Publicado em 14/03/2011

Burguesia dos Estados Unidos ataca direito de greve e crescem lutas pelo país!

Por iniciativa de parlamentares do Partido Republicano, foi aprovada uma lei no Senado do Ohio que proíbe greve na função pública e limita a negociação coletiva.

Este ataque de cunho fascistóide é ainda mais grave que o projeto de lei apresentado no Wisconsin pelo republicano do grupo fascista Tea Party, Scott Walker, que iniciou a onda de projetos contra um dos direitos mais básicos dos trabalhadores. No projeto do Wisconsin, bombeiros e policiais foram excluídos das proibições, num claro propósito de não mexer num vespeiro que poderia sair de controle.

Quanto a Ohio, cerca de 10 mil pessoas protestaram em Columbus, contra o projeto de lei conhecido como "Senate Bill 5", mas o ataque foi aprovado no Senado deste estado. Nos Estados Unidos, estados possuem constituições, leis e parlamentos bicamerais com grande autonomia, muito mais que num país supostamente também federativo como o Brasil. Dessa forma, a lei de cunho fascista avançou, mas ainda pode ser barrada, e por isto a luta segue com muita força.

A partir de agora, o projeto irá ser votado na Câmara de Ohio, e deve ser aprovado em termos parlamentares, visto que a maioria também é republicana aí. Pela lei, os sindicatos não poderão mais negociar questões relacionadas com cuidados de saúde, baixas por doença e pensões, e se elimina o direito à greve, introduzindo pesadas multas, além da possibilidade absurda de prisão para quem ousar fazer a greve. Mas, apesar da maioria parlamentar, a lei terá de enfrentar a revolta das ruas.

A lei de Ohio também acaba com os aumentos salariais automáticos que repunham o aumento do custo de vida e estipula que os aumentos salariais futuros ficarão condicionados ao “mérito”, o que é mais uma escalada na repressão e terrorismo por metas e contra a integridade, saúde e estabilidade dos trabalhadores.

Em Wisconsin, onde tudo começou, as manifestações reuniram multidões e assumiram um conteúdo fortemente político, além do econômico, de combate ao governador Scott Walker, que tenta tomar dos trabalhadores para pagar um déficit de 137 milhões de dólares no período fiscal que conclui no dia 30 de junho. Walker mantém a ameaça de demitir os empregados públicos que façam greve, mas os trabalhadores seguem mobilizados.

Essa situação eleva a luta de classes nos Estados Unidos, num cenário de desemprego em alta (ainda em torno de 10%) e gerou polêmicas em todo o país, acrescentando mais um elemento à onda de revoluções, greves gerais e protestos que ocorrem no mundo todo.

Uma luta internacional contra o capitalismo!

Durante as manifestações em Ohio, houve intervenções que reivindicaram as lutas da Líbia, do Egito e da Tunísia, dizendo que os trabalhadores do Ohio deveriam seguir o seu exemplo e insurgir-se contra este ataque aos direitos sociais e trabalhistas.

Da mesma forma, bastaram as manifestações ocorrerem em Wisconsin e em Ohio para que adquirissem força também em Indiana e, depois, terem chegado a mais 13 estados. Assim, ao menos em 16 estados já há passeatas, protestos e resistência aos planos que não são apenas dos republicanos, mas também dos democratas de Obama, que em nível federal também vem cortando verbas sociais, enquanto reduz impostos dos ricos.

As medidas atingem mais diretamente trabalhadores do setor público, bombeiros, policiais e professores, e devem demitir 12 mil pessoas em curto prazo e atacar mais de 300 mil trabalhadores. No entanto, a resistência da classe trabalhadora e dos estudantes tem colocado estas medidas em xeque, o que, por sua vez, questiona todo o projeto imperialista para o país e os estados, de fazer com que os trabalhadores paguem pela crise dos monopólios, bancos e grandes empresas.

        Tanto pelo seu conteúdo, de luta contra ataques ao emprego, salários e direitos; como pelo momento em que ocorrem, de revoluções no mundo árabe; e ainda pela composição operária e popular, e do método de luta das greves e da paralisação das atividades econômicas, as manifestações nos EUA indicam o caminho à classe trabalhadora.

São conseqüência da mesma crise econômica mundial que levou às revoluções na Tunísia, Egito e Líbia e só podem ser resolvidas da mesma forma que lá: através da tomada do poder pelos trabalhadores. Se a situação sindical nos EUA sempre foi vítima de muita repressão, é a crise econômica que desde 2008 congela salários e demite milhares que levou a greves e lutas crescentes. E foi esta agitação política dos trabalhadores, recentemente, que levou a setores fascistóides a tentar apertar o cerco às lutas.

Neste momento, é preciso multiplicar as manifestações, incorporando novos setores de trabalhadores e da população em geral, além de nacionalizar as lutas, além de conferir um caráter ainda mais político, de combate direto aos monopólios, ao socorro dos bancos e ao governo Obama, que sustenta gastos militares e manteve o corte de impostos dos mais ricos feito por Bush, enquanto os mais pobres são atacados.

A luta deve ter por meta não apenas combater o “lado mau” da política norteamericana, através do Tea Party e dos conservadores, mas enfrentar o conjunto das instituições do governo e do regime, fundamentalmente, inclusive, o governo Obama, que é quem tem a caneta e a chave do cofre das decisões do país, e que hoje sustenta banqueiros contra os trabalhadores. Esta luta contra Obama e os setores mais à direita ainda é parte da luta necessária contra o conjunto do capitalismo e pelo socialismo, já que, sem a vitória histórica dos trabalhadores, ameaças fascistas sempre serão possíveis e ciclicamente voltarão à tona.

Este é um momento favorável à luta dos trabalhadores, que devem manter-se firmes e avançar ainda mais em seu enfrentamento, como única forma de sucesso. Para isso, mais que nunca, é fundamental a solidariedade internacional de todos os sindicatos, organizações e ativistas de luta no mundo inteiro.

 

 

 

 

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