Publicado em 24/05/2011

 Uma concessão para calar a luta palestina e legitimar Israel:       Obama propõe dividir territórios com base em 1967.

Em discurso oficial, Barak Obama fez uma proposta concreta à comunidade palestina internacional. O Presidente dos EUA defende que se negocie a paz no Oriente Médio, em especial no principal conflito envolvendo palestinos e Israel, mediante um acordo que dividia os territórios da região com base ao que existia até 1967, quando Israel durante a guerra que ficou conhecida com a Guerra dos Seis Dias, quando o sionismo anexou à seu Estado várias faixas territoriais na região.

A proposta, que à primeira vista parece ser um avanço, na verdade é um retrocesso.  Já que aceitar a divisão do território da forma como estava dividido antes de 1967, significa legitimar a existência de Israel, um Estado criado para servir aos interesses do imperialismo. 

Essa proposta, ainda que expresse um recuo importante do imperialismo e que evidencie sua fragilidade no cenário internacional, não pode ser aceita pelos palestinos nem por nenhum setor da esquerda, que há muitos anos se coloca na defesa do povo palestino.

Os palestinos tiveram seu território tomado em 1948, ano da fundação do Estado Judeu. A partir de então foram massacrados permanentemente pela forças do Estado de Israel, criado nessa região para cumprir o papel de fortaleza militar dos EUA dentro de uma região rica em petróleo.

Mesmo assim, a resistência palestina foi sempre heroica, mas dentro de um marco de tremenda desigualdade no enfrentamento entre palestinos e israelenses. De lá para cá, Israel aumento seu território anexando várias regiões através de assentamentos ilegais, como Jordânia, Colinas de Golã, Cisjordânia, etc.

Em 2006, Israel ocupou por terra o Líbano, mas foi literalmente corrido e expulso pela força da resistência das massas apoiadas pelo Hezbollah. Depois, Israel entrou na Faixa de Gaza e ficou por um período massacrando e promovendo um genocídio contra os palestinos, mas também acabou derrotado pela resistência palestina e pela pressão internacional dos trabalhadores, que exigiam a saída de Israel e o fim do massacre.

Essa situação favorável aos palestinos e à classe trabalhadora mundial, que coloca o imperialismo na defensiva, vem se agravando nos últimos anos, com seu auge agora com as revoluções árabes, as greves gerais na Europa e com a onda crescente de mobilizações em todos os cantos do planeta.

Não se pode abrir mão da luta pelo Fim do Estado de Israel em função de uma promessa de acordo que, ou não sairá do papel, ou será muito limitado perto de todo prejuízo que o Estado de Israel causou ao povo palestino.

Nesse sentido, a proposta de Obama e do imperialismo reflete que EUA e Israel são obrigados a ceder em alguma coisa para tentar acalmar as lutas de quem resiste. Por isso, é uma proposta contra os interesses de quem nas últimas décadas resistiu, e que hoje está na ofensiva.

É uma proposta que não expressa a real necessidade e a chance de conquistar a bandeira que tem sido levantada ao longo de muitos anos de massacre e heroísmo. A bandeira do fim do Estado de Israel e da construção de um Estado laico, democrático e socialista, onde judeus e palestinos convivam como trabalhadores livres.

Denunciamos a tentativa de Obama de propor um acordo com o único propósito de calar a luta palestina e trocar meia dúzia de metros quadrado pela legitimidade de um Estado criado para matar!

Que avance a luta palestina junto com as revoluções árabes. Pelo fim do Estado de Israel e pela expulsão do imperialismo de todo Oriente Médio.  

 

 

 

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