A última semana foi muito expressiva para o movimento estudantil da UFRGS. Nos dias 4, 5 e 6 de junho, a Construção do Movimento Revolucionários esteve a frente na realização do plebiscito sobre a participação no congresso da UNE (CONUNE). A pergunta era: “Você acha que a UFRGS e seu DCE devem participar do congresso da UNE? Sim ou Não?”.
Com 63,8% dos mais de mil votos, o NÃO venceu e mostrou que os estudantes não enxergam mais motivos para continuar participando de uma entidade que defende o governo e sumiu das lutas. O plebiscito ocorreu em um momento onde se desenvolviam diversas lutas, greve dos trabalhadores (como a dos municipários e dos servidores em Porto Alegre) e ocupações, como a da USP e a da reitoria da UFRGS.
Cada vez mais a CUT e a UNE estão ausente dessas lutas, pois elas são contra todo um processo de privatização da universidade pública e contra os ataque aos direitos dos estudantes e trabalhadores. Todas as lutas são, em última instância, contra o Governo Lula que aplica esse plano econômico que o imperialismo precisa para nos explorar mais do que já explora, e por isso, essas lutas são também contra essas entidades governistas que tentam frear e sabotar as mobilizações para defender o seu governo.
Essa é a explicação para a vitória do NÃO. Os estudantes percebem que para fortalecer a luta é preciso parar de legitimar a UNE, que nos rouba e nos engana junto com o governo. Por isso não querem que o DCE participe do circo armado pela UNE. Está na hora de romper e construir uma alternativa. A única forma de derrotar a Reforma Universitária e defender a Educação Pública é construindo uma entidade nacional que organize a luta contra o governo nacionalmente. Nossa organização estará atuando no sentido de avançar na construção da CONLUTE na UFRGS, aproveitando esse momento de negação da UNE no plebiscito, quando muitos estudantes estão dispostos a discutir uma alternativa de luta.
O plebiscito só poderia ter sido melhor se a gestão do DCE tivesse assumido junto e feito campanha pelo “SIM”. É preciso justificar para os estudantes o porquê de permanecer na UNE, ainda mais quando se trata de uma gestão eleita com um programa contra a UNE (nos materiais da chapa 1, atual gestão, dizia que “a UNE não fala em nosso nome”) e com o compromisso de fazer um congresso de estudantes da UFRGS antes do congresso da UNE (esse congresso foi adiado para o segundo semestre, depois do CONUNE) para discutir sobre isso.
Se antes do plebiscito o DCE não tinha legitimidade para ir ao CONUNE, agora, definitivamente, tem menos ainda. Isso é uma vitória dos estudantes, na medida em que se decide que mais uma entidade vai boicotar a UNE e não vai legitimar seus congressos fraudados. Definitivamente, não ir para esse congresso é bom para a luta e ruim para o governo.
Esperamos que o DCE respeite a decisão dos estudantes e não vá ao congresso da UNE. Caso contrário, estarão passando por cima dos estudantes pela segunda vez.