Comando de negociação desliza. Negociação tratará de negociar 200 reais a menos!
Na quinta-feira, dia 22 de setembro, os trabalhadores dos correios de todo o país foram surpreendidos com uma iniciativa do comando de negociação.
O comando lançou no informe número 29 a proposta de rebaixamento de uma das maiores bandeiras dessa campanha salarial, o reajuste linear de 400 reais, que passaria a ser somente de 200 reais. O restante da pauta foi mantida.
A linearidade do reajuste é uma bandeira histórica da categoria por que os trabalhadores de base que vivem com um salário miserável enquanto os cargos de alto escalão gozam de salários altíssimos. Caso o reajuste seja percentual os índices de reajuste salarial concedido nas campanhas salariais ampliam ainda mais a distância entre os maiores e menores salários.
O rebaixamento da pauta é um problema principalmente político. Nem tanto econômico já que as demais cláusulas a serem negociadas garantem valores dignos à categoria.
Nestes dias de greve o governo Dilma retaliou os trabalhadores da forma mais severa possível em uma tentativa de desmoralizar o movimento grevista, principalmente por que nem mesmo os governistas que estão à frente dos sindicatos esperavam tanta adesão da base da categoria. Mas mesmo com o corte de salário os trabalhadores continuam mobilizados e firmes na luta.
O governo por sua vez continua querendo ganhar os trabalhadores no cansaço, sem ter aberto nenhuma negociação ate o presente momento, o que demonstra a truculência do governo que ainda tem o despautério de dizer que os trabalhadores grevistas são intransigentes!
Com a iniciativa do comando diante dessa conjuntura de retaliações o retrocesso na pauta de negociações demonstra uma fraqueza no movimento – que não existe – tudo para não sermos taxados de intransigentes.
O resultado foi que dos 35 sindicatos somente 3 não referendaram essa iniciativa: o Sintect/RS onde os militantes do Movimento Revolucionário fazem parte da direção; Sergipe; e Minas Gerais. Todos outros inclusive aqueles que compõem a FNTC referendaram tal proposta.
O resultado dessa iniciativa foi que o comando de negociação mesmo depois de rebaixar a pauta continuou sem ser recebido pela empresa. E o que é pior, a proposta foi negada antes mesmo de ser entregue à ECT. Ou seja, a intransigência do governo ganhou um novo ânimo e os trabalhadores perderam 200 reais nas negociações.
A mobilização dos trabalhadores na base da categoria vai ser o determinante para garantir que o governo negocie um reajuste digno.
O comando de negociação é totalmente entregue aos interesses do governo sendo composto por 2 membros do PCdoB, 2 da Artsind, 1 ASS corrente interna do PT, 1 do MRL também ligada ao PT; restando somente um membro que não é ligado ao governo que é militante do PSTU e da FNTC. Dessa maneira não podemos depositar nenhuma confiança nesse comando, principalmente por que está vivo na memória dos trabalhadores a traição aplicada pelo PCdoB e Artsind – o acordo bianual.
Infelizmente o militante do PSTU assinou embaixo desse erro político. A necessidade desde o inicio da campanha salarial era a conformação de um comando paralelo composto entre os sindicatos da FNTC e da oposição à maioria da Fentect, totalmente entregue aos interesses do governo, para tentar a iniciativa de tratar com a empresa, mas principalmente, para garantir a mobilização na base da categoria.
Nessa campanha salarial o papel que a oposição tem que assumir não nos permite errar, dessa maneira os companheiros da FNTC e do PSTU não pode cometer esse tipo de equívoco que tem um único objetivo, desmobilizar a categoria. Essa é a tarefa das correntes traidoras que estão à frente dos sindicatos, da federação e do comando de negociação. A única forma de garantir a vitória da categoria é mostrando que existe uma alternativa ao peleguismo da CUT/CTB e garantir a mobilização da base da categoria.