente, mais lucrativo!

        No entanto, quem gerou todo este lucro para o banco, seus mais de 9 mil funcionários, espalhados por cada rincão do RS, além de presentes em muitas e crescentes agências por SC e outros estados do Brasil, ganham o pior salário entre todos os bancários.

        Um funcionário em início de carreira no Banrisul ganha apenas R$ 1400, enquanto na Caixa Econômica Federal, por exemplo, o piso é de R$ 1785, e no pequeno BRB (de Brasília) é de R$ 1900. Um funcionário na função e caixa ganha entre R$ 2500 e R$ 3000 nos outros bancos, quando não ganha mais. Esse valor já é muitíssimo  baixo, para a responsabilidade e estresse da função, mas no Banrisul tal função é de míseros R$ 2000! Quer dizer: privados e públicos, grandes ou pequenos; todos pagam melhor que o Banrisul.

Num banco privado, apesar da situação pior no que se refere a não estabilidade no emprego e outras péssimas condições de trabalho, quando isolamos apenas a questão dos salários, muitos funcionários têm funções, seja gerenciais, de caixa ou de outros tipos, e poucos são os que ganham apenas o piso. No Banrisul, porém, além de que o piso do banco é o piso da Fenaban, ou seja, ninguém pode pagar menos que isso; depois da última campanha, em que o Plano de Carreira foi ainda mais destruído por reajustes desiguais, em torno de 50% do quadro ganha menos de R$ 1500! Sem dúvida, o pior salário de todos os bancários!

A resposta a esta realidade não é a privatização, que colocou centenas de milhares de bancários na pobreza ou no rebaixamento abrupto do nível de vida, gerando lucro apenas para multinacionais como o espanhol Santander; nem é aceitar a federalização e incorporação ao Banco do Brasil ( o que destruiu com os benefícios e salários dos empregados do BESC e Nossa Caixa, por exemplo).

O Banrisul mostra que um banco público pode ser rentável e crescer, até mais que outros bancos. O que precisa mudar, no entanto, é sua prioridade e controle. Uma coisa decorrendo da outra. Chega de indicações políticas, quadrilhas de partidos e uso privado/partidário dentro da máquina do banco. É necessário estatizar 100% das ações do banco e colocá-lo a serviço dos trabalhadores e sob controle da população e de seus empregados, com técnicos de carreira na sua direção.

O controle popular e o expurgo da utilização politiqueira devem andar lado a lado da valorização dos trabalhadores do banco, que devem sentir-se motivados a produzir mais e beneficiar a população.

O salário mínimo do RS é superior ao mínimo nacional, assim como a instrução do RS e SC é superior à média nacional. Por outro lado, o custo de vida no sul do país também é mais alto, vide a cesta básica que é a mais cara do Brasil. Por isso, é preciso instituir, imediatamente, um piso salarial superior aos demais bancos, que atinja o valor do mínimo do Dieese, hoje em torno de R$ 2300. Também é necessário, como parte do fim da privatização, acabar com o regime de renda variável e de metas inatingíveis. O bancário merece condições dignas de trabalho e salário, de forma contínua e garantida.

E, por fim, todas estas medidas demandam um grande esforço das organizações populares e dos trabalhadores, para resgatar o Banrisul para a maioria da população. Neste caminho, será fundamental, entre outras coisas, derrotar aqueles que assistiram passivamente ou como cúmplices todo o processo ao qual chegamos hoje – os sindicalistas acomodados e pelegos que existem hoje, os quais mudam de lado e assumem cargos na empresa sempre que são reconhecidos por suas traições. Mudar o sindicato, portanto, é parte da luta em defesa do Banrisul, contra resultados recordes e salários no fundo do poço.

 

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