Publicada em 02/10/2007


  Trabalhadores em Correios dão lição às direções traidoras:
a luta não pode parar!

A greve dos trabalhadores em Correios terminou na última sexta-feira, após oito dias de paralisação em todo o país. A mobilização que atingiu os 33 sindicatos da categoria foi traída pela burocracia das direções da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) majoritariamente dirigida pela Articulação do PT e pela Corrente Sindical Classista do PCdoB e que também compõem a direção de vários sindicatos da categoria.

Essas correntes asseguraram ampla representação no Comando Nacional de Negociação e, mais uma vez, a revelia das necessidades e da organização da base da categoria, tomaram posição favorável ao golpe do governo Lula e da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) votando pelo fim da greve e a favor da proposta de 3,74% de reajuste com abono de R$ 500,00 e limitação da abrangência das cláusulas sociais aos novos contratados pela empresa.

A partir desta traição, a direção pelega iniciou uma operação de desmonte da greve pelo país inteiro, a fim de assegurar quorum mínimo de 18 dos 33 sindicatos para aprovar a proposta-esmola e terminar com o movimento. As assembléias ocorreram pelo Brasil inteiro, e mais pareciam fóruns como os congressos da CUT, com presença ostensiva da polícia e bate-paus, especialmente em São Paulo, que é o principal posto de distribuição de todo o país. A intenção era nítida: intimidar os trabalhadores e aprovar a proposta rebaixada do Comando Nacional que é porta-voz do governo e, portanto, não pode atuar em defesa dos trabalhadores. 

Mesmo com a derrota econômica imposta pela direção governista traidora, os trabalhadores em Correios saíram fortalecidos com esta greve. A revolta da base foi expressa em diversas assembléias em que se rejeitou a proposta golpista e se denunciou a atuação das direções. Os trabalhadores em Correios aprofundaram a sua experiência com a CUT, com as correntes ligadas ao Lula, como a Articulação e o PC do B, e reafirmaram que esses pelegos não servem para representar os trabalhadores porque, na verdade, defendem os interesses do patrão e aprovam os ataques do governo.

O movimento saiu fortalecido com essa experiência e ciente de que a maioria da direção da Fentect deve ser derrubada. Que diante dessa tentativa de desmoralizar o movimento grevista, os trabalhadores já sabem que os pelegos não podem continuar dominando os sindicatos do país, pois defendem a Reforma Sindical e Trabalhista – que regulamenta o Direito de Greve e retira o 13º salário, férias, licença-maternidade, FGTS, entre outros; a Reforma da Previdência – que equipara a idade de aposentadoria entre homens e mulheres; o PAC – que congela salários do funcionalismo público pelos próximos 10 anos, aumentando ainda mais o arrocho e desviando verbas para a corrupção que cresce a cada dia. Esses pelegos vão continuar cumprindo o papel de referendar políticas de ataque do grande patrão que é o Lula. Lula quer privatizar os Correios para ceder mais lucros para os outros patrões, assim como já faz com os banqueiros e demais empresários.

O ganho político com a experiência dessa greve deve passar pela continuidade das lutas no próximo período. É o momento de reverter a derrota econômica na seqüência das lutas pelo Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), pela periculosidade, por melhores condições de trabalho e pela contratação de novos funcionários via realização de concursos públicos. Essas reivindicações fizeram parte das discussões durante a Campanha Salarial mas continuarão em pauta agora e somente a continuidade da luta, fortalecida e unificada na categoria, irá possibilitar conquistas. A luta não pode parar e os trabalhadores em Correios já entenderam isso: agora é organizar a base, para derrotar Lula, a ECT, as direções pelegas da Fentect e dos Sindicatos e avançar para conquistas!

Movimento Revolucionário na defesa dos trabalhadores

O Movimento Revolucionário esteve atuante em todos os momentos da greve dos Trabalhadores em Correios no RS, onde temos uma militante que é dirigente do sindicato e que colaborou com a construção da greve, atuou e votou pela rejeição da proposta. Nos atos, nos piquetes e nas assembléias marcamos presença em defesa dos direitos dos trabalhadores e discutimos a necessidade de derrotar Lula, a ECT e todos os pelegos da direção do Sindicato e da Fentect.

 Nos panfletos, jornais, intervenções e em todas as discussões com a categoria, expressamos que só a luta é capaz de mudar a vida da classe trabalhadora e acabar com a exploração e a opressão. Reafirmamos o fortalecimento da Conlutas junto à base da categoria, para que seus princípios sejam assegurados e se amplie a sua inserção junto aos trabalhadores, diferentemente do que hoje faz a sua direção majoritária – PSTU – ao capitular ao PSOL.

Chamamos os trabalhadores em Correios a construírem o Movimento Revolucionário, o único partido que é seu! O partido da luta e que surge das ruas para as ruas, em defesa de nossos direitos e pela construção de uma revolução socialista e dos trabalhadores!

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