Publicado em 02/11/2010

Trabalhadores em Correios: a vitória depende de derrotar também a burocracia sindical

         Atualmente, diversas categorias organizadas estão em uma verdadeira encruzilhada. As condições de trabalho estão cada vez mais degradadas e os salários defasados; as empresas públicas são ameaçadas de privatização e prepara-se uma nova Reforma da Previdência contra trabalhadores da ativa e aposentados.

         Tudo isso forma um quadro em que as categorias veem a necessidade de lutar com cada vez mais força. Assim, por um lado, os trabalhadores vão à luta, por outro, o governo mantém seus níveis de ataques. O resultado é inevitável: aumentam os conflitos com as direções sindicais, que hoje são os principais entraves para que não se obtenham grandes conquistas.

         A maior parte do movimento sindical é atrelada a centrais ligadas diretamente ao governo Lula. Os dirigentes da CUT, Força Sindical e outras centrais menores transitam livremente entre as salas de reuniões de seus sindicatos, e os gabinetes do governo.

         Nos Correios, por exemplo, a categoria tem enfrentado exatamente isso. A FENTECT, Federação dos Trabalhadores da ECT (Correios), é dirigida pela Articulação (PT) e PCdoB, a primeira ligada à CUT e a segunda à CTB. Nestes últimos anos, tem aplicado, sob ordens da direção da empresa e do governo, os piores ataques que a categoria já vivenciou.

         Graças ao sindicalismo vendido, os trabalhadores não têm perspectivas de contratações, recebem um salário que acumula perdas de 35%, e sofrem com a preparação da venda da empresa com o projeto dos Correios S/A.

Bloco de Oposição de Correios: unidade de ação para mobilizar a categoria

Neste panorama, em que os trabalhadores, além de lutar contra o patrão e o governo (Lula, até agora, e Dilma a partir de janeiro) devem também derrotar seus próprios líderes sindicais, é preciso resistir.

Por isso, se conformou o bloco dos 17 sindicatos contra o acordo bianual (válido por 2 anos), cuja unidade consiste em ser oposição à Federação que assinou o acordo a base de golpes e assembleias fraudadas.

O bloco, composto por diversas correntes (DS, PSTU, PCO, Movimento Revolucionário e CST-PSol), surgiu para garantir que houvesse luta dos trabalhadores ECTistas, contra o acordo bianual que tentava impedir isto em 2010. Uma unidade de ação para passar por cima da traição e permitir a mobilização.

Como a experiência da categoria com as direções traidoras está cada vez mais avançada, mesmo a contragosto de alguns setores do bloco, a categoria já discute o rompimento com a Fentect e a construção de uma alternativa, democrática, de luta e não atrelada ao governo.

Mas o bloco não representa isso. Ele não tem programa, estatuto nem direção orgânica. E, até agora, todas suas iniciativas estavam primando pelo consenso, justamente por possuir o caráter de unidade de ação, e não de uma Frente Única, típica. Não havia nem deve haver programa comum entre todos seus setores, porque nem todos são sequer de oposição ao patrão, o governo federal.

Ainda assim, o bloco pode ser importante, se servir para lutar. É para a ação comum que ele pode ser positivo. Porém, o PSTU, que passou a ser a direção do bloco, já vinha dando demonstrações claras de qual seu verdadeiro interesse. As intenções são duas: formar um novo aparato, contando com um trabalhador liberado, sede, telefones, etc.; e, a partir do bloco, integrar chapas oportunistas para disputar sindicatos.

Na verdade, ambos objetivos se parecem, porque partem de que não se avance na discussão programática e construção de um bloco realmente antigovernista, e, ao contrário, se priorize a disputa por infraestrutura e cargos.

Nós propomos derrotar os traidores que estão no movimento sindical. Mas essa derrota se dá principalmente em cada luta, em cada greve, em cada mobilização. Mas também pode se dar com a derrota destas direções traidoras nas urnas das eleições sindicais.

Para isso, no entanto, a alternativa que apresentemos contra estes traidores deve ser a de chapas classistas e não a formação de chapas com outros traidores e governistas.

