Inspirados nas revoluções árabes, palestinos reforçam luta contra Israel.
Mais de cem palestinos oriundos da Síria cruzaram a fronteira do país com as Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1967, o que provocou a reação armada do exército de Israel no último domingo. Oficialmente, dois manifestantes da Síria morreram e quatro ficaram gravemente feridos.
Desde o cessar-fogo entre Síria e Israel assinado em 1974, essa pode ter sido a ação mais radicalizada. Não se trata apenas do número de manifestante, mas, sobretudo, pela iniciativa de entrar nas terras das Colinas de Golã, de peito aberto, expondo-se ao exército mais poderoso da região.
Centenas de milhares de pessoas realizam manifestações no dia 15 de maio em Israel, na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, além de países vizinhos como Síria, Egito, Líbano e Jordânia, para exigir o direito de retorno dos refugiados palestinos e o fim da ocupação israelense. Milhares de pessoas teriam se reunido para manifestações por ocasião 63º aniversário do Dia da Nakba (Catástrofe), quando os palestinos lembram o exílio e o trauma que representou para eles a criação do Estado de Israel em 1948.
Esse episódio ocorre em um momento de situação revolucionária generalizada no mundo árabe, onde os trabalhadores se levantam e derrotam governos e ditaduras que há 30 anos estavam no poder. Além disso, a disposição de luta anti-imperialista cresce no Afeganistão, Paquistão, Iraque e nos próprios países onde ocorrem as revoluções, visto que as massas não aceitam que suas lutas sejam canalizadas e dirigidas por interesses da democracia ocidental ligada aos EUA. Os povos árabes não confiam em nenhuma solução vinda da Casa Branca ou de Washington.
Como conseqüência desse avanço político, os palestinos se enxergam mais confiantes e dispostos a enfrentar aqueles que seguem sendo o principal inimigo dos trabalhadores do Oriente Médio – a fortaleza militar, braço dos EUA na região, chamada Israel. Esse Estado bélico foi construído e legitimado pela ONU em 1948 para representar os interesses do imperialismo dentro de uma região rica em petróleo. Desde então, o Estado sionista anexou e tomou dos palestinos quase a totalidade de seus territórios a base de guerras, banho de sangue e de um verdadeiro genocídio contra os povos palestinos.
Hoje, a palestina se resume a um gueto, um território minúsculo e superlotado, onde o imperialismo e Israel amontoaram pela força milhões de famílias sem condições mínimas de vida, que sofrem com os cercos e embargos de Israel e dependem da autorização dos nazistas do outro lado da fronteira para ter acesso à energia, à água e remédios.
Nesse momento, o presidente dos EUA Barak Obama segue o mesmo discurso de Bush, dizendo que vai procurar uma solução pacífica para o conflito entre Israel e Palestina. Como não existe solução pacífica para esse conflito, sabemos o que quer dizer Obama: que os palestinos devem ficar quietos, calados e acabar com a resistência, vivendo “tranquilos” em meio aos escombros da Faixa de Gaza.
Nós defendemos o oposto. Que os palestinos com a ajuda dos povos árabes se levantem contra a existência do Estado de Israel e que recuperem através da resistência e da luta cada território que lhes foi roubado por conta da política nazista do Estado sionista israelense e do imperialismo norte-americano.
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