Encontro de trabalhadores dos Correios é sabotado pela Articulação e pela CTB: traição, manobras, polícia e estelionato.
A tentativa de realização do Conselho Nacional de Representantes (CONREP), de 20 a 23 de julho, acabou sendo esclarecedora para os trabalhadores de Correios e para o conjunto do movimento sindical.
A maioria da Federação Nacional dos Trabalhadores da ECT (FENTECT), ligada à Articulação (CUT/PT) e ao PCdoB (CTB), protagonizou um dos maiores golpes da história recente do movimento sindical. Tudo para proteger os interesses do governo Lula, a eleição de Dilma e o processo de desmonte e privatização em curso na ECT.
O CONREP, tradicionalmente, define a pauta de reivindicações e o comando de negociações da Campanha Salarial. Devido à traição da campanha salarial do ano passado, na qual a CUT e a CTB traíram a greve e assinaram um acordo em base a golpes e fraudes, no qual foi imposto um acordo coletivo bienal; nesse ano, o CONREP foi muito temido pela burocracia sindical.
Os governistas chamaram este fórum contra sua vontade, com a convicção de que seriam maioria no conselho.
Ocorre que, dos quase duzentos delegados eleitos pela base, mais da metade estava a favor de votar contra o acordo bianual e defender a campanha salarial 2010.
Quando percebeu isso, o bloco governista, sob orientação direta da cúpula nacional do governo Lula e dos Correios, tratou de sabotar o Conrep. A manobra foi a seguinte: ao invés de credenciar todos os delegados eleitos e devidamente custeados para participarem do encontro, a direção da FENTECT quis decidir sozinha quem poderia se credenciar ou não.
Tradicionalmente, se credenciam os delegados e a plenária decide sobre possíveis recursos a respeito de impugnações de algum delegado ou delegação. Mas os governistas não permitiram isso.
Fecharam as portas do plenário e colocaram seguranças e policiais contratados para garantir que não houvesse credenciamento de vários delegados da oposição, sob argumentos financeiros e estatutários.
A pergunta é: porque nas últimas plenárias, no último CONTECT e em todos os últimos encontros, onde justamente os traidores eram maioria, não se falou em estatuto nos credenciamentos? Agora, que iriam perder o Conrep, vale?
Diante dessa manobra e da presença da polícia dentro de um encontro de trabalhadores, o credenciamento não ocorreu, e, assim, se foram os dias 20 e 21 inteiros.
No dia 22, depois de o secretário-geral da Fentect não receber um abaixo-assinado com mais de 100 assinaturas de delegados, houve uma tentativa por parte dos governistas de agressão; eles quebraram uma porta e chamaram a Polícia Federal, que levou dirigentes sindicais para a delegacia para prestar depoimento, onde ganharam mais um bom tempo sem Conrep.
Para fechar a traição e sabotagem, os governistas pularam a janela, subiram uma rampa externa ao prédio e entraram pela saída de emergência na plenária, que permanecia com a porta bloqueada pela “milícia” da burocracia sindical.
Escondidos, fizeram um falso Conrep de algumas horas, apenas com a Articulação, CTB, ASS e setores do PSOL, onde votaram apoio à candidatura da Dilma e resoluções hipócritas de defesa de um Correio público. Tudo para fingir que não se venderam totalmente, mas sem propor nenhuma luta contra a privatização e o sucateamento.
Por fim, ainda é preciso que expliquem o que vão fazer com o dinheiro das delegações de oposição. O sintect-RS, por exemplo, gastou 14 mil reais com o CONREP. Mandou seus delegados, e não pôde se credenciar, pois a porta da plenária estava bloqueada pela milícia de Fentect, que usava como uniforme as camisetas do encontro que não foram entregues aos delegados.
Os trabalhadores precisam exigir a devolução deste dinheiro, pois foram roubados! A Fentectm, além de traidora, cometeu estelionato ao cobrar por um Conrep que não existiu.
O que fez o bloco de oposição diante disso?
É preciso fazer uma reflexão profunda sobre a razão de existir o bloco de oposição aos governistas, composto por 17 sindicatos do país.
