Publicada em 04/07/2007


Ocupações de reitoria apontam para um novo movimento estudantil

            A decadência em que o capitalismo se encontra atualmente condena a juventude ao abandono completo e lhes reserva um futuro incerto. Os governos e os empresários querem calar a indignação dos estudantes que se rebelam em diferentes lugares do mundo em razão desta falta de perspectiva. Foi assim na rebelião estudantil francesa em 2006; na luta dos estudantes universitários de Oaxaca, no México, que botaram pra correr o batalhão de choque da polícia; no Chile, onde estudantes secundaristas também se fizeram presentes nas ruas e nas mobilizações. Toda essa demonstração de vigor e força do movimento estudantil não tardou em chegar ao Brasil, onde os mais céticos afirmavam que os estudantes estavam “adormecidos”.

            A recente onda de ocupações de reitoria Brasil afora demonstra uma nova correlação de forças entre o governo e o movimento estudantil de luta e independente. Na USP, onde os estudantes derrotaram os ataques à educação pública – personificados nos decretos de Serra, que retiravam a autonomia universitária –, houve um importante avanço na reorganização do movimento estudantil que incendiou o ânimo e a disposição dos jovens no resto do país. Isso ficou demonstrado numa série de outras ocupações a nível nacional em diferentes capitais e universidades federais e/ou estaduais. Ainda que os decretos de Serra tenha sido o estopim, cada ocupação da juventude estudantil tinha como pano de fundo a luta contra a Reforma Universitária do governo Lula, da UNE e do Banco Mundial que privatiza o ensino público superior e compra vagas ociosas nas universidades pagas, enchendo os bolsos dos tubarões do ensino privado.

            Apesar da tentativa desesperada da mídia burguesa em condenar as ocupações e de tentar preparar a opinião pública para uma “retirada forçada”, a ocupação da USP fez com que dezenas de novas reitorias fossem ocupadas em solidariedade aos grevistas. Esta nova onda de lutas demonstrou o real caminho para se conquistar não só uma educação pública, gratuita e de qualidade, mas também a possibilidade real de se mudar de vida: ou seja, as lutas diretas. As eleições burguesas já demonstraram que não são o caminho e que, entra partido e sai partido, as coisas só pioram e os ataques contra os estudantes e trabalhadores se intensificam.

            Somente com demonstrações como essas – ocupações, greves, mobilizações – é que conseguiremos derrotar qualquer governo e mudar a sociedade de verdade. A experiência na USP é a demonstração palpável do que falamos, embora partidos como o PSOL, por exemplo, coloquem as exigências eleitorais e demandas partidárias (como a realização do seu Congresso) acima das necessidades da luta direta e da mobilização, conforme ficou demonstrado em sua postura na ocupação de dois dias na UFRGS, aonde este partido – que dirige o DCE – negociou com o reitor e saiu para o seu Congresso. Um partido que prioriza as lutas e não as eleições deve conciliar os dois processos, pois se complementam. Dessa forma enriqueceria seu congressos internos e auxiliaria os trabalhadores simultaneamente. Infelizmente não é isso que ocorre por parte deste partido.

            O exemplo do movimento estudantil brasileiro deve ser seguido por cada setor social da classe trabalhadora, com greves nas fábricas, ocupações de terras, mobilizações, atos radicalizados e etc. Enquanto o Congresso do mensalão segue chafurdado na lama e na corrupção, os estudantes e os trabalhadores devem multiplicar estas iniciativas e resolver as coisas com “suas próprias mãos”.

Uh, cadê? Cadê sumiu! A UNE do governo ninguém sabe, ninguém viu!

            O fim da ocupação da USP foi votado em assembléia e se deu no fim do dia 22 de junho, depois de resistir por quase dois meses. As lições dessa luta ficaram claras para os ativistas e estudantes que a construíram. Porém, apesar das tentativas teatrais da UNE em ocupar outras reitorias pelo país – conforme o seu calendário tirado nos bastidores – o seu verdadeiro papel ficou claro com suas práticas nestes processos.

            O “Pettinha” – apelido carinhoso criado por Lula a Gustavo Petta, presidente da UNE – tentou negociar “por fora” a desocupação da Universidade Federal de Alagoas e foi amplamente rechaçado pelos estudantes. Inclusive sendo filmado por um vídeo que se popularizou no site “Youtube”, onde aparece Petta sendo xingado e ridiculzariado pelos estudantes. A UNE – como já afirmava a Conlute há, no mínimo, dois anos – morreu. O seu passado combativo de ocupações, de lutas contra os governos corruptos, contra a ditadura militar e o Collor, pertence ao movimento estudantil independente que já rompeu com esta entidade governista e ocupou dezenas de reitorias. À UNE atual, só restam os congressos fraudados, a burocracia estudantil reinante da direção que se reelege há 16 anos e a oposição de esquerda que insiste em “ressuscitar” um cadáver mal cheiroso.

Veja o Video citado:

Ocupações mostraram a necessidade da construção de um novo movimento estudantil
de luta e independente!

            A falência da UNE demonstrou a necessidade de uma entidade estudantil nacional que unificasse as diferentes ocupações em uma grande ofensiva contra o Congresso Nacional pela retirada do projeto de Reforma Universitária. A cada novo adiamento em se construir uma nova entidade nacional em alternativa a UNE, ficará claro ao movimento estudantil que, contraditoriamente, mesmo conquistando vitórias parciais, elas se tornarão derrotas. Esta é a grande lição das ocupações das reitorias.

            Nós, da Construção do Movimento Revolucionário, defendemos a construção da Conlute, que já deu inúmeras provas de combatividade e abnegação na luta. Porém, a sua direção majoritária nacionalmente – o PSTU – não pode deixá-la a mercê da espera da “oposição de esquerda” interna da UNE. A Conlute necessita realizar congressos anuais para discutir seus rumos – seguindo a iniciativa do Congresso estadual que a Conlute-RS irá realizar no final de 2007 –, deve construir debates, discussões, lutas e, por fim, se postular enquanto uma alternativa concreta a UNE. Caso contrário, deixaremos órfãos não só a “esquerda da UNE” que ficará por muitos anos mais dentro dessa entidade governista, mas sobretudo milhares de estudantes que, como já ficou demonstrado não só no Brasil, mas no mundo todo, começam a levantar suas cabeças e a organizar a luta de resistência.

A Construção do Movimento Revolucionário
nas ocupações de reitoria:

            Nós estivemos presentes nas principais ocupações do país, resistindo com os estudantes e discutindo uma saída para a educação pública do Brasil. Apontamos a necessidade de romper com a UNE, boicotar seu congresso fraudado que se realizará agora em julho, e reafirmamos a necessidade inadiável de se construir a Conlute – uma alternativa de luta e independente. Também defendemos a luta direta – como as ocupações de reitoria, por exemplo – como forma de se mudar a vida dos estudantes e da classe trabalhadora, e não as eleições burguesas como insistem alguns “partidos de esquerda”, como o PSOL.

            Além da ocupação da UFRGS, onde fomos linha de frente em sua construção juntamente com outros setores, estivemos presente na ocupação da USP, vendendo jornais, discutindo com os ativistas e reafirmando uma política independente, classista e revolucionária.

Venha você também fazer parte dessa grande
 Construção do Movimento Revolucionário!

 

 

 

 

 

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