Publicado em 28/03/2010

Chapa composta pelo Movimento Revolucionário se elege com 83% dos votos na eleição dos bancários do Rio Grande do Norte.

VITÓRIA ARRASADORA DOS TRABALHADORES

Recentemente, os bancários do Rio Grande do Norte deram um exemplo de luta e organização sindical para to o país. Venceram por 83% contra 17% a máquina da CUT e CTB, apoiadas por PT, PCdoB, banqueiros e pelegos de todo o país.

Para esta vitória esmagadora, não foi preciso abandonar princípios, esconder o programa, nem se coligar “com Deus e o Diabo”, como muito se diz e muito se faz por aí afora.

A começar pela construção da chapa, em que a atual direção junto com inúmeros ativistas de base fizeram um processo de discussão política e democrática, que levou à formação de uma chapa que representava todos os bancos e setores, em todos os momentos o processo foi exemplar.

A coordenadora-geral eleita, uma mulher, bancária da Caixa e militante do Movimento Revolucionário, Marta Turra, é a expressão dessa vitória, sendo uma trabalhadora experiente na disputa sindical, lutadora, mas que até poucos dias antes da eleição estava trabalhando, na base, e não como liberada como muitos sindicalistas parecem não conseguir deixar de viver.

Neste aspecto, os principais dirigentes do mandato anterior também mostraram, na prática, que é possível fazer rodízio na direção das entidades, deixar novos ativistas assumirem responsabilidades e voltar à base. Assim é que se dá exemplo contra o burocratismo e de desapego ao aparato. No discurso, muita gente concorda, mas é raro ver quem faz isso de verdade. Nisto e em todos os outros aspectos os companheiros estão de parabéns.

Trabalho de base e política revolucionária

Além de ser uma das categorias que mais tem lutado no país nos últimos anos, os bancários, em especial os do RN, conseguiram unir a disposição de luta e mobilização com a compreensão da importância de uma direção sindical forte, que represente os interesses dos trabalhadores.

Isso se concretiza no mandato também da gestão que se encerra, que sempre foi vanguarda na política de se enfrentar com os banqueiros e governo Lula (patrão na Caixa, Banco do Brasil e BNB), além dos pelegos sindicais, que são maioria nos demais sindicatos do país e na Contraf (confederação nacional dos bancários, ligada à CUT).

O resultado das últimas eleições para o sindicato da região, poucas vezes visto no movimento sindical, é produto dessa política alternativa e combativa contra o governismo. De um lado, a chapa 1, da situação, tinha muita presença e moral dentro de cada local de trabalho, expressando a continuidade de um projeto de luta e enfrentamento. Do outro lado, a chapa 2, governista, dirigida pela Articulação Sindical (PT/CUT), sem nenhum trabalho de base e referência de luta entre os trabalhadores, mas com dezenas de cabos eleitorais pagos, dinheiro correndo solto, carros de som e apoio nacional de toda a pelegada sindical.

O resultado expressivo de 83% para a chapa 1 contra 17% para os governistas mostra a viabilidade, também eleitoral, do discurso classista, antigoverno e socialista. Nos materiais da chapa, além da avaliação positiva do sindicato, havia o debate sobre cada ponto de reivindicação dos trabalhadores, mas a combinação disso com a necessidade da luta socialista e contra o capitalismo e o governo.

Foi com esse programa que se ganhou a eleição, e isso é uma derrota tanto do governismo, como dos oportunistas sindicais, que teorizam em defesa do socialismo, mas fecham chapas com traidores e fazem campanha com uma política rebaixada e economicista.

A experiência com as direções governistas.

A categoria bancária do Rio Grande do Norte, ainda que de forma mais avançada, é parte de um mesmo fenômeno que ocorre nacionalmente. Desde que Lula assumiu o governo federal, seu governo se apoiou na cooptação das principais lideranças sindicais do país, como a CUT e o PT. Foram milhares de ex-sindicalistas que assumiram cargos em empresas públicas ou viraram burocratas que vivem no sindicato para fazer o que o governo manda, traindo as principais greves e tentando impedir que a luta dos trabalhadores avance e derrote com maior intensidade os ataques do governo e dos patrões.

Em função disso, muitos sindicatos iniciaram um processo de ruptura com as velhas direções e deram início ao surgimento de outras ferramentas de luta, entre elas a Conlutas, que organizou as lutas e mobilizações mais importantes contra os ataques de Lula.

