Movimento sindical: diante do fracasso da fusão por uma nova central, é preciso reafirmar o programa da Conlutas.
Após investir todas suas forças num processo de fusão que consumiu anos de paralisia de suas iniciativas, e que redundou num enorme fracasso, a Conlutas encontra-se numa situação delicada.
Os atos próprios e combativos deram lugar a atos com os governistas; as bandeiras de denúncia do governo Lula e atos de rua foram substituídos por “exigências” ao governo, abaixo-assinados e pressão parlamentar. Os dias de luta dos negros, das mulheres e até mesmo os dias do trabalhador, no 1º de Maio, foram se esvaziando... E o pior de tudo: as chapas sindicais e o cotidiano da Conlutas deixou de ser baseado no enfrentamento à CUT e pela desfiliação desta central; para se converter em chapas com a burocracia e gestões sindicais em comum com os traidores.
O fim da linha desta política oportunista aconteceu com o processo de tentativa de fusão com a Intersindical. Foram cerca de 4 anos desperdiçados com acordos e negociações de cúpula, sem envolver a base das categorias, com seminários apenas para a vanguarda, sem debater o conteúdo da fusão, e sem uma experiência real de luta comum. Por fim, o patético e frustrado “congresso de unificação - Conclat” colocou por terra a esperança de uma unidade sem princípios, em que o programa era tão vazio que a “briga” pelo nome da nova central já foi suficiente para seu esfacelamento.
Este processo triste, porém, é decorrência dos erros e capitulações da direção deste processo, e não da incapacidade de fortalecimento das lutas da base. Pelo contrário: as greves e lutas dos trabalhadores só têm crescido nos últimos anos, e há não apenas disposição de seguir avançando, como de construir ferramentas superiores de luta. A Conlutas chegou a ser a expressão mais avançada disso tudo, mas hoje não é mais. A Conlutas, a partir das correntes que a dirigem, PSTU e grupos do PSOL, não impulsiona mais esta reorganização pela base.
Por isso, é necessário retomar o programa e as iniciativas de ação direta do surgimento da Conlutas, que deve reeditar uma campanha de massa de desfiliação da CUT, denúncia do governo e lutas contra a opressão, o rebaixamento de salários, a exploração e o capitalismo. Esta tarefa só vai poder ser levada adiante se construirmos uma nova direção para a Conlutas, já que a atual demonstrou que não tem mais este projeto.
Manobra: um congresso com 3 mil delegados não podia mudar o nome, mas uma comissão provisória, sem legitimidade e com 20 pessoas pôde.
Mesmo com a realidade saltando aos olhos de que não houve unificação nenhuma, e de que a “nova central” que sai do Conclat é ainda menor que a que entrou, o PSTU e a autointitulada Secretaria da também autointitulada Central Sindical e Popular (CSP) mantêm a avaliação de que “a histórica realização do Congresso da Classe Trabalhadora” fundou uma nova central. Isto, infelizmente, é mentira!
Mas, apesar de não reconhecer o óbvio, e de não ter a capacidade sequer de reconhecer sua responsabilidade sobre este fracasso, a direção da Conlutas no mínimo deveria manter sua “coerência”, que levou a que ficasse meses batendo o pé sobre a manutenção do vínculo do nome “Conlutas” na nova central. Esta reafirmação, até um pouco infantil, foi levada ao extremo de acusar quem se dispunha a deixar um nome em troca de construir algo superior como sendo alguém que estava “abandonando a Conlutas; querendo jogar sua história no lixo”.
E agora, companheiros?
Os companheiros estão jogando esta história no lixo, e abandonando a Conlutas sem nem se ganhar nada em troca. Não se está avançando para lugar nenhum, tampouco construindo uma ferramenta realmente superior, mas o nome da Conlutas foi descartado. Se assumiu o ônus, sem obter nenhum bônus!
Além da irracionalidade e capitulação disso tudo, o método com o qual se levou adiante esta decisão foi o pior possível. Ao invés de permitir que a base de 3000 delegados definisse isso, o PSTU e seus aliados estão fazendo o contrário: adulterando a votação do Conclat e mudando por cima, entre 20 pessoas, o que “amplamente”, segundo seus próprios textos, foi rejeitado – o abandono da Conlutas como nome.
Além disso tudo, os tais 20 da secretaria que tem votado políticas, mudado nome da central e se comportando como uma verdadeira nova direção da central, não representam direção nenhuma. Se fossem uma secretaria legitimamente eleita já não poderia deliberar e atuar como uma direção, mas nem isso são.
A tal “SEN”, de fato é SEM autoridade e legitimidade alguma, porque é produto de uma manobra ao final do Conclat, em que, com o plenário esvaziado a 800 pessoas, atônitas com o fracasso do Congresso, foi imposta uma lista de integrantes, sem votação nenhuma. As chapas que deveriam existir para concorrer à coordenação executiva foram ignoradas e, num golpe, foi cancelada a eleição. Em substituição ao voto, e a chapas já inscritas, a mesa fez uma manobra e “outorgou” uma executiva provisória, como nomes ainda em branco, para serem preenchidos depois, e com os protestos da poucas organizações ainda restantes até aquele momento.
Reafirmar a Conlutas, e organizar um pólo socialista e combativo dentro da CSP
A direção da agora “ex-Conlutas”, enterrada sem ter sido morta, tranquiliza dizendo que: “Na proposta estará presente, em primeiro lugar, o respeito às deliberações tomadas pelo congresso e a manutenção do funcionamento de uma verdadeira entidade de frente única, e não baseada nos acordos permanentes entre as correntes políticas.” Seria cômico se não fosse trágico, o fato de que, palavra por palavra, nada disso é verdade.
Não se está respeitando nem sequer as resoluções da própria direção da entidade, como o nome da Conlutas.
Para os revolucionários, é preciso reafirmar a Conlutas, retomando seu programa, rompendo com as chapas com os governistas e iniciando uma campanha por mais direitos, empregos e salário digno, com a implementação do piso do Dieese, reposição das perdas salariais e recomposição do valor das aposentadorias.
Para avançar neste projeto, e repudiar as conduções burocráticas e pela cúpula, é preciso atuar dentro da CSP, se este nome e processo for realmente artificialmente imposto, mas preservar, dentro da pretensa “nova central” um pólo dos lutadores, socialistas e revolucionários, que se construa como uma fração pública desta nova central, pela esquerda,e pela base.
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