Publicada em 24/07/2007


50º Congresso da UNE: mais uma festa governista!

            O 50º Congresso da UNE (CONUNE), realizado em Brasília no início do mês de julho, apenas confirmou o que todos já sabiam – ou ao menos deveriam saber: uma festa governista do princípio ao fim. O Senado Nacional – palco dos escândalos de corrupção do caso Renan Calheiros – foi o local que abriu oficialmente o CONUNE, mostrando a real cara desta entidade e o seu verdadeiro comprometimento com os burocratas do governo.

            Como já era de se esperar, a tese majoritária – da UJS/PCdoB – teve 72% dos votos dos 2.700 delegados que compareceram ao evento. Além disso, elegeram para a presidência da UNE a estudante de jornalismo, Lúcia Stumpf (também do PCdoB) no lugar de Gustavo Petta – que prestou inestimável auxilio ao governo Lula enganando e mentindo aos estudantes pra defender a Reforma Universitária. Por falar nisso, essa foi defendida e reafirmada pela direção majoritária da entidade, o que demonstra o grau de burocratização e de ligação ao governo e ao Estado, apesar da presença da FOE (Frente de Oposição de Esquerda) dirigida pelo PSOL.

            A FOE, que insiste em dizer aos estudantes que temos que “disputar as bases da UNE”, cumpriu um triste papel: legitimou o Congresso, suas baixarias e votações fraudadas, além de participar das tradicionais brigas com a bancada da UJS/PCdoB. Quem já participou de um CONUNE sabe como é! Não houve nenhuma palavra sobre os ataques do PT e de Lula, sobre os escândalos de corrupção e nem sobre nada que pudesse desgastar o governo.

            O Congresso serviu para reafirmar aquilo que todo mundo já sabia: a falência e a morte da UNE. De quantos Congressos fraudados da UNE o PSOL e os integrantes da FOE ainda irão participar? Como já ficou demonstrado nesta verdadeira festa governista, a UNE – infelizmente – é uma entidade de cartas marcadas.

As últimas ocupações de reitoria e lutas estudantis
apontam para uma inadiável ruptura com a UNE!

            A recente onda de ocupações de reitorias, protagonizada pelos estudantes do Brasil inteiro, mostrou a verdadeira cara e disposição da UNE para a luta. Os pelegos da burocracia estudantil dessa entidade não ficaram ausentes da luta somente, mas em alguns casos – como a ocupação da UFAL – foram linha de frente em tentar desmobilizar os estudantes e terminar com a ocupação.

            As diversas oposições que disputaram a UNE – como o correto “Rompendo amarras”, e depois a “UNE vermelha” e agora a FOE – deixaram lições claras: é impossível retomar o controle da UNE novamente. Somente a ruptura com essa entidade pode garantir mais lutas e mobilizações contra o governo Lula e o Estado burguês que nos ataca e destrói a educação. O seu passado combativo se encontra nos diversos estudantes que já romperam com a UNE e começam a construção de uma nova alternativa.

            Adiar a discussão e a construção de uma nova entidade, como agora faz o PSTU, “esperando sentado” o PSOL sair da UNE, simplesmente enfraquece as mobilizações e condena a luta estudantil a novas derrotas. Seguimos reafirmando uma necessidade absoluta – ainda mais frente aos números do 50º CONUNE – que falamos agora em alto e bom som: está mais do que na hora de romper com a UNE e construir a CONLUTE!

 

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