O resultado das eleições do RN enche de ânimo todos os trabalhadores de base que compreendem a necessidade de um novo sindicalismo, e expressa o avanço na consciência da cada bancário e bancária que, por reconhecer no sindicato uma ferramenta de luta e não de oportunismo e carreirismo, optou pela continuidade do programa da atual direção.

A opção de dizer não aos pelegos e traidores, e sim aos sindicalistas combativos e de oposição ao Lula e o PT não é exclusiva dos bancários potiguares. Em muitos outros locais está mesma política poderia resultar na mesma votação. O que é necessário é termos firmeza programático, darmos o exemplo em nossa atividade sindical e estarmos ainda mais colados à base

Um exemplo para a reorganização do movimento sindical.

Dentro do processo de reorganização do movimento sindical, aberto com a traição das centrais pelegas, essa eleição significa muita coisa. Primeiro, do ponto de vista da construção de um programa claramente de enfrentamento aos governistas, que denuncie também o conjunto do sistema capitalista e defenda outro tipo de sociedade, socialista, saindo do corporativismo sindical para apontar uma saída de todos os explorados.

Esse aspecto, além de fundamental em si mesmo, é tema de debate dentro das fileiras da Conlutas e dos setores de oposição a Lula. A própria Conlutas deixou de lado suas amplas campanhas de desfiliação e combate à CUT para construir uma unidade permanente, com atos unitários em todos os momentos, na maior parte das vezes sem críticas públicas, aos governistas. Isso é apenas um aspecto dentro de um retrocesso profundo que a direção majoritária da Conlutas impôs à central.

Assim, hoje, por exemplo, está sendo discutida a unificação entre a Conlutas, Intersindical e outros setores do movimento sindical. O objetivo é a construção de uma central superior, com bem mais sindicatos e entidades representadas. Para nós, a unidade e o crescimento são essenciais, desde que se estabeleçam em cima de um debate programático e não simplesmente por motivações universais, como a busca da unidade permanente.

Infelizmente, não é esse debate de ideias e programa que norteia a unificação das centrais, e sim a ânsia de crescer a qualquer custo, e ganhar entidades com quem quer que seja.

Justamente em função disso, é preciso que façamos uma discussão profunda sobre a questão da burocratização dentro dos sindicatos; um problema que já é uma realidade dentro da Conlutas e tende a aumentar com a criação da Nova Central.

É preciso que o sindicato seja de base, esteja presente nos locais de trabalho e expresse as reivindicações de cada ativista honesto e de base. Para isso, somente as visitas dos diretores às unidades não é suficiente. É preciso adotarmos o método do rodízio entre os liberados sindicais, como forma de combater desde a raiz o perigo da burocratização de nossos dirigentes sindicais.

O liberado sindical não deve ficar anos, às vezes décadas, sem voltar para sua função de origem ao lado de seus colegas de trabalho. É preciso que haja esse processo de revezamento, tanto para os diretores estarem mais perto da base e refletirem melhor a sua consciência e sua disposição de luta, mas também para evitar que os liberados sindicais se corrompam e não queriam mais voltar a trabalhar, o que é muito frequente em nosso país.

Também nesse aspecto, a diretoria do sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte é exemplo, e vai na contramão de muitas práticas que assistimos na própria condução da Conlutas.

Neste mesmo caminho, estão a recusa em aceitar o dinheiro do imposto sindical (que é devolvido aos trabalhadores), as assembleias democráticas, o compromisso com a mudança da sociedade, e o combate ao governo e a todos os governistas. 

Isso ajuda a ganhar a confiança dos trabalhadores, que reconhecem no sindicato uma direção à altura de suas necessidades. Esse é o caminho que entendemos que deva ser seguido e multiplicado.

Uma vitória de todos os trabalhadores!

A vitória histórica obtida pela chapa Independência e Luta deve ser compreendida como uma vitória de todos os trabalhadores brasileiros, pois além de derrotar aqueles que nos traem em todas as greves e mobilizações, essa vitória mostra um caminho a ser seguido, e prova que é possível conciliar um programa de luta, honestidade e uma concepção de sindicato pela base, aberto aos trabalhadores, oposto aos sindicatos que funcionam como um castelo fechado, onde a cúpula decide e a base só fica sabendo.

É preciso saudar todos os bancários e bancárias do Rio Grande do Norte, bem como os militantes da esquerda que apoiaram essa eleição, com nosso reconhecimento especial aos do Movimento Revolucionário, que, de dentro e de fora da chapa, junto com os companheiros e simpatizantes, foram linha de frente nessa vitória que jamais será esquecida, tanto pelos lutadores quanto os governistas.

 

 

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