Publicado em 27/04/2010

Sindicato de Correios do RS: chapa de ativistas e militantes do MR ganha de PT, PCdoB, PSOL e PSTU. Vitória dos grevistas e da base!

Nos dias 5, 6 e 7, ocorreu a votação para a nova diretoria dos Sindicato dos trabalhadores em Correios do Rio Grande do Sul. Este é o quarto maior sindicato da categoria no país, e passa por uma crise de direção. O afastamento dos diretores da base, a desorganização financeira e a postura governista da maioria na atual gestão, que é proporcional, levaram a que, durante as últimas greves, a base protagonizasse rebeliões, que radicalizaram as lutas e as levaram mais adiante que no restante do país.

        Ao mesmo tempo em que ocorria uma crise na cúpula do sindicato, na base a resposta era outra. A tentativa do governo Lula em transformar os correios em Sociedade Anônima (S/A), os baixos salários e a sobrecarga de trabalho, fez com que a categoria recorresse a três greves em um período de 12 meses.  Agora passamos por um período onde a empresa anuncia lucros recordes e, ao mesmo tempo, vem se recusando a negociar a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) aos trabalhadores.

        Diante desta realidade de duros ataques por parte do governo Lula, e da crise que vive o movimento sindical no país, todas condições para a formação uma alternativa de direção estão dadas. Esta alternativa, que veio se construindo especialmente de 2 anos para cá, inicialmente foi formada pelos 2 diretores da Conlutas que atuavam como minoria na entidade, e são militantes do Movimento Revolucionário, que reuniu parte dos delegados sindicais e trabalhadores de luta dos Correios. Assim, surgiu a corrente “Luta pela Base”.

        Com a traição de grande parte das direções do movimento sindical, esta corrente foi formada em sua maioria por delegados sindicais eleitos por locais de trabalho, e pelos ativistas que estiveram à frente das últimas greves no estado.

        Num processo eleitoral onde concorreram cinco chapas, o Luta Pela Base sai vitorioso e fortalecido, pois a categoria deu a resposta do que é necessário ser feito: A BASE TOMAR CONTA DO SINDICATO.

        Com esse espírito e determinação, se apresenta um foco de resistência aos ataques do Governo Lula e disposto a se enfrentar com os pelegos e traidores dentro do movimento sindical. Isso fez com que uma chapa independente do governo e dos pelegos do movimento tenham uma vitória arrasadora, com quase o dobro de votos da segunda colocada.

Contra tudo e todos, uma vitória esmagadora e histórica!

A chapa 3, formada por ativistas independentes e militantes do Movimento Revolucionário, ganhou disparada das demais, obtendo 790 votos. A segunda colocada (chapa 2 - MRL-PT e DS-PT) teve 413 votos; a terceira foi a chapa 1 (PSTU e PSOL) com 389, a quarta foi a chapa 5 com 364 votos (Movimento PT e chefia em geral); e a quinta foi a chapa 4 (descrita por um de seus dirigentes como de “petistas e militantes do PCdoB“).

        Estes números são fruto do trabalho de base feito pelos ativistas que compõem o Luta Pela Base e o Movimento Revolucionário, incluindo os 2 dirigentes sindicais da última gestão do sindicato que não se venderam e ajudaram a construir este projeto em cada local de trabalho, colocando suas liberações e militância a serviço permanente da luta. Além disso, o resultado foi tão expressivo, por conta da organização e seriedade que somente uma direção revolucionária pode ter, a ponto de superar as dificuldades econômicas e o peso dos aparatos demais chapas.

No entanto, com certeza, o que mais foi determinante para a vitória da chapa composta pelo Movimento Revolucionário foi a esquerdização e combatividade que têm crescido na massa, em especial nas categorias organizadas. Diante da experiência negativa com o governo Lula e com os sindicalistas traidores, demos um exemplo de como se combate a burocratização, fazendo com que nossos camaradas que fizeram parte da última gestão agora voltassem para a base, abrindo espaço para a renovação da entidade.

