Resultado das eleições de Sintect/SP: governismo sai vitorioso graças as traições da oposição
Os trabalhadores de Correios esta semana estavam com os olhos voltados para o resultado das eleições do Sintect/SP. O maior sindicato do Brasil da categoria que tem o poder de determinar a dinâmica das lutas dos ectistas.
Por ter esse grande peso, as correntes governistas tinham que se manter à frente da direção de qualquer maneira, seja com uma chapa pura ou misturada com a “oposição”.
E foram muito bem sucedidos neste propósito já que a chapa 3, Responsabilidade e Mais Conquistas, dirigida pela CTB-PCdoB, atual direção do sindicato, ganhou fazendo uma votação de 3.960 votos. Enquanto a chapa 2, Oposição Unificada Pela Base, do PSTU/MRL-DS e Articulação-PT; obteve 2.476 votos. E a chapa 4, composta por militantes do PCO e independentes, como foi feita às pressas tinha pouca chance de fazer uma votação expressiva e obteve apenas 476 votos.
Para os lutadores da categoria os resultados dificilmente seriam satisfatórios já que as duas principais chapas, 2 e 3, não representavam nenhum avanço em responder aos ataques vividos pelos trabalhadores ao longo destes anos. A chapa 4 acabou se tornando a única alternativa classista para os trabalhadores combativos dos Correios. Porém tem diversas limitações já que não propõe o rompimento com a CUT, essencial para o movimento sindical que se proponha a ser independente do governo e defenda os interesses dos trabalhadores.
O rechaço da base a uma tática oportunista
O resultado desta traição escabrosa proposta pelo PSTU foi um grande rechaço da base, que mesmo insatisfeita com a direção do Sintect/SP, que trai descaradamente as lutas da categoria, não viu a chapa 2 como uma chapa de oposição de luta, mas sim como a chapa do Talibã, o maior traidor da história recente da categoria. Isso foi refletido nas urnas fazendo com que a chapa PSTU/MRL/Articulação tivesse uma gritante diferença de 1488 votos!
A chapa de conciliação entre o governismo e o PSTU ainda colocou em seu material distribuído na base que a chapa 4 foi responsável pela divisão da oposição. Mas a realidade demonstra que quem rompeu qualquer unidade foi quem passou para o lado das alianças espúrias com o governo e que, mesmo somando os 476 votos obtidos pela chapa 4, a base não elegeria o Talibã para o Sintect/SP.
A base não concordou de maneira alguma com a argumentação de que devemos derrotar a CTB, atual direção do sindicato, nos aliando com a Articulação, corrente minoritária em SP, porém tão ou mais traidora quanto a primeira. Não foi compreensível para a base ver Geraldinho, militante histórico de oposição ao governo Lula na categoria, disputando como secretário geral, ao lado de José Rivaldo, o Talibã, secretário geral da Fentect; aquele mesmo que assinou o acordo bianual e é auxiliar do governo Lula em sua missão de desmontar a empresa.
O PSTU deveria acreditar mais na classe trabalhadora, ouvi-la mais e dar atenção para suas necessidades imediatas e históricas. E não priorizar chegar ao aparato a qualquer custo, rifando os interesses da própria base. Caso tivesse feito isso, nunca teria se aliado aos maiores inimigos dos trabalhadores que são todos os aliados de Lula e Dilma.
As correntes que militam em Correios, e que conformaram esta chapa, deram muitos passos atrás na construção de uma alternativa de luta para os trabalhadores, que, neste último período foi representado pelo bloco de oposição à maioria da federação. O bloco, com esta traição, chega ao seu fim, pois não há mais acordo sobre sequer quem é nosso inimigo, depois que parte dele foi se abraçar com os traidores governistas.
Porém, para os trabalhadores, está cada vez mais claro que as lutas só vão avançar rompendo com o governismo burocrático instalado dentro dos sindicatos e da federação e com o oportunismo aparatista de parte da oposição, que prioriza ganhar sindicatos, do que defender o programa dos trabalhadores.
Com esta traição, o PSTU que foi o impulsionador da chapa traidora, deixou o caminho livre para o governo seguir sucateando a empresa e também para os governistas (CTB-PCdoB, Articulação-PT, MRL-DS) de todos os matizes continuarem a desmoralizar os sindicatos e a empurrar os trabalhadores para mais derrotas.
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