Haiti um país arrasado, um ano se passou e a realidade só piorou.
Um ano se passou desde aquele fatídico dia em que um dos mais fortes terremotos já registrados na história destruiu um país já submergido em caos.
Nas homenagens aos mais de 250 mil mortos do incidente, o presidente que continua governando, René Preval, lança uma coroa de flores na vala comum de Saint Christophe onde estima-se que entre 150 e 200 mil haitianos com seus corpos mutilados foram jogados, trazidos em caçambas de caminhões das cidades desvastadas.
Apesar dos 12 meses que se passaram desde aquele 12 de janeiro, a realidade não mudou, e pode-se dizer, ate piorou, já que agora além de continuarem se surpreendendo com algum corpo de baixo dos escombros, estão submetidos a uma epidemia de cólera que já matou mais 3,5 mil haitianos e especialistas acreditam que a doença deva se alastrar ainda mais.
Nas ruas da capital Porto Príncipe, assim como em qualquer outra atingida pelos tremores, a falta de saneamento básico, moradia, iluminação pública - precedentes ao terremoto - continuam sendo agravados pelos escombros; estima-se que somente 5% do entulho foi removido ate agora.
Nenhuma diferença nota-se em imagens divulgadas nos momentos após os tremores e a atual realidade, o que joga uma população inteira, já acostumada a uma vida paupérrima, a viver uma realidade ainda mais sem perspectivas.
A moradia continua um grande problema. 800 mil haitianos continuam vivendo em acampamentos improvisados sem garantir as mínimas condições de sobrevivência.
Promessas feitas, um ano após, nenhuma cumprida
Logo nos dias decorrentes aos vários tremores houve uma comoção mundial. Governos do mundo todo, principalmente os países ricos prometeram ajuda, chagando ao ponto de ex-presidentes norte-americanos (Bill Clinton e George Bush) visitarem o país para prestarem “condolências” à população, mesmo que em seus mandatos nunca tenham se importado com os problemas haitianos.
Mas apesar de muitas promessas, muito pouca prática. Os valores, que já era irrizórios, não foram desembolsados em sua totalidade. Em 2010 havia 2,1 bilhões de dólares destinados à reconstrução o país, porém só chegaram 800 milhões de dólares para este fim.
O que mais é mais chocante e mostra a hipocrisia do imperialismo que não se penaliza com as centenas de milhares de mortes, quando a GM entrou e crise, o governo dos EUA imediatamente desembolsou 50 bilhões de dólares para salvar os donos da mega-empresa que estavam falidos.
Quem sai ganhando com a inexistência de ajuda internacional e a inexistência de um governo, continuam sendo ONG que lucram com a miséria da população haitiana.
Técnicos para reconstrução do país? Que nada. Somente soldados para aumentar a dominação
Ao invés de países, como o Brasil, enviarem milhares de médicos, engenheiros, e principalmente, agentes para os resgates, o que ocorreu de fato foi um grande oportunismo dos países que ocupam o Haiti para aumentarem o número de soldados. EUA e Brasil, que lidera a as forças da ONU, foram os que mais se aproveitaram do fato.
As tropas de ocupação vivem agora um momento ainda mais conturbado, já que o caráter real das “missões de paz” fica cada dia mais escancarado. Enquanto a população não tem comida, água, trabalho, moradia, etc; e se manifesta para as autoridades reivindicando os mínimos direitos, as armas das “tropas de paz” são postas para funcionar. Não existe razão alguma para manter esses soldados no país a não ser manter a população ainda mais oprimida.
Essa situação ficou ainda mais insustentável após as eleições presidências organizadas pela ONU e que foram marcadas por fraudes.
Diante de todo esse quadro nefasto, o capitalismo se demonstra cada vez mais incapaz de solucionar os problemas que ele mesmo cria. O Haiti é a maior expressão disso. O imperialismo a pior face do capitalismo, como percebemos, é capaz de submeter um país inteiro à extrema pobreza e tenta transformar todo esse quadro em oportunidades de grandes negócios.
A única forma de acabar com isso é organizando o país a partir de um novo sistema, mais justo, igualitário, fraterno – é preciso acabar com o capitalismo no país e começar a construção socialista no país. Somente contando com a solidariedade de classe internacional é possível transformar a realidade dos trabalhadores haitianos.
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