Belo Horizonte: rodoviários em greve!
Os motoristas e cobradores de ônibus de Belo Horizonte (MG), desde a segunda-feira, dia 22/02, estão em greve. A greve atinge uma adesão bastante grande, fazendo com que poucos ônibus circulem pela cidade.
O estopim desta luta foi a proposta das empresas de ônibus em relação ao reajuste salarial, que não repõe nem mesmo a inflação do último ano: míseros 4,36%. Os trabalhadores exigem 37%, referentes às perdas salariais acumuladas pela categoria em anos de arrocho.
Isso é uma piada com os trabalhadores! Todo ano a passagem aumenta, fazendo com que os trabalhadores tenham um gasto maior ainda com o transporte público, e um dos principais argumentos para a tarifa da passagem aumentar é o reajuste salarial repassado para os funcionários. Mas isso é uma mentira!
Por isso, os rodoviários acabam tendo que recorrer à greve. Enquanto a passagem aumenta em torno de 15% a cada ano, dependendo da região, seus salários sobem somente 4,36%! A população que usa os coletivos para se locomover sente também na pele o descaso com que as empresas de ônibus tratam os trabalhadores em geral, pois são obrigados a andar em ônibus caindo aos pedaços e superlotados, mesmo pagando preços abusivos.
Todas as tentativas de negociação foram fracassadas. Isso porque os empresários deste setor não estão dispostos a ceder uma vírgula sequer. A categoria rejeitou novamente a proposta da empresa na última quarta-feira e segue em greve por tempo indeterminado.
Sindicato patronal entra na Justiça com pedido de demissão a todos os grevistas
Como se não bastasse a cara de pau em oferecer um reajuste miserável, o sindicato das empresas de ônibus (patronal) entrou na Justiça com um pedido de demissão para todos aqueles que seguirem no movimento grevista, numa clara postura de perseguição e ameaça contra os que lutam pelos seus direitos.
Isso acontece porque o movimento grevista começa a ameaçar o antes intocado poder dos empresários, e está causando um prejuízo imenso aos patrões. Esta é a única alternativa que resta à patronal, a de tentar conter o movimento à base da força e de ameaças. E esse é justamente o momento de fortalecer e ampliar a greve, já que qualquer recuo nesse instante pode representar a demissão de diversos trabalhadores e enfraquecerá toda a categoria.
Como estas empresas são do setor privado, se sentem mais à vontade para tentar criminalizar a luta dos trabalhadores, mas isso não é muito diferente do que acontece também no setor público.
Diversas categorias vêm tendo uma experiência parecida, com este tipo de postura truculenta virando costume, e os governos, principalmente o de Lula, ajudam neste ataque, ao colocar as greves na ilegalidade, com altas punições financeiras aos sindicatos das categorias, mandando a polícia agredir trabalhadores nos piquetes, etc.
A resposta, no entanto, tem sido mais greves e mais radicalização em cada uma delas. Esse é o caminho: responder a força com mais força ainda.
Por um reajuste digno! Fortalecer a greve dos rodoviários de BH!
A tentativa de intimidação por parte dos patrões deve ser encarada como uma necessidade de ampliar a luta, pois só assim é possível garantir um reajuste decente.
Mesmo depois de o TRT ter aprovado uma liminar punindo cada sindicato dos trabalhadores em R$ 300 mil por dia de paralisação, o mesmo tribunal não se deu por satisfeito e faz chantagem dizendo que cancela esta liminar se a categoria encerrar a greve. Mais uma vez, os trabalhadores disseram não, e seguiram de braços cruzados.
Os patrões, a Justiça e os governos estão todos de mãos dadas e se utilizando das mais podres artimanhas para intimidar o movimento. Só com a ampliação e radicalização da luta é possível garantir alguma conquista, e essa é a única resposta que eles entendem! Assim, vamos seguir nas ruas, com força e cada vez mais fortes e conscientes da necessidade de derrotar governos, patrões e instituições burguesas, para obter emprego, salário e direitos sociais.
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