Crise à vista: preços de alimento sobem no mundo todo
O Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que reúne o preço e a variação de 55 produtos básicos, atingiu índice máximo no mês de dezembro de 2010. O índice bateu recordes pelo sexto mês seguido, sendo que a maior variação ocorreu entre os meses de novembro, com 206 pontos, e dezembro, quando o índice disparou chegando a 217,7 pontos.
Esse número é o maior desde o início dos registros em 1990 quando foi iniciada a pesquisa. Atingindo patamares superiores, inclusive, aos atingidos em plena crise econômica mundial. Em junho de 2008, o índice bateu o recorde até então vigente, atingindo 231,6. A realidade atual é assim: recorde em cima de recorde sendo batido, com o custo da alimentação cada vez maior!
Além da crise, os efeitos do aquecimento global elevam ainda mais o preço dos alimentos básicos. As enchentes que a cada ano devastam áreas gigantescas em países como Índia e China, nações produtoras de arroz, fazem plantações quilométricas serem perdidas, aumentando a escassez do produto no mercado local, refletindo no mercado mundial.
Os reflexos do aumento mundial de preços já estão sendo sentidos em várias nações. No Brasil, a inflação foi a mais alta registrada nos últimos 20 anos; em países como China e índia, a inflação já atingiu dois dígitos!
O órgão imperialista teme por uma nova escalada de protestos e mobilizações, nos moldes dos que ocorreram em 2008, quando a crise econômica atingiu duramente, também, os preços de produtos básicos.
A ONU divulgou este relatório fazendo alarde para que medidas sejam tomadas pelos governos, principalmente dos países pobres, pois ao que tudo indica a crise alimentar será a mais forte de todos os tempos, o que poderá colocar em xeque diversos governos que se serão obrigados a reprimir manifestações da população.
Em 2008, países como Camarões, Egito e Haiti foram sacudidos por manifestações de trabalhadores que lutavam contra a alta inflação de produtos alimentares básicos. Esse tipo de protesto deve aumentar para o próximo ano, ligado à retirada de direitos vividos por diversos países.
Em setembro de 2010, no país africano de Moçambique, o governo reprimiu severamente manifestações contra o aumento de 30% de aumento no preço dos pães, resultando em 13 mortos.
A luta dos trabalhadores, também será pautada por este tipo de reivindicação: por pão! A cada ano que passa, as debilidades do sistema capitalista se demonstram mais aparentes, mas, ao mesmo tempo, fica cada vez mais clara a solução para os problemas – a luta dos trabalhadores contra os governos, os patrões e os responsáveis por tudo isso.
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