O bloco de oposição, surgido daqueles que rejeitam o acoirdo de 2 anos, deveria ter garantido a realização do Conrep. Se somos maioria na base, pois a categoria é contra o acordo bianual, que só passou à base de fraude, e se éramos maioria inclusive no Conrep, a nossa obrigação era ter garantido a democracia dos trabalhadores, que queriam o Conrep e queriam construir a campanha salarial 2010.
Por que o Bloco não fez isso?
Essa política de iniciar o Conrep independente dos governistas foi iniciada na manhã de sexta-feira, mas abortada em função de o MRL (CUT) ter pedido para se retirar e discutir com sua bancada sobre isso.
E, quando se restabeleceu a plenária da oposição, ao mesmo tempo em que os governistas faziam o seu “Conrep” escondidos, se colocou o debate sobre a necessidade de garantir a realização do Conrep, e o resultado foi de que não se realizaria o Conrep legítimo que poderia ter sido feito.
A capitulação do MRL e das demais correntes em função deles, em especial o PSTU, definiu por um plebiscito e uma consulta na base para ver se é possível fazer uma campanha salarial. Como se fosse papel dos sindicatos fazer pesquisa e enquete na base, ao invés de lutar.
Infelizmente, se perdeu uma oportunidade histórica de voltar para a base com uma linha ofensiva e ousada contra os governistas. A necessidade era de opor um Conrep (governista) contra outro Conrep (dos lutadores) e disputar a consciência dos trabalhadores para romperem de fato com quem é traidor.
Companheiros, a luta no movimento sindical se faz com mobilização, convencimento, trabalho de base, pressão e muita ação. Não podemos decretar que terá campanha salarial ou uma greve em algum dia pré-determinado, pois seria artificial e irresponsável.
Mas teríamos a obrigação de CONSTRUIR a campanha salarial na base, CONVENCER os trabalhadores sobre a necessidade de lutar nesse ano, como forma de resistir ao desmonte dos Correios, que está preparando o terreno para a privatização.
Ser contra os Correios S.A e as demissões é defender a campanha salarial 2010. Ora, a ECT não reconhece nem a FENTECT companheiros. Ou existe negociação de verdade sem a mobilização da base? Ou seja, o governo negocia e reconhece quem os trabalhadores impõem e exigem que seja reconhecido, seja nos marcos da Fentect ou não!
E, ao ficarem reféns do legalismo e da covardia de não impulsionar uma tática não só necessária, mas plenamente possível de um Conrep legítimo, a maioria do Bloco deixou livre o caminho para os governistas.
Mais firmeza e ousadia para derrotar os governistas!
É preciso a unidade e a defendemos, mas para lutar, e não apenas para formar chapas comuns nas eleições sindicais.
O bloco dos 17 surgiu para defender a campanha salarial 2010 e ser contra o acordo bianual. Mas na hora que isso esteve colocado para a ação, com todo enfrentamento inevitável contra os pelegos, o bloco vacilou.
Isso já tinha ocorrido na greve de 2009, quando os pelegos traíram em São Paulo, mas a maioria dos estados ainda estava parada. A parte do comando do bloco de oposição orientou que cada assembleia decidisse o que quisesse sobre os rumos da greve, mostrando que não teve firmeza na hora em que a categoria mais precisou. A verdade é que a maioria do Bloco, antes mesmo dele surgir oficialmente, já cometeu este crime.
Diante de toda essa traição dos governistas, e do vacilo do bloco de oposição, reafirmamos a necessidade de manter a unidade entre os lutadores para derrotar os pelegos e os ataques do governo.
Mas, chamamos a atenção para as chances que estão sendo perdidas para derrotar a maioria da Fentect. Isso não pode continuar. É hora de construir a campanha salarial na base, convencer os trabalhadores, criar as condições para a mobilização e, no inicio de setembro, fazer uma grande plenária da oposição e decidir sobre os rumos da nossa luta.
Fortalecer o Luta pela Base como alternativa diante das traições dos governistas e da inércia de quem está à frente do bloco de oposição, é preciso.
Somente a presença da base, dos delegados sindicais e dos ativistas pode reverter esse quadro; impor uma luta forte nesse ano; e derrotar os pelegos, o governo Lula e seu sucessor.
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