Também discutimos a necessidade de se romper e combater os governistas, defendendo a Conlutas e a necessidade de não permitir que ela rebaixe seu programa. A expressão de uma chapa que não se alia com qualquer um para obter mais votos, e defende o programa dos trabalhadores, e não o que é mais fácil para ganhar votos, foi a novidade da eleição, extremamente bem recebida pela base.

        Esta eleição é a demonstração que mesmo com um programa de luta, sem conchavos, e com democracia operária é possível unificar ativistas e lutadores em torno de um projeto para derrotar o governo e seus ataques. Assim como um mês antes o exemplo dos bancários do Rio Grande do Norte já tinha demonstrado, existe espaço para ganhar entidades para um programa combativo e socialista, e ate mesmo nas eleições este espaço está aberto para os lutadores. Esse resultado faz cair por terra o discurso e prática oportunistas da maioria da Conlutas, expressa na Chapa 1 nesta eleição, que se aliou à Articulação-PT (corrente máxima do mensalão) nos Correios do RJ para tentar ganhar as eleições.

        A reorganização do movimento sindical exige que existam cada vez mais chapas que se enfrentem com a direita e o PT, e com a burocracia da CUT e CTB, que são verdadeiras correias de transmissão de uma política contra os interesses da nossa classe.

        Estaremos a serviço desta luta, da defesa de um novo tipo de sindicalismo (de base e socialista), da transparência e da honestidade com os bens e o nome do sindicato, cujo último secretário-geral (hoje na Articulação-PT) foi afastado por malversação.

        Em nossa chapa e em nossa corrente, as principais decisões são tomadas pelo conjunto da chapa e não por um ou dos dirigentes com poder supremo, como vimos acontecer nas outras chapas e é prática em todas centrais sindicais atualmente. Os trabalhadores souberam entender isso. Resultado: vitória com o dobro de votos das outras chapas!

Correios S.A. de Lula é privatização! Não à sobrecarga de trabalho, contratações já! Por uma PLR digna e igual para todos!

Esta vitória política e sindical se dá justamente em um momento em que diversas categorias vêm sofrendo brutais ataques. Das empresas públicas, os Correios é uma das únicas que ainda possui 100% do seu capital público, diante de uma onda de privatizações, em que até estatais como a Petrobrás e Banco do Brasil  já são parcialmente privados, após anos de venda por responsabilidade de FHC e Lula.

        O governo Lula está propondo a abertura de capital da empresa, um nome disfarçado para dizer o óbvio: privatização. Se isto for aprovado, além do sucateamento da empresa, estão em risco os empregos de todos os funcionários, seus direitos trabalhistas e o cumprimento do papel social e público que os Correios devem ter.

        Hoje, a realidade dos trabalhadores de Correios já é dura, com a sobrecarga de trabalho altíssima e baixos salários. A resposta da categoria em todos estes fatos foi uma só: GREVE! Todas as conquistas até agora se deram com luta e resistência, e no próximo período será necessária uma luta ainda maior, pois vem pela frente a luta contra o reajuste bienal aprovado no ano passado, por meio de golpes em assembléias estaduais. Por este “acordo” a categoria fica impedida de fazer greve em 2010 e com um reajuste miserável já selado. Tudo para garantir uma campanha eleitoral tranquila para Dilma.      

A partir do RS, com a vitória da esquerda combativa, este falso acordo será duramente questionado.

        Agora, é necessária a construção do Luta e Pela Base como uma corrente nacional, para apresentar uma alternativa aos pelegos dentro dos sindicatos e da Federação nacional de Correios, que traíram a categoria assinando o acordo bienal, e sabotando cada uma das greves.

Nossa atuação dentro do SINTECT-RS estará a serviço da luta por melhores salários, por uma PLR digna e igual/linear para todos, contra a sobrecarga de trabalho, por concurso público já, contra a terceirização dos Correios e o Banco Postal. Esta luta se dá também contra a CUT, CTB, o governo Lula e a direita, disputando internamente na própria Conlutas e nova central para que os lutadores não se corrompam em nome de cargos ou espaço compartilhado com a burocracia sindical. Só com um sindicato controlado pela base é possível ir até as últimas consequências nestas lutas, e um enorme passo foi dado nesta direção, com a vitória do Movimento Revolucionário e dos ativistas de base nos Correios do RS.

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