Municipários de Porto Alegre param 21 dias
Na última terça-feira, dia 12.06., os municipários de Porto Alegre encerraram a sua greve de 21 dias, em grande Assembléia que lotou o Centro de Eventos do Parque da Harmonia. A decisão foi por quase unanimidade. A diretoria do sindicato e todas as correntes políticas com representação na categoria defenderam a volta ao trabalho, a despeito da proposta salarial irrisória apresentada pelo prefeito Fogaça: aproximadamente 5% de reajuste, parcelados, com compensação dos dias parados, sendo que os setores mais mal pagos, com piso salarial abaixo do salário mínimo, foram equiparados a este, recebendo percentual maior. A categoria realizou uma greve heróica e estava no limite das suas forças. Voltou de cabeça erguida. Fato evidenciado pela presença massiva na Assembléia e o clima de unidade demonstrado. A greve não teve uma vitória econômica, mas politicamente também não teve uma derrota.
A greve teve duas debilidades. A primeira foi o fato de ter sido parcial. Das diversas secretarias, apenas os professores pararam na quase totalidade. Houve greves parciais na Dmae, da Saúde, na Smam, na Cultura e outras secretarias. O resultado da greve dependeu em grande parte do Dmae, que parou em número considerável, por ser um setor operário de impacto sobre a população o que lhe confere grande poder de barganha. Esse poder foi utilizado parcialmente em razão da inconseqüência da sua direção e porque a greve, sendo parcial, não respaldava métodos mais efetivos. Mesmo assim, a direção deixou muito a desejar. Principalmente, a direção da categoria no Dmae, vinculada ao PC do B e ao PT. Diante da decisão judicial determinando a manutenção de funcionamento de 30% dos serviços, por serem pretensamente essenciais, a direção da greve acordou com a prefeitura a garantia de execução desses serviços. A Prefeitura burlou sistematicamente esse acordo e pôs em funcionamento um percentual muito maior de serviços. A direção do movimento foi conivente com essa fraude. Os piquetes foram apenas de convencimento. Mais do que isso, a direção, nos seus discursos, dava garantias a quem quisesse trabalhar. Mesmo que admitamos que a correlação de forças pudesse não permitir piquetes efetivos que barrassem o trabalho dos fura-greves, essa defesa do direito ao trabalho é inadmissível. Numa greve não existe direito ao trabalho. Existe o direito da maioria, decidido democraticamente em Assembléia. Uma greve não é um passeio. É uma luta de classes. Atualmente, mais do que nunca, as greves bem comportadas estão fadadas ao fracasso. A categoria deve estar imbuída desse espírito de luta. Essa é a tarefa de uma direção combativa. O que não foi o caso. É preciso também não aceitar pacificamente a imposição do conceito da necessidade de funcionamento dos serviços essenciais. Os trabalhadores não recebem como se assim o fossem. Não existe greve sem prejuízos. É preciso criar a idéia e a cultura, entre os trabalhadores e a população, de que os eventuais transtornos são de inteira responsabilidade dos patrões ou do governo. Nesse aspecto, a direção também capitulou ao senso comum, coisa que só favorece a burguesia, no caso, a prefeitura.
A prefeitura demonstrou toda a sua intransigência e truculência durante a greve, das mais diversas formas: pela desinformação da população, pela negativa de negociação, pelas propostas escandalosas, pela repressão ao movimento, chamando a da Brigada Militar contra os piquetes, burlando os acordos feitos com o sindicato. Como bons capachos do capital, tratam dessa forma os trabalhadores enquanto cumulam de benesses os seus amos capitalistas.
Os municipários estão de parabéns, tanto pela greve quanto pela retomada do sindicato, que esteve nas mãos de uma máfia por cerca de dez anos, que o destruiu e endividou, impedindo qualquer luta nesse período. Foi uma verdadeira refundação do sindicato, apesar da composição heterogênea dessa primeira diretoria, da qual participam setores da Conlutas e da CUT governista.
Essa greve demonstrou, mais uma vez, a absoluta intransigência patronal; que as greves devem, para serem vitoriosas, estar organizadas por local de trabalho e procurar ocupa-los, quando for possível; que a luta não é só por salários, é também pelo controle das empresas, o que, num plano nacional, é a luta pelo controle dos trabalhadores sobre a sociedade. Ou seja, pela revolução socialista.