PSTU: o partido que se diz revolucionário está dando um sopro de vida na burocracia governista.

Mesmo diante de toda esta conjuntura, PSTU e MRL-DS, ambas correntes que votaram contra o acordo bianual, se juntaram à Articulação em uma chapa para concorrer ao sindicato de Correios de São Paulo, o principal sindicato desta categoria.

Para nós, já seria equivocado fazer chapa conjunta com o MRL, sem discutir o programa e ter como uma condição a oposição intransigente e aberta ao governo Lula, agora, e Dilma, em 2 meses.

Esta corrente, apesar de ter algumas posições que vão ao encontro dos interesses dos trabalhadores, é ligada ao governo federal, faz parte da CUT e chega ao cúmulo de, nos sindicatos que dirige, pedir voto a Dilma Rousseff, recém-eleita como próxima patroa dos Correios. Fizeram isso sem nenhuma crítica ao fato de seu governo querer privatizar os Correios.      

É impossível que estes companheiros defendam os trabalhadores, ao mesmo tempo em que defendem um governo burguês que os ataca. Por isso, fazemos um chamado para os companheiros do MRL seguirem defendendo os direitos da categoria, e que rompam com a CUT e os governos Lula, e Dilma.

No entanto, o pior de tudo, a traição suprema do PSTU, é sua aliança com o traidor-mor da categoria, José Rivaldo, conhecido como Talibã. Esta figura é o próprio secretário-geral da Fentect, conhecido traidor das lutas da categoria, entre elas o “acordo bianual”. Entre outras de suas façanhas, foi ele quem cumpriu papel decisivo de fechar o último Conrep (fórum que discutiria a possível greve da categoria neste ano), chamando a polícia.

Portanto, a formação desta chapa, impulsionada e conscientemente planejada pelo PSTU se trata de uma traição histórica da categoria. O PSTU nada mais fez do que montar uma chapa com setores da patronal, já que o responsável pela empresa/governo em negociar com o movimento sindical é um membro da mesma corrente de “Talibã”, o Manoel Cantoara, também ex-secretário-geral da federação, que “subiu na vida” quando a ECT ofereceu um cargo na empresa. Talibã é seu afilhado político.

Os motivos que se apresentam para justificar tal unidade são totalmente descabidos. Dizem que o sindicato, dirigido pelo PCdoB, está tomado por uma burocracia antidemocrática – uma verdadeira máfia – que ataca dirigentes sindicais, e cassa direitos políticos de quem critica o sindicato. Mas, tudo o que enxergam com lente de aumento no PCdoB esquecem de ver na Articulação. Na verdade, são “seis e meia-dúzia”. Dizer que tem que se aliar a um pra derrotar o outro é uma mentira tão ruim, que deixa claro para todos que é puro oportunismo e traição.

O PSTU para derrotar uma parte da quadrilha de Lula no movimento sindical, o PCdoB, definiu que se unirá com outra parte da quadrilha, a Articulação, a mesma que nos fóruns nacionais tem chamado a polícia para reprimir trabalhadores de oposição.

O “engraçado” disso tudo é que, em bancários, por exemplo, o PSTU faz chapas com o PCdoB contra a Articulação, exatamente o contrário. Não há como explicar: é uma vergonha, mesmo. Um fisiologismo oposto completamente ao marxismo e a qualquer atuação minimamente de uma esquerda coerente e classista.

Avançar a luta somente derrotando Lula e os traidores

Os trabalhadores devem perceber que a única forma de fortalecer as lutas das categorias é derrotando o governo Lula (que ataca os trabalhadores) e todos os burocratas sindicais do PT que traem as lutas.

Esta é a verdadeira necessidade dos ECTistas e a única maneira de garantir a democracia dentro das entidades sindicais, e as vitórias pelas quais lutamos.

O Movimento Revolucionário não tem chapa nesta eleição, com duas chapas que não fazem oposição ao governo, nem são alternativas contra os traidores; pelo contrário, são compostas por eles.

 

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