Publicado em 22/03/2011

Derrotar Kadafi para derrotar o imperialismo!

Os trabalhadores têm um novo inimigo na trincheira

A revolução na Líbia continua em uma magnífica demonstração de força da classe trabalhadora, onde a organização, mesmo que insuficiente, garantiu a continuidade da luta até os dias de hoje.

Os revolucionários avançaram por várias cidades do país, inclusive as principais, até no principal reduto de Kadafi, a capital do país, Trípoli.

Muammar Kadafi foi obrigado a recorrer novamente à força para continuar no poder e, até mesmo, continuar vivo. Com seus mercenários e os poucos aliados líbios organizou uma grande ofensiva iniciada no dia 6 de março obrigando os revolucionários a um recuo tático.

Os mercenários de Kadafi iniciaram sua investida no oeste, saindo de Trípoli, em direção ao leste, onde situa-se a capital dos revolucionários, Benghazi. Supostamente com a empreitada do ditador retomou o controle de cidades como Misurata, Ras Lanuf, Brega, Ajdabiya; cidades com as maiores reservas de petróleo no país, que estavam sob controle dos rebeldes.

Apesar de Kadafi ter tomado as cidades próximas ao litoral, não possui mais o poder. Após a troca de comando os trabalhadores das cidades recém invadidas não passam a apoiar Kadafi, seu poder é insustentável. A população fica acuada, esperando o momento em que as organizações dos trabalhadores tomem as ruas novamente e expulsem as tropas mercenárias para poderem construir um novo país.

Resolução imperialista para garantir continuidade da burguesia no poder

Com a ofensiva de Kadafi e após anúncios de cessar-fogo não cumpridos, o imperialismo, que já vinha ensaiando uma forma de intervir no processo, agora já pratica seus planos.

A zona de exclusão foi aplicada desde o dia 19 de março após a reunião do Conselho de Segurança da ONU. Dos 15 membros do Conselho 10 votaram a favor, incluindo o Líbado (integrante da Liga Árabe) e cinco se abstiveram: Brasil, Rússia, China, Alemanha e Índia.

A resolução 1973 aprovada, determina que seja constituída a zona de exclusão aérea, isto é, Kadafi está proibido de usar a força aérea nacional. Caso alguma aeronave decole será abatida.

Aprovou-se também que “todas as medidas necessárias” para proteger a população civil sejam tomadas, com a exceção de invasão por terra.

Essa resolução é uma grande manobra do imperialismo para poder intervir no processo e se apoderar das diversas conquistas que as organizações dos trabalhadores vêm somando. Dessa maneira os países ricos vão combater um ditador sem apoio popular, desgastado, com poucos recursos financeiros (ao menos em comparação aos países ricos); com um exército fracionado, já que muitos desertaram e apóiam a revolução.

Essa medida visa possibilitar uma abertura de intervenção política na região após os conflitos cessarem. O interesse do imperialismo quer garantir que o próximo governo seja um aliado dos países ricos.

Os países ricos se vêem obrigados a liquidar seu antigo aliado Kadafi, para restabelecer a tranquilidade no país. O preço do barril do petróleo, após a luta na Líbia, começou uma nova disparada, o que é extremamente negativo para um período pós-crise onde as maiores economias mundiais ainda não conseguiram se restabelecer. A subida de preço aumenta as pressões inflacionárias, um dos principais motivos das revoluções do Egito, Líbia, Tunísia, etc. O custo de vida é a grande causa das mobilizações no norte da África e Oriente Médio, e caso os preços e a qualidade de vida sigam piorando, ainda mais países entrarão em processos revolucionários e muitos outros países podem entrar em conflito fugindo do controle da burguesia nacional e imperialista.

Dessa forma o imperialismo não possui outra alternativa a não ser acabar com o ditador e restabelecer a ordem, de preferência com um governo de fachada, alinhado com os EUA.

Vale ressaltar que o imperialismo criou Kadafi, por muitos anos foram os acordos com os países ricos que sustentaram esse ditador no poder, e agora querem aparecer como os defensores da democracia universal.

Mesmo com a obrigação de uma intervenção, as principais economias não possuem condições políticas e econômicas para iniciar um novo front de guerra, assim a própria resolução declara que não será efetuada nenhuma intervenção por terra, interpretada como ocupação militar. O imperialismo fez questão de ressaltar esse aspecto devido ao repúdio, não só dos trabalhadores árabes, mas do mundo todo, às políticas imperialistas.

Economicamente o imperialismo não tem condições de bancar uma nova ocupação. Os dois frontes sob a responsabilidade da OTAN, Afeganistão e Iraque, se tornaram em um verdadeiro pântano onde a cada passo que o imperialismo dá, mais fundo ficam; tanto que a invasão do primeiro já dura uma década e o segundo, chega aos seu oitavo ano, sem perspectiva de acabar.

Fortalecer a luta dos trabalhadores para garantir a derrota de Kadafi e Imperialismo

Com a investida do imperialismo é uma questão de tempo que Kadafi venha a baixo, pois serão atacados principalmente seus arsenais e aeroportos. Assim os trabalhadores não podem permitir nenhum tipo de invasão do imperialismo.

Os países que hoje atacam Kadafi não são aliados dos trabalhadores. Tanto que se preocupassem realmente com a luta do proletariado, criariam as condições para que os insurgentes derrotassem Kadafi, dando-lhes armas, mantimentos, munição, treinamento, etc. Porém isso é uma ameaça aos interesses da burguesia nacional e imperialista.

O próximo passo do imperialismo será de instaurar um governo fantoche na região. Os trabalhadores devem estar preparados para derrubar Kadafi, para derrotar o imperialismo

 

 

 